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Sexta-feira, Outubro 22, 2021

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Abrantes | Trabalhadores do CRIA preocupados por salários em atraso e futuro da instituição

Cerca de 100 trabalhadores do Centro de Recuperação e Integração de Abrantes (CRIA) manifestaram hoje preocupação com o futuro da instituição dado o pagamento do subsídio de férias e parte do ordenado de outubro estar atrasado.

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Num documento a que a agência Lusa teve acesso, a Comissão de Trabalhadores do CRIA, instituição particular de solidariedade social com sede em Abrantes, no distrito de Santarém, dá conta de que os funcionários foram “recentemente confrontados com graves dificuldades financeiras” que “colocam a instituição num beco aparentemente sem saída”.

Em causa estarão “dívidas de centenas de milhares de euros acumuladas a instituições bancárias, a trabalhadores, com falta de pagamento de subsídio de férias e falta de pagamento do vencimento na íntegra do mês de outubro, e a fornecedores”, lê-se no documento, remetido a todos os partidos com assento parlamentar e às concelhias partidárias.

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Contactado pela agência Lusa, o presidente da direção do CRIA, Nelson Carvalho, confirmou que a instituição “não pagou por inteiro os salários de outubro, num total de cerca de 15 mil euros”, e que tem “em atraso o pagamento do subsídio de férias”, além de “problemas recorrentes orçamentais e de tesouraria”.

Questionado sobre os problemas e o passivo do CRIA, o dirigente associativo apontou para valores “na ordem dos 800 mil euros”, a grande maioria de compromissos bancários, e para um “número excessivo” de funcionários.

Nelson Carvalho defendeu a “necessidade de uma reformulação financeira da instituição, tendo sido já identificadas novas fontes de financiamento, com candidaturas ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social”.

Nelson de Carvalho (ao centro) ladeado por Piedade Pinto e Aníbal Melo, da direção do CRIA. Foto arquivo: mediotejo.net

O presidente do CRIA Carvalho disse ainda não haver previsão de pagamento das verbas em atraso, tendo assegurado, no entanto, que o futuro da instituição não deve ser posto em causa.

“Dizer que o CRIA pode vir a fechar é alarmismo. Uma coisa é passar por dificuldades, outra é dizer que vai fechar”, salientou.

Segundo o presidente da instituição de solidariedade social, do ponto de vista da tesouraria, “está prevista para breve a entrada de verbas por serviços já prestados”, variando a celeridade dos pagamentos consoante a tipologia da prestação de serviços.

“Temos dois tipos de serviços e dois tipos de transferências do Estado, sendo que para um conjunto de respostas sociais o pagamento é automático e para outros serviços, como a formação profissional, só depois da despesa executada é que nós enviamos a despesa, justificamo-la, e vem o seu reembolso uns meses mais tarde”, explicou o responsável do CRIA, notando que este é um desfasamento que cria dificuldades numa tesouraria já de si desequilibrada.

Nelson Carvalho reconheceu que quando a instituição não tem “reservas bastantes, esta situação causa impactos diretos na tesouraria”, considerando que a solução passa por reduzir o número de trabalhadores, embora a instituição esteja “sem dinheiro para as respetivas indemnizações”, e por concretizar as novas fontes de financiamento.

Nelson de Carvalho, presidente da direção do CRIA. Foto: mediotejo.net

O CRIA tem cerca de 200 associados e uma centena de funcionários, 1,5 milhão de euros de orçamento anual e presta serviço a centenas de pessoas com deficiência nos vários concelhos da região do Médio Tejo e limítrofes.

Agência de Notícias de Portugal

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