Abrantes/Centenário lança projeto “Só tens música na cabeça?”

A pergunta “Só tens música na cabeça?” foi colocada pela Comissão de Comemorações do Centenário de Abrantes aos músicos do concelho e os que responderem afirmativamente farão parte da nova academia de músicos AMA – Música do Nosso Tempo. Falámos com Humberto Felício e José Miguel Rodrigues, os dois responsáveis do projeto, e percebemos que além das memórias do liceu e da paixão pela música também partilham a ambição de reinventar o conceito de orquestra filarmónica.

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O concerto de Ano Novo “Bravo Abrantes”, realizado na Igreja de S. Vicente a 9 de janeiro, assinalou o arranque do programa delineado pela Comissão de Comemorações do Centenário de Abrantes a cidade. Desde então, a equipa coordenada por Fernando Catroga tem desenvolvido diversas atividades e o trabalho continuará até ao final do ano com o objetivo de tornar 2016 memorável.

As 27 iniciativas previstas abrangem áreas distintas que vão da cultura ao ambiente, passando pela gastronomia e a História. Entre elas está, obviamente, a música e a comissão não se limitou a organizar concertos com nomes mais ou menos sonantes da atualidade. O músico Humberto Felício, um dos nove comissários do Centenário, decidiu investigar o passado musical do concelho no arquivo municipal e a pesquisa surpreendeu-o de tal modo que propôs a criação de um repertório representativo dos últimos 100 anos.

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A proposta foi aceite e a parte técnica entregue ao maestro José Miguel Rodrigues, mas faltava dar-lhe volume e quem melhor do que os atuais músicos abrantinos para criar o elo entre passado e presente. Surgia assim o projeto AMA – Música do Nosso Tempo, que teve a primeira sessão de trabalho na sexta-feira, no Cineteatro S. Pedro.

Os dois responsáveis da AMA partilharam o liceu e percorreram o país por caminhos musicais diferentes que se cruzam no ponto em que a nova academia de músicos ganha forma. Uma diversidade que consideram enriquecedora para a criação da nova orquestra com mais de quarenta elementos orientados por Ricardo Alves, Rui Alves e Mariana Deus (naipe de madeiras), Pedro Gentil (naipe de metais), João Silva (naipe de percussão) e Filipa Castilho (naipe de cordas).

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Integrar a AMA implica ter conhecimentos musicais e essa formação é assegurada no concelho de Abrantes pelas Bandas Filarmónicas de Alvega, Mouriscas, Rio de Moinhos e Rossio, assim como pela escola de música do Orfeão de Abrantes e o ensino integrado do Agrupamento de Escolas Dr. Manuel Fernandes (n.º 2). Os primeiros contactos foram estabelecidos no sentido de sensibilizar e envolver estas entidades e serão reforçados nos próximos dias.

Apesar de já terem inscrições, o processo não tem sido fácil e Humberto Felício justifica os obstáculos com o facto de estarem a desafiar os músicos “para um projeto arrojado” que mexe “com as instituições centenárias”. Instituições essas que José Miguel Rodrigues considera estarem muitas vezes presas a “hábitos, rotinas e vícios”. O discurso pode parecer de rutura, mas os responsáveis destacam a importância da seleção dos músicos ser feita em conjunto com as direções destas entidades numa ótica de complementaridade.

Os primeiros ensaios decorrerão a 30 de abril e 1 de maio, no último dia já em regime de estágio, e o Cineteatro S. Pedro será, nas palavras de José Miguel Rodrigues, o “laboratório” da AMA. Ali será preparada a temporada de concertos com estreia agendada para as Festas da Cidade, entre 9 e 14 de junho, e que abrangerá as freguesias do concelho onde existem Bandas Filarmónicas.

O repertório inclui obras centenárias como “A Lenda de Abrantes” composta pelo maestro da Banda do Regimento de Infantaria de Abrantes, Guilhermino Silva, e atravessa um século de música marcado pelas sonoridades de António Variações, Paulo de Carvalho e Jorginho Portugal, entre outros. Os responsáveis do projeto fazem parte do panorama musical abrantino e deixam o seu cunho artístico com temas dos Kaviar, grupo que Humberto Felício integrou até ao final de 2013, e da autoria de José Miguel Rodrigues.

A AMA – Música do Nosso Tempo começa a dar os primeiros passos no ano em que se assinala o primeiro centenário da elevação de Abrantes a cidade e os dois músicos definiram a ambiciosa missão desta ser um projeto virado para o futuro que una as instituições musicais do presente em torno de obras do passado. O desafio é grande, mas por qualquer razão a História não se escreve com letra pequena.

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