Abrantes | Tradição pegacha ‘Quarta-feira de Bucho e Tripas’ nomeada para 7 Maravilhas da Cultura Popular

A tradição da Aldeia das Casas Baixas da ‘Quarta-feira de Bucho e Tripas’ é a única candidatura do concelho de Abrantes na eleição às 7 Maravilhas, nesta nona edição dedicada à Cultura Popular. No total, o Médio Tejo soma 32 patrimónios com selo de Nomeado às 7 Maravilhas da Cultura Popular entre os 471 nomeados de norte a sul do País e das ilhas.

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Na categoria de rituais e costumes, trata-se de uma candidatura da Confraria do Bucho e Tripas do Pego com o objetivo de “dar mais visibilidade e divulgar esta tradição pegacha” disso ao mediotejo.net o presidente da Confraria, Manuel Gil. A Confraria do Bucho e Tripas resultou de uma conversa entre amigos que quer preservar a identidade pegacha e proteger pratos típicos da Aldeia das Casas Baixas.

Chegaram a ser mais de 30 as tabernas e casas de pasto onde o petisco era rei no Pego (Abrantes) também conhecida por Aldeia das Casas Baixas. Apesar do decréscimo da oferta petisqueira, a romaria até ao Pego continua e a tradição do bucho e tripas, à quarta-feira, permanece sagrada, desde os tempos em que as leis permitiam que os porcos fossem à faca pelas mãos da população.

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No Pego, a matança acontecia à terça e os bichos, depois de pendurados, eram desmanchados no dia seguinte. Com a modernidade, a tradição foi obrigada a curvar-se à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica e o porco deixou de ser morto em casa. Contudo, a tradição de comer as vísceras, decorrente de tempos de provação, onde a necessidade aguçava o engenho também na gastronomia, mantém-se de pedra e cal, tal e qual a vontade pegacha.

Há ainda quem se lembre da matança acontecer à sexta-feira, por isso o bucho e as tripas também se cozinham ao sábado, sendo, no entanto, uma prática cada vez mais rara e apenas em casas particulares. Tal como rareiam, no Pego, os estabelecimentos onde se serve o famoso bucho e tripa. São três os locais possíveis que encontramos a abarrotar numa qualquer quarta-feira: O Bento, O Pechalha e O Cachucho.

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Entre as iguarias o bucho e a tripa são reis, mas no fundo, a gula serve apenas de pretexto para conviver, conversar, confraternizar e comer bem. Além das entranhas do porco, comem-se enchidos – morcela, chouriço, moura e farinheira -, coração e passarinha que mais não é do que o pâncreas do animal. Os pegachos não desperdiçam e qualquer parte do porco é bem aproveitada.

Com usos, costumes e tradições candidatos a esta edição do concurso estão também representados os concelhos de Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Sardoal, Sertã, Tomar, Torres Novas e Vila de Rei. Nos concelhos limítrofes, igualmente Chamusca e Ponte de Sor apresentaram candidaturas.

Em comunicado, a organização refere ter recebido 504 candidaturas ao seu concurso de 2020, dedicado ao tema Cultura Popular. Depois de avaliadas pelo Conselho Científico, este acabou por atribuir o selo de Nomeado a 471.

Após um Painel de Especialistas eleger sete patrimónios de cada região, a 7 de junho serão apresentados num programa em direto, na RTP1, num total de 140 finalistas, que irão participar nas eliminatórias regionais que se seguem. O Painel de Especialistas é composto por 7 elementos de cada um dos 18 distritos e 2 regiões autónomas.

Esta emissão televisiva acontece com atraso de 1 mês devido aos constrangimentos causados pela pandemia de covid-19, indica a organização.

Também a 7 de junho serão divulgadas as próximas etapas do concurso, que estão condicionadas à evolução da pandemia.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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