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Quarta-feira, Agosto 4, 2021

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Abrantes/ESTA | Dois jornalistas d’O outro lado da entrevista

“Eu disse que não era este o meu lugar.” Foi assim que José Alves Jana, entre risos, deu início ao painel “O outro lado da entrevista”.  Ana Clara partilha o palco com ele. É ex-aluna da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA) e afirma que “é emotivo voltar 17 anos depois”. Foram professor e aluna e agora partilham a paixão pelo jornalismo.

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Num diálogo descontraído e num espaço cheio de luz e carisma, como é o Sr. Chiado, os “agora” alunos da ESTA ouvem com atenção tudo o que estes convidados têm para ensinar. Ana Clara trabalha como chefe de redação e exerce jornalismo desde que se licenciou, há 13 anos. José Alves Jana é já reformado, mas continua a fazer trabalhos para a Antena Livre. E é neste contexto que vêm contar um pouco das suas estórias e dizer de que forma encaram este género jornalístico: a entrevista.

“A entrevista é uma fonte de memória única.” É assim que Ana Clara define o que é, para si, o género que mais gosta de fazer. É o género mais fidedigno porque dá oportunidade aos leitores de conhecerem alguém com quem nunca tenham tido a oportunidade de conversar. A jornalista descreve o momento que antecede cada entrevista: “Tenho borboletas na barriga como se fosse a primeira vez. Acho sempre que vou ser engolida. ”Afirma que foi onde mais errou, mas onde também teve mais conquistas. Sente-se “na sua praia” quando entrevista alguém.

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Alves Jana acredita que a preparação para uma entrevista é a parte mais importante de todas: “Falhar a preparação é preparar-se para falhar. Ana Clara concorda com a afirmação, mas insiste na ideia de que nunca se deve ficar agarrado a um guião de perguntas e que “temos de ter a capacidade de assumir que não sabemos tudo”. “A entrevista tem de ser uma conversa. As melhores perguntas são aquelas que nós nunca imaginámos fazer”, remata.

Um dos temas mais falados nesta conversa foram os condicionamentos a que os jornalistas e os órgãos de comunicação social estão sujeitos hoje em dia, por parte de pressões políticas e económicas. Ana Clara define, muito convictamente, a sua posição: “Nunca se deixem ceder por ninguém. Nunca façam favores a ninguém.” Por isso mesmo, afirma já ter dito muitas vezes “não” às coisas com as quais não concordava.

A verdade é que não há uma receita secreta para se fazer uma boa entrevista. Alves Jana explica que “qualquer entrevistado pode ser um prazer. Tem de ter é sentido”. Na mesma linha de pensamento, Ana Clara afirma que “tão válida é a entrevista ao velhinho do Belmonte como é ao Presidente da Rússia”. Às vezes até as pessoas que nós pensamos que não são nada, afinal acabam por ser muito interessantes. “As melhores entrevistas são aquelas que fazemos às pessoas que não são conhecidas”, completa Ana Clara.

Alves Jana, termina a conversa de duas horas, respondendo a uma pergunta de uma aluna com outra pergunta: “Se não tenho capacidade para entrevistar alguém que não é estrela, terei capacidade para entrevistar uma estrela?”

Texto de Adriana Claro e Irene Vale, alunas de Comunicação Social da ESTA

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