Sexta-feira, Fevereiro 26, 2021
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Abrantes | Vidas Cruzadas junta peritos nacionais em debate sobre os direitos da criança

A Associação Vidas Cruzadas juntou diversos especialistas e cerca de meia centena de profissionais da área da promoção e proteção dos direitos das crianças e jovens na conferência “10 Anos a Cruzar Vidas – Proteger o Presente, Promover o Futuro”. A iniciativa realizou-se esta quarta-feira, dia 29, no Edifício Pirâmide, em Abrantes, pouco depois de conversarmos com Vânia Grácio, presidente da direção desta IPSS.

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Ao longo do dia estiveram em debate a cooperação institucional, a solidariedade, a excelência nos serviços prestados, a dedicação, a tolerância, a inovação e o respeito pela identidade do outro nos painéis “Divisão do mundo familiar em situações de divórcio ou separação. Direitos das crianças, responsabilidades dos pais” e “Olhares sobre a proteção das crianças e mulheres e a proteção dos seus direitos”.

O painel da manhã foi moderado por Hália Costa Santos, diretora do curso de Comunicação Social da ESTA – IP Tomar, e teve como oradores Anabela Quintanilha, mediadora familiar e advogada, Rute Agulhas, psicóloga clínica e forense e investigadora e docente no ISCTE – IUL, e Leonor Valente Monteiro, advogada e membro da Associação Portuguesa de Mulheres Juristas.

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A iniciativa juntou especialistas e profissionais da área social no Edifício Pirâmide. Fotos: mediotejo.net

Paulo Guerra, juiz desembargador e diretor-adjunto do CEJ, e Rui Alves Pereira, advogado e presidente da Associação “A voz da criança”, foram moderados durante a tarde por Patrícia Fonseca, editora da Revista Visão e diretora do jornal digital mediotejo.net.

A conferência que reuniu especialistas de renome nacional na área social, e onde se discutiram as melhores formas de assegurar decisões pensando sempre no “melhor interesse da criança”, foi a forma simbólica da associação assinalar o seu décimo aniversário. Um “marco importante”, segundo Vânia Grácio, que teve como tema o CAFAP – Centro de apoio Familiar e Aconselhamento Parental, por se tratar do primeiro projeto que a Vidas Cruzadas desenvolveu, motivando a partilha de conhecimentos técnicos. “Para que possamos sair daqui com uma motivação maior para fazermos a nossa parte”, referiu.

Maria do Céu Albuquerque, Vânia Grácio e Tiago Leite na sessão de abertura. Fotos: mediotejo.net

Falámos com a presidente da direção e impulsionadora da associação minutos antes do início da conferência e a conversa partiu do número redondo, o 10, que se multiplica pelo número de vidas que se cruzaram na última década. O balanço, diz, é “positivo”, apesar das vicissitudes com que se depararam no início, desde a dificuldade em conseguir uma sede no Tramagal até ao desenvolvimento da atividade, que hoje envolve o espaço no Edifício S. Domingos, em Abrantes.

Um percurso difícil que Vânia Grácio considera ter sido aligeirado com o apoio dos corpos sociais (atuais e antigos), das pessoas que trabalham na associação, dos parceiros e das pessoas da comunidade. A presidente sorri ao concluir: “Costumo dizer que se fosse fácil não era para nós. Prova disso é que estamos aqui hoje com 10 anos ao serviço da comunidade e com trabalho feito para mostrar à própria comunidade que tem valido a pena a confiança que tem depositado em nós e que estamos cá para continuar a trabalhar.”

A área social é “desafiante” e a confiança assume um papel fundamental. A aceitação foi crescendo com o passar dos anos e tentam dar-lhe resposta “todos os dias”, tentando “fazer de uma forma diferente e de uma forma melhor”. Um trabalho desenvolvido com base “na confiança e no respeito pela individualidade de cada um” que passa pela aposta na especialização dos técnicos e na crescente responsabilidade atribuída por parte das entidades parceiras, sem esquecer que a palavra final é “sempre” das pessoas.

Hália Santos moderou o painel da manhã, que iniciou com a apresentação de Anabela Quintanilha. Fotos: mediotejo.net

Vânia Grácio não avança o número de casos acompanhados no concelho de Abrantes na última década, mas situa o valor em “algumas centenas” e refere que a procura tem vindo a aumentar. Não apenas pelo facto das pessoas terem maior conhecimento sobre o tipo de respostas que a Associação Vidas Cruzadas garante, mas também porque essas respostas têm aumentado.

O futuro não é encarado na ótica de uma nova década, optando por destacar o que pretende alcançar a curto-médio prazo: “A intenção de continuarmos a atividade, a consolidar as nossas práticas, a aprofundar conhecimentos e avançar com alguns projetos”, nomeadamente através da criação de novas respostas na área da violência doméstica.

Vânia Grácio impulsionou e preside a IPSS que comemora a primeira década de existência. Fotos: mediotejo.net

Face aos resultados obtidos até à data, o que falta ser feito ao nível do concelho e do país? Vânia Grácio começa por destacar a evolução do tecido social de Abrantes, que engloba o crescimento das entidades envolvidas gerado, em grande parte, pela coordenação de esforços em prol de um objetivo comum. A evolução à escala nacional também é considerada positiva, não deixando de salientar que algumas políticas implementadas pelos decisores políticos “vão correspondendo ao que esperamos, outras nem tanto”.

Os constrangimentos do dia-a-dia fazem com que o resultado nem sempre seja o desejado e a frustração surja. No entanto, revela que aceitou o desafio profissional desde o primeiro minuto devido “à paixão pelo social”, acrescido pela articulação com “outros colegas, com quem aprendemos todos os dias” e a sensação enriquecedora de “chegarmos a casa e sabermos que fizemos a diferença na vida de alguém”.

A sessão de abertura contou com a presença de Vânia Grácio, de Tiago Leite, diretor do Centro Distrital de Segurança Social, e Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara Municipal de Abrantes. O encerramento dos trabalhos foi feito por Sónia Frade, da CPCJ de Abrantes, e Celeste Simão, vereadora com o pelouro da Ação Social do município, que elogiou a capacidade de construir pontes e a perseverança da associação no apoio às famílias que menos têm, no concelho de Abrantes.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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