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Domingo, Julho 25, 2021

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“Abril e o Eterno Capitão”, por Hugo Costa

Celebramos este ano os 42 anos da Revolução do 25 abril. O “dia da liberdade” representa para todos os portugueses, uma das maiores demonstrações populares, que colocou fim a uma ditadura de 48 anos. Uma ditadura conservadora, bafienta, que condenou o nosso país ao empobrecimento e isolamento internacional.

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Do ponto de vista económico foram décadas de fascismo corporativista e condicionamento industrial. Do ponto de vista cultural e educação foram anos de desinvestimento, toldados ao modelo “orgulhosamente sós”. Do ponto de vista de liberdades foram tempos de perseguições, prisões políticas e de censura.

Desde logo os meios militares foram um dos pilares do regime. Porém, como muitas vezes na História foi precisamente daqueles que menos se esperava que a ditadura enfrentou os maiores desafios, nomeadamente, com as candidaturas presidenciais da oposição dos Generais Norton de Matos e Humberto Delgado. A campanha deste último e a sua frase “Obviamente demito-o” degastaram para sempre o poder do Estado Novo. Pouco tempo depois seria outro militar o Capitão Henrique Galvão que desafiaria o regime com o “assalto” ao paquete Santa Maria.

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Mas, em 1961 começava aquele que certamente foi um dos pontos mais significativos para o fim do regime. A Guerra Colonial nas suas três frentes (Angola, Guiné e Moçambique) levou o nosso país ao isolamento internacional e a grandes perdas humanas, condenando o futuro de uma geração.

Em 1974, os jovens oficiais eram veteranos de uma guerra que sabiam perdida. E foi naquela madrugada de Abril que essa força levou os jovens capitães a desafiarem um regime sufocado e sem alicerces. Por entre esses homens tínhamos o Capitão Salgueiro Maia com apenas 29 anos, mas muitos anos de combate no horror da selva da Guiné e em Moçambique.

Salgueiro Maia foi o herói de Abril. O herói romântico que conseguiu ter a serenidade necessária para em diferentes momentos do 25 de Abril evitar um banho de sague e garantir o que seria uma “revolução de cravos”. Salgueiro Maia teve um percurso ligado à nossa região, desde os estudos em Coruche ou em Tomar, até à centralidade na História de Santarém, cidade de onde partiu com os seus homens naquela madrugada.

O seu carisma e a sua capacidade de liderança estão bem vincados na frase que proferiu aos seus homens em Santarém – “Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado: os Estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!”

Salgueiro Maia acabaria por morrer em 1992, ainda antes dos cinquenta anos, como um herói. No entanto, a direita bafienta que governava o país havia recusado conceder uma pensão vitalícia pelos “serviços excecionais ou relevantes prestados ao país”. Uma vergonha para a História da Democracia. Em 2009, o então Presidente da República Cavaco Silva tentaria remendar o seu próprio erro, numa homenagem envergonhada.

A homenagem que o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, presta este ano, a Salgueiro Maia em Santarém é um tributo justo e um excelente sinal político. Não o apoiei nas eleições presidenciais, mas reconheço este seu gesto.

Mesmo que em 1992 ocupasse a função de Tenente-Coronel, Salgueiro Maia será para sempre recordado como o “Eterno Capitão”, o nosso herói romântico do 25 abril. É uma honra para nós a ligação estreita que teve com a nossa região.

Deputado na Assembleia da República e membro das Comissões de Economia, Inovação e Obras Públicas e Habitação, é também membro da Comissão de Orçamento e Finanças. Diz adorar o Ribatejo e o nosso país. Defende uma política de proximidade junto dos cidadãos. Tem 36 anos, é de Tomar e licenciou-se em Economia pelo ISEG. É membro da Assembleia Municipal de Tomar e da Assembleia da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. Tem como temas de interesse a economia, a energia, os transportes, o ambiente e os fundos comunitários.

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