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Segunda-feira, Outubro 18, 2021

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“Adelino Ângelo, o pintor esquecido”, por Massimo Esposito

Adelino Ângelo é um pintor com uma história de vida muito interessante e que nos pode ajudar a RE-pensar algumas atitudes que muitos estão tristemente a desenvolver.

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O mestre Adelino desde pequeno gostou de desenho e empenhava-se todo dia em aperfeiçoar-se. O pai, Juiz Conservador do registo predial não gostava muito. No fim do décimo segundo ano da altura (7.º ano) foi para Lisboa onde, com a venda de todos os seus desenhos, conseguiu a pagar a Escola Superior de Arte, a alimentação e a estadia na pensão do Chiado (um bom exemplo para os meninos universitários de hoje…).

Foi depois trabalhar para várias empresas de estamparia no setor das sedas para alta-costura, devido ao seu belo traço, tendo sido mais tarde professor na Escola Comercial e Industrial Francisco de Holanda, em Guimarães, onde teve uma ótima relação com os alunos, incentivando-os a empenharem-se em aprender e desenvolver a cultura pessoal.

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Visto ser um grande retratista foi convidado a retratar António Oliveira Salazar e outros membros do governo da altura – e aí é que me foi despertada a atenção. Depois do 25 de Abril, e até 1980, ele teve de se refugiar em Espanha por ter sido agredido e insultado por alguns “colegas liberais”… ??? Meu Deus! É esta a “liberdade” que tanto se aclama? É esta a abertura artística? É esta a democracia? Ele foi afastado e ofendido não só porque retratou governantes de outra facção política mas também porque representava a arte “antiga”, não era conceitual, moderno, abstrato e, pior ainda, por “colegas” que talvez invejassem a sua arte.

Ele teve, e tem, uma carreira muito interessante que aconselho a apreciar. Quando eu o fiz fiquei espantado ao ver que depois retratou Mário Soares, Leonor Beleza, Bagão Félix e muito outros que se “esqueceram” das ofensas e maus tratos que ele tinha tido em tempos.

O Adelino Ângelo ainda pinta e faz exposições e uma faceta que me chamou a atenção é o seu interesse em retratar, sem cor política ou de diferença racial, os doentes mentais, que representou com retratos vivíssimos e reais, e o estudo da etnia cigana, com quem privou e pintou em dezenas de quadros e desenhos que representam, com o olho de artista curioso e sincero, o modo de viver e interagir deles, sem julgar.

A sua última grande exposição foi na Sorbonne, em Paris, e podemos ver na sua biografia como é que um homem que sempre viveu de arte, que foi reconhecido como ótimo profissional, pode ser julgado e rejeitado em algumas alturas só por causa de invejas ou ideias políticas, quando realmente os artistas deveriam ser reputados e apreciados apenas pela sua obra.

A obra de Adelino Ângelo é realmente muito convincente e profunda. Eu gosto!

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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