Abrantes | Trabalhadores da cantina do Hospital em protesto por melhores condições (C/VÍDEO)

Os trabalhadores do refeitório Eurest do Hospital Dr. Manoel Constâncio, em greve

Os trabalhadores do refeitório Eurest, que laboram na cantina do Hospital Dr. Manoel Constâncio, em Abrantes, protestaram esta segunda-feira, 19 de março, contra salários que consideram “miseráveis”. Entre as reivindicações destes trabalhadores contam-se ainda melhores condições de trabalho e respeito pelas categorias profissionais.

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A greve é convocada pela Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (FESAHT), Sindicato da Hotelaria do Sul, da CGTP, iniciando uma quinzena de luta que termina com uma manifestação nacional, em Lisboa, junto à Associação Patronal e ao Ministério da Economia a 04 de abril. Numa greve que rondou os 50% de adesão em Abrantes, os trabalhadores prometem não baixar os braços.

Os trabalhadores do refeitório Eurest do Hospital Dr. Manoel Constâncio, em Abrantes, um dos três hospitais do Centro Hospitalar do Médio Tejo, cumpriram hoje um dia de greve em defesa do contrato colectivo de trabalho no sector e por melhores condições de trabalho naquele espaço.

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A greve registou uma adesão de 50% no refeitório do Hospital de Abrantes, serviço concessionado à empresa Eurest tendo, ainda, algumas trabalhadoras concentrado-se à porta do Hospital com o objectivo de denunciar a situação e alertar os utentes para as fracas condições materiais e imobiliárias do refeitório.

Em causa melhores condições de trabalho, respeito pelas categorias profissionais e aumentos salariais, com as trabalhadoras em greve concentrados em frente aos Hospital Dr. Manoel Constâncio a apontar o dedo às chefias por não terem permitido o protesto daquelas que asseguravam os serviços mínimos.

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A greve convocada pela Federação dos Sindicatos da Hotelaria e Alimentação de Portugal surge na sequência do bloqueio à negociação por parte da associação empresarial que procura implementar a remuneração mínima transversalmente a todo o sector e simultaneamente procura fundir perfis funcionais para que os trabalhadores sejam “pau para toda a obra” classificados com uma única categoria profissional.

Os trabalhadores do refeitório Eurest do Hospital Dr. Manoel Constâncio, em greve

Os trabalhadores em protesto acusam ainda a Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) que “insistiu” na última reunião a 23 de fevereiro último “na retirada de direitos” aos trabalhadores, explicou ao mediotejo.net a dirigente sindical Cristiana Rodrigues.

Nessa tentativa de revisão do Contrato Coletivo de Trabalho a associação patronal propôs “baixar o pagamento do trabalho em dia de feriado de 200% para 100%” o que representaria uma perda média de 27 euros por feriado e 270 euros por ano, “baixar o pagamento do trabalho suplementar de 100% para 50% na primeira hora e 75% na segunda hora; deixar de pagar subsídio noturno das 20h00 às 22h00”, o que representaria uma perda média de 36 euros por mês e 504 euros por ano, indica Cristiana.

A dirigente sindical referiu ainda a “imposição de horários até 11 horas por dia” e o fim “dos quadros de densidades”. Além disso consideram “miserável” a proposta de aumento salarial para 2018 “a colar os salários das cozinheiras e demais trabalhadores aos salário mínimo nacional”.

Face à posição da AHRESP, os trabalhadores em greve recusam aceitar “a retirada de direitos” e exigem que a Associação “negoceie salários justos e dignos mantendo em cima da mesa uma proposta de 9% de aumentos salariais para repor o poder de compra perdido desde 2010”.

Igualmente não aceitam que a empresa “continue a aumentar os salários mais baixos das empregadas de refeitório, distribuição personalizada e preparadoras, apenas por força do aumento do salário mínimo nacional” referindo que os trabalhadores em 2010 recebiam 39 euros acima desse salário de referência.

Os trabalhadores do refeitório Eurest do Hospital Dr. Manoel Constâncio, em greve

Cristiana Rodrigues deu conta “de muitas horas de trabalho” no Hospital de Abrantes bem como de “falta de pessoal”. Da parte da entidade empregadora “são cada vez mais as exigências em as condições mínimas para trabalhar” exemplificando com “a máquina de lavar loiça constantemente a avariar e temos de lavar a loiça à mão”, passando pelas fracas condições das panelas e outros equipamentos de cozinha, e pelos carrinhos de distribuição de comida estarem danificados.

