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Sexta-feira, Julho 30, 2021

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ACES do Médio Tejo e autarquias de Abrantes e Sardoal vão ter mais saúde de proximidade

O Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo apresentou na segunda-feira, no Edifício Pirâmide, em Abrantes, o projeto de reorganização dos Cuidados de Saúde Primários para os concelhos de Abrantes e Sardoal, dois municípios que confinam territorialmente na região do Médio Tejo, que apresentam uma taxa de envelhecimento populacional muito elevada, e onde o número de utentes sem médicos de família se cifra na ordem dos 40% e 50%, respetivamente.

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O projeto de reorganização, de base domiciliária e comunitária, assenta nos cuidados de saúde e apoio psicológico e social de proximidade, é dirigida a pessoas de maior risco e vulnerabilidade, com dependência física ou funcional, e visa dar apoio aos mais idosos e aos que estão com mais dependências, através de visitas de apoio domiciliário, mas também às escolas e outros locais.

“É um projeto mais vocacionado para o trabalho comunitário e que difere daquela visão tradicional que temos da ida ao centro de saúde, e do nosso enfermeiro ou médico de família”, disse aos jornalistas a diretora do ACES do Médio Tejo, Sofia Theriaga, sobre um projeto que assenta em “respostas integradas, articuladas, diferenciadas e de grande proximidade às necessidades em cuidados de saúde da população” onde está inserida.

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ACES_SOFIA
A diretora do ACES do Médio Tejo, Sofia Theriaga, na apresentação do projeto de reorganização dos cuidados de saúde primários para Abrantes e Sardoal

“Este projeto integra-se na rede de cuidados integrados e permite termos camas no domicílio, em serviço que pertence aos cuidados continuados, e que permitem que o utente fique o maior tempo possível na sua habitação, com os cuidados que necessita e evitando o internamento imediato. É um trabalho comunitário e de proximidade, quase em exclusivo”, destacou a responsável.

“Este modelo vai incluir, numa primeira fase, 4 médicos, 4 enfermeiros e colegas de outras especialidades para trabalhar nos dois municípios, e que estarão dedicados maioritariamente ao trabalho na comunidade, com as escolas e com os utentes dependentes”, precisou Sofia Theriaga , relativamente a um modelo que atua ainda na área da educação para a saúde, na integração em redes de apoio à família, e na implementação de unidades móveis de intervenção.

ACES_QUADRO
O ACES Médio Tejo é composto pelos municípios de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha.

O projeto, ainda sem data precisa para entrar em funcionamento, passa pela criação e articulação de uma Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) em Abrantes, a par de uma Unidade de Saúde Familiar (USF) e uma Unidade de Cuidados da Comunidade (UCC),e uma Unidade Cuidados Saúde Personalizados em Sardoal, em articulação com uma UCC denominada de “Abrantes e Sardoal”, uma vez que trabalhará com quatro freguesias de cada um dos municípios.

Para o efeito, as autarquias de Sardoal e de Abrantes disponibilizaram-se para adquirir uma carrinha cada para afetar ao projeto.

O projeto de reorganização, que incluem os utentes a serem servidos pela Unidade de Saúde Familiar de Abrantes (USF), que deve inaugurar em maio, não vem resolver o problema da falta de médicos de família nos concelhos de Abrantes e Sardoal, que ainda ficam com cerca de 9 mil utentes “a descoberto” (7 mil em Abrantes e cerca de 2 mil em Sardoal) mas é entendido como um “passo importante” no caminho a percorrer para a resolução do problema porque é um modelo “mais atrativo para se poder captar novos profissionais de saúde para a região”, defendeu Theriaga.

ACES2Os objetivos do projeto passam por melhorar a acessibilidade, melhorar a qualidade e a continuidade, aumentar a satisfação e melhorar a eficiência e a equidade de cuidados dentro do ACES do Médio Tejo.

A presidente da Câmara de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque (PS), disse que o projeto “é muito importante”, tendo observado, porém, que o mesmo “não esgota aquilo que é a necessidade da prestação de cuidados de saúde à comunidade”.

“O que aqui foi apresentado resolve o problema dos cuidados que serão prestados às populações dentro de suas casas”, notou, tendo feito notar que “o grande problema que subsiste para as nossas populações diz respeito aos médicos de família”.

Isto porque, salientou, “mesmo depois da criação da USF de Abrantes (em maio) ainda cerca de 7 mil utentes não terão médico de família”, pelo que, defendeu a autarca, “terá de continuar a haver este esforço de todos para termos capacidade de atrair e fixar mais médicos, para que as equipas de profissionais possam continuar a crescer e o número de pessoas sem médico seja cada mais diminuto”.

A par disso, acrescentou Maria do Céu Albuquerque, que também preside à Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, “era muito importante que a articulação entre os cuidados primários e os cuidados hospitalares se fizesse de forma cada vez mais coordenada, de maneira a evitar a sobrecarga da Urgência com situações que ascendem a cerca de 60% dos casos que não são, efetivamente, desse grau de necessidade”.

Maria do Céu defendeu ainda a necessidade de haver articulação entre as especialidades e aquilo que é feito pelos médicos de família: “um caso paradigmático diz respeito à obstetrícia e ao acompanhamento das grávidas para que possam escolher o Médio Tejo para terem os seus bebés e conseguir manter a qualidade do serviço prestado e manter a valência”.

Miguel Borges (PSD), presidente da Câmara de Sardoal, por sua vez, disse aos jornalistas que o projeto “é uma mais valia para os utentes, para o Sardoal e para a região”.

“O que aqui foi apresentado satisfaz porque é uma necessidade que nós temos para a nossa região, nomeadamente para o concelho de Sardoal, mas as nossas necessidades não se esgotam por aqui porque Sardoal continua a ter quase 50% da sua população sem médico de família”, observou.

“Aqui, o que estamos a fazer, é colaborar também naquilo que é a prevenção e a educação, em termos de saúde, com a Unidade de Cuidados Continuados (UCC), e que, ao memso tempo, dá uma maior proximidade de serviço às nossas populações, onde as pessoas de maior idade muitas vezes o que precisam é de uma palavra amiga, alguém que lhes dê um conforto”.

“É este trabalho que vai ser feito, que não leva a pessoas ao centro de saúde, mas que faz deslocar os profissionais a casa das pessoas e minimiza a necessidade de outros meios, como médicos e outros”, destacou.

ACES2_ALA cerimónia foi presidida por Luís Pisco, vice presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), que salientou o trabalho “exemplar” por parte das duas autarquias, e a “colaboração total” do ACES e da ARSLVT “para fazer, com aquilo que se tem, o melhor possível”.

“Com os recursos que temos ao nosso dispor devemos rentabilizá-los ao máximo, e o papel das autarquias é extremamente importante”, salientou.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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