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Sexta-feira, Dezembro 3, 2021
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Abrantes/Sardoal | Festival de Filosofia já anda pela região e veio para ficar (c/video)

O Festival de Filosofia de Abrantes está oficialmente aberto. A primeira hora teve lugar no Auditório da Santa Casa da Misericórdia na sexta-feira, dia 10, e a última está marcada para o próximo dia 19, segunda-feira. Até lá, a Filosofia anda pela região ao longo de mais de uma semana em que se reflete sobre temas da atualidade nos debates, momentos culturais e atividades escolares que se realizam em Abrantes e também em Sardoal.

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Maria do Céu Albuquerque, Miguel Borges e Alves Jana partilharam os primeiros minutos da iniciativa organizada em parceria pelos municípios de Abrantes e Sardoal, o Clube de Filosofia de Abrantes e a Associação Palha de Abrantes. Os dois primeiros na qualidade de presidentes dos respetivos municípios e o terceiro em representação do Clube de Filosofia de Abrantes e conferencista, lançando o mote para os 10 dias em que a comunidade é desafiada a refletir sobre “O regresso da História: a crise da democracia e o autoritarismo, a religião e os radicalismos”.

Foto: CM Abrantes

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A presidente da Câmara Municipal de Abrantes partiu de exemplos do passado para fazer a ponte que o liga ao futuro através de “uma cidadania ativa, esclarecida, questionadora”. Na sua intervenção, Maria do Céu Albuquerque, salientou a função das cidades contemporâneas em “assumir a sua função de promover o debate e a participação cidadã” e que esta iniciativa “quer ser uma praça aberta. Convocar-nos a refletir e marcar posição. Pretende reunir políticos e intelectuais, jovens e tantos outros atores. Dar-lhes voz e fazer-lhes perguntas. Trazer os cidadãos aos problemas e às soluções”.

Abertura do Festival de Filosofia de Abrantes

Publicado por mediotejo.net em Sexta-feira, 10 de Novembro de 2017

Maria do Céu Albuquerque falou com o mediotejo.net sobre o Festival de Filosofia de Abrantes

Miguel Borges começou por prenunciar “dez dias fantásticos” e lançou o desafio para que numa ocasião futura se reflita sobre a interioridade não como sinónimo de “inferioridade”, mas sim de “qualidade”. Um lema defendido de forma recorrente pelo presidente da Câmara Municipal do Sardoal para quem a distância depressa se supera e a região possui mais-valias que permitem “ter tempo” para “nos encontrarmos” enquanto pessoas.

A última intervenção da tarde foi de Alves Jana. O responsável pelo Clube de Filosofia de Abrantes destacou que o evento permite “pensarmos em conjunto” sobre as questões que marcam a atualidade em diversas áreas. Sociedade, política, economia e religião estiveram em destaque na intervenção que começou e terminou com a ideia de que “nada substitui a realidade, mas esta não é a ideia que temos dela”.

A História, destacou, não terminou e a tese de Fukuyama sobre o “Fim da História” foi contrariada com a comunicação sobre a crise da democracia perante um cenário global marcado pelas ações das grandes potências mundiais, crises que “se somam umas às outras”, “incerteza reinante” e “ceticismo” de especialistas e da população em relação às soluções apresentadas. Nos próximos dias também se irá refletir sobre os fundamentalismos, nomeadamente o religioso.

Miguel Borges lançou o desafio de se pensar a interioridade como sinónimo de qualidade. Foto: mediotejo.net

Muitos temas que marcam o programa e serão debatidos ao longo dos próximos dias. O Centro Cultural Gil Vicente, no concelho vizinho do Sardoal, recebeu os primeiros conferencistas no sábado, dia 11. Christophe Bouilland falou sobre “L´Union européenne peut-elle encore devenir une fédération démocratique?” e António Guerreiro e Nuno Lemos Pires abordaram “A democracia, esse tudo que é nada” e “O logos e a consciência cultural na prevenção de conflitos”, respetivamente. Os dois momentos foram intercalados com o encontro de jovens pensadores inspirado por “Os desafios do futuro”, às 17h30.

