Abrantes | Vinte e três bombeiros iniciam certificação de competências para obter Carteira Profissional

Decorreu, esta segunda-feira, a primeira sessão de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) no quartel dos Bombeiros Voluntários de Abrantes. Este primeiro grupo a ser certificado, com 23 bombeiros inscritos, é constituído por bombeiros de Abrantes, Sardoal e Bucelas. O objetivo é a obtenção de Carteira Profissional com reconhecimento europeu.

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Num primeiro grupo, inscreveram-se 23 bombeiros para o processo de RVCC com a finalidade de certificar profissionalmente os bombeiros do Médio Tejo e de outras regiões do País que pretendam obter Carteira Profissional de Bombeiro, com reconhecimento europeu.

A primeira fase “surgiu na tentativa de possibilitar a formação escolar aos bombeiros” uma vez que existem operacionais sem 9º ano de escolaridade e outros sem o 12º ano, explicou ao mediotejo.net o presidente da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Abrantes (AHBVA), João Furtado. Na vertente académica a Associação estabeleceu uma parceria com a Competir-Formação e Serviços SA (Torres Novas) e com o Instituto Vaz Serra, Sociedade de Ensino Cultura e Recreio (Sertã), tratando-se de uma “certificação de competências a nível escolar”.

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Depois do RVCC escolar surgiu então a ideia do RVCC profissional. “No caso dos bombeiros permite o reconhecimento e revalidação de competências, detetar algumas lacunas e uniformizar a formação” indica João Furtado.

Com este processo é possível “elevar a qualificação escolar e dar uma competência profissional reconhecida publicamente, ou seja, uma validação do Estado que é dada através do Centro de Emprego” cabendo à AHBVA o papel de “facilitador e dinamizador da ação”, sendo que esta iniciativa está aberta “a todos os bombeiros” portugueses, embora em Abrantes contem “com os vizinhos que são quem nos ajuda mais vezes”, diz João Furtado.

Nesta medida, a AHBVA, enquanto entidade formadora certificada, assinou um protocolo com o Instituto do Emprego e Formação Profissional de Abrantes e o Instituto Vaz Serra, em Cernache do Bonjardim (ambos Centros Qualifica) para desenvolver o projeto de certificação de competências.

A primeira sessão RVCC profissional, no quartel dos Bombeiros Voluntários de Abrantes, no dia 16 de outubro, foi também a primeira “de uma área muito alargada” refere João Furtado reconhecendo a existência de outras “três ou quatro iniciativas” no País, sendo que a AHBVA “tem vantagem de interlocutor mais válido, por ser entidade acreditada pela DGERT [Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho] e pelo INEM [Instituto Nacional de Emergência Médica]”.

E embora não se trate neste caso de um processo formativo, onde os formandos não aprendem mas demonstraram o que sabem fazer e o que fazem no seu dia a dia enquanto bombeiros ou elementos da Proteção Civil, as competências serão reconhecidas por observação direta de forma individualizada, ou seja por indivíduo, o processo acontecerá por grupos. “Vamos fazer uma avaliação dos candidatos, com necessidades diferentes, e em função das mesmas projetar a formação necessária para chegar aos objetivos pretendidos”, assegura.

Após a primeira sessão os formandos apresentam todos os certificados comprovativos das formações que foram fazendo ao longo da sua carreira de bombeiro que irão ser submetidos à análise de quatro formadores profissionais, os quais, para além de reconhecer e validar as competências operacionais dos bombeiros, poderão dar a formação necessária para completar o referencial do processo.

João Furtado, presidente da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Abrantes e Adelino Gomes, comandante dos Bombeiros Voluntários e Constância

O conceito passa por uma análise de candidato a candidato verificando se o referencial de competências determinado pelo Estado como bombeiro profissional existe e “validar as competências que cada um tem, se estão certificadas, se têm os cursos suficientes e o que não está totalmente preenchido”. Em bom rigor “não é uma formação mas um processo modelar” explica. No entanto, há um limite mínimo de 50 horas de formação complementar que no máximo poderá chegar às 800 horas. Essas horas de formação serão diluídas ao longo do próprio processo que culmina com uma prova perante um júri composto por pessoas estranhas ao mesmo. Terá uma duração média de quatro meses.

Esses avaliadores/formadores são: Adelino Gomes, comandante dos Bombeiros Voluntários de Constância; Carlos Gonçalves, comandante dos Bombeiros Municipais de Tomar; Guilherme Isidro, comandante dos Bombeiros Voluntários de Ourém, ex-2º comandante da Força Especial de Bombeiros (FEB); Cristina Almeida, oficial-bombeira dos Bombeiros Voluntários de Bucelas, licenciada em Psicologia, pós-graduada em Recursos Humanos, a que se juntarão João Furtado presidente da AHVB de Abrantes, Joaquim Chambel, ex-Comandante de Agrupamento Distrital da Proteção Civil e outros avaliadores/formadores.

Desta forma, e antes de irem para o terreno, os bombeiros vêem elevar a sua “valorização pessoal e o reconhecimento oficial das competências associadas aos bombeiros” numa questão individual. A outra do ponto de vista organizacional, acreditam “que nivela e qualifica uma vez que ajuda também a colmar algumas competências não existentes” o que pode fazer a diferença no coletivo de operacionais no terreno, considera João Furtado.

A equipa técnica, que pretende ser multidisciplinar, é constituída por três elementos do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) tendo em conta as três componente do Qualifica. São eles: Pedro Santos, no processo de RVCC, Paula Santos, na formação, e Lurdes Botas, na empregabilidade.

Assim para a qualificação de Bombeiro, nas unidades de competência pré-definidas os formandos terão de saber executar manobras de ordem unida e protocolo, manobras de mangueiras, bombas, escadas, nós e ligações, executar operações de extinção de incêndios urbanos e industriais, manobras de busca e salvamento, extinguir incêndios florestais, executar técnicas de socorrismo, técnicas de desencarceramento, controlar acidentes com matérias perigosas, entre outras.

Já para a qualificação de Técnico de Proteção Civil o formando terá de obrigatoriamente articular planos de ordenamento do território e proteção civil, participar na gestão de situações de emergência, executar programas de sensibilização e informação pública, planear exercícios, monitorizar planos de segurança contra risco de incêndio em edifícios, proceder à análise de riscos e vulnerabilidades, avaliar riscos psicossociais ou utilizar técnicas de análise espacial.

O RVCC Profissional tem assim como objetivo a melhoria dos níveis de certificação profissional dos adultos com 18 ou mais anos de idade que não possuem qualificação na sua área profissional, numa perspetiva de aprendizagem ao longo da vida.
Neste sentido serão realizados dois cursos, um de Nível II e outro de nível IV, de acordo com o Quadro Nacional de Qualificações.

O de Nível II será o de Bombeiro/a (carteira profissional) e tem como requisitos o 9º ano de escolaridade feito. O de Nível IV será o de Técnico de Proteção Civil (carteira profissional) e os requisitos serão o 12º ano completo.

A próxima sessão com a equipa do IEFP está marcada para o dia 30 de outubro.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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