Referiu ainda a existência de distribuição de um serviço por trabalhador com “30 doentes que é a média mas depois verifica-se dois serviços que são 60 doentes. Iniciamos turnos com 4 pessoas e terminamos turnos com 4 pessoas porque há horários de 11 horas”.

Os trabalhadores apontam o dedo à falta de sensibilidade “para resolver as nossas questões, sempre a criar pressão porque se não estivermos bem o olho da rua é serventia da casa. Não temos condições!” garante Cristiana, “muitas vezes com os pés molhados, a respirar vapores e químicos de máquinas sendo no verão um calor infernal”.

Quanto às categorias profissionais Cristiana deu conta de trabalhadores “que têm categoria de empregados de refeitório mas não exercem essa função”. Na prática trabalham como empregados de distribuição “uma categoria com salário mais elevado” admitindo que em Abrantes “todos ganham o salário mínimo nacional sem direito a horas extraordinárias”.

Rui Aldeano, representante do Sindicato da Hotelaria do Sul, explicou que “esta luta foi convocada pela Federação dos Sindicatos da Hotelaria e decorre durante 15 dias, por todo o País em cada local de trabalho com iniciativas diversas” como informação, distribuição de comunicados “para tentar mobilizar mais trabalhadores para a luta, mas também com muitas paragens e concentrações” onde existirem refeitórios concessionados, desde escolas a hospitais.

No distrito de Santarém iniciou-se hoje “sendo importante a luta no Hospital de Abrantes” considerou o responsável. Isto porque representa “um sinal que dá às empresas do setor que pode mudar alguma coisa”.

Para Rui Aldeano “não basta dizer que têm trabalho e que as pessoas não querem trabalhar”. Defende por isso “condições de trabalho para as pessoas. Uma falha grave” existente no Hospital de Abrantes que que segundo diz “penaliza os utentes”. Acrescenta a necessidade de remunerar “decentemente” o trabalho.

“O que observamos é o Estado, os hospitais, as escolas pagam, as empresas metem o dinheiro ao bolso e aos trabalhadores restas-lhes o salário mínimo, no fim de levar descontos é uma miséria que levam para casa com responsabilidades acrescidas que têm nestes locais de trabalho”.

Nesta luta dos trabalhadores das cantinas “está a ser emitido um pré-aviso de greve para cada local de trabalho para que não seja só fazer greve. Importa que os trabalhadores deem a cara depois à porta das instituições”. O objetivo passa também por “responsabilizar quem dirige as instituições” considerando este um dos problemas.

Cristiana Rodrigues lê a moção que foi aprovada por unanimidade. Ao lado o sindicalista Rui Aldeano

“Os diretores hospitalares e escolares não podem fechar os olhos. Têm de saber em que condições é que as pessoas trabalham. No Hospital de Abrantes o chão está danificado, não há uma máquina de lavar loiça para lavar convenientemente a loiça e têm de ser responsabilizados porque a responsabilidade é deles, não é só das empresas que fornecem o serviço”.

Os trabalhadores do refeitório Eurest, em greve, concentrados frente ao Hospital Dr. Manoel Constâncio aprovaram uma moção por unanimidade onde exigem aumentos salariais justos e dignos, que reponham o poder de compra perdido nos últimos 8 anos; respeito pelos direitos dos trabalhadores e condições de trabalho dignas; e negociação do contrato coletivo de trabalho com a manutenção de todos os direitos nele consagrados.

Recorde-se que cerca de dois terços das escolas públicas têm as cantinas concessionadas a empresas privadas e os diretores sublinham que basta faltar um funcionário para as cantinas não abrirem, afetando todo o funcionamento da escola.

Os trabalhadores da hotelaria, alimentação e bebidas iniciaram esta segunda-feira uma quinzena de luta, que começou com uma greve nas cantinas das escolas, empresas, hospitais e serviços do Estado da região centro, em defesa de aumentos salariais e salvaguarda de direitos.

A quinzena de luta que hoje principiou, terminará com uma manifestação nacional junto à Associação Patronal e ao Ministério da Economia a 04 de abril.

Abrantes | Trabalhadoras da cantina do Hospital de Abrantes em luta por melhores condições de trabalho, respeito pelas categorias profissionais e aumentos salariais. A dirigente sindical Cristiana Rodrigues, do Sindicato da Hotelaria do Sul, explica as razões da greve.

Publicado por mediotejo.net em Segunda-feira, 19 de Março de 2018

 

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