No domingo as conferências mudaram-se para o Edifício Pirâmide, em Abrantes, onde André Freire interveio sobre “O futuro da democracia liberal e representativa” e Orlando Samões falou sobre “Liberdade e Virtude contra Autoritarismos”. A primeira intervenção foi comentada por José Rafael Nascimento e a segunda por António Leitão.

Foto: CM Abrantes

Esta quinta-feira, dia 16 de novembro, António Filipe Pimentel reflete, pelas 21h30, sobre a “História, memória e cultura da paz: o papel dos museus no mundo contemporâneo” numa intervenção comentada por Francisco Valente.

O segundo fim-de-semana no festival começa no sábado com a comunicação de Faranaz Keshavjee sobre “O problema das hegemonias religiosas na construção do sujeito democrático” comentada por José Alves Jana, a partir das 10h00. Jean-Louis Schlegel questiona o radicalismo religioso em “Pourquoi la radicalité religieuse au début du XXI° siècle?”, tendo como comentador Mário Pissarra, pelas 15h00.

O festival começou no auditório da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes. Foto: mediotejo.net

A religião continua em destaque nas intervenções da tarde com Khalid D. Jamal a abordar “O Islão no Séc. XXI: Quo Vadis?” e Anselmo Borges “Francisco e o diálogo ecuménico e inter-religioso” a partir das 17h30. O dia terminacom a mesa redonda que junta Alexandre Honrado, Marco Oliveira e Rachid Ismael pelas 21h30. O último palestrante do evento é Onésimo Teotónio Almeida, que lança a questão “O regresso dos valores – ou que valores nos restam?” a partir das 15h00 de domingo, dia 19.

A programação do Festival de Filosofia de Abrantes abrange outros locais da cidade. O Jardim da República foi escolhido para a oratória livre com jovens abrantinos em torno do tema “OrAbrantes: pensar o futuro”, marcada para as 16h30 desta quarta-feira, dia 15, e a Biblioteca Municipal António Botto recebe a Feira do Livro de Filosofia ao longo dos 10 dias. É também neste local que se realiza a atividade “Filosofia com Crianças” orientada por Joana Rita Sousa, entre 13 e 19 de novembro.

Os alunos das escolas de Abrantes e Sardoal também recebem Joana Rita Sousa e estão anunciadas mais atividades nas escolas secundárias do primeiro concelho. O público juvenil tem outro momento reservado no programa com a apresentação do Prémio Jovem Filósofo, que pretende distinguir os filósofos do futuro a nível nacional.

Alves Jana falou sobre a atualidade e lançou o mote para a reflexão. Foto: mediotejo.net

A cultura marcou presença na primeira noite e a peça teatral “Diário de Um Louco”, com base na obra literária homónima de Nikolai Gógol, foi levada a cena pela Companhia de Teatro do Ribatejo no Cineteatro S. Pedro. Na terça-feira, dia 14, às 21:30, Mário Pissarra apresentou o livro “Contra a Democracia” (Gradiva), de Jason Brennan, no Edifício Pirâmide.

À mesma hora de quarta-feira, dia 15, o espaço Sr. Chiado recebeu a exibição do documentário “Amanhã”, de Mélanie Laurent e Cyril Dion, numa sessão de cinema que teve como comentadores Joelle e Júlio Henriques. Os últimos momentos culturais surgem no final da semana, na sexta-feira, com uma recriação histórica e um recital.

A primeira tem lugar na Biblioteca Municipal António Botto, pelas 21h00, e junta a “A arte sem nome: diálogos filosóficos”, pelo Grupo de Teatro Palha de Abrantes, baseada na obra de Maria Helena da Rocha Pereira, “Hélade: antologia da cultura grega” e a obra de José Manuel Heleno, e “Dramas | Antero, Antígona e Mon Chéri” com foco em “Antígona”.

A segunda tem lugar no espaço Sr. Chiado, partir das 22h00, onde Anabela Duarte canta acompanhada pelo pianista russo Yan Mikirtoumov em homenagem a Francisco de Goya.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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