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Sábado, Julho 31, 2021

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Abrantes: Todas as palavras que tocam Mafalda Veiga, na primeira pessoa

A digressão de Mafalda Veiga”Todas as Palavras Tocam” faz uma paragem no Cineteatro São Pedro amanhã, dia 26, com o concerto acústico que traz à cidade de Abrantes os sons intimistas da cantautora de “Planície”, “Lume” e “Cada Lugar Teu”. Quisemos saber pormenores da carreira musical com mais de três décadas e quais são as palavras que mais a tocam. Descobrimos tudo, contado na primeira pessoa.

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A digressão “Todas as Palavras Tocam” estreou no Centro Cultural de Belém (CCB) em janeiro de 2014 e percorre o país deste então levando ao público alguns dos temas mais marcantes da carreira musical de Mafalda Veiga. Carreira essa que começou a ganhar forma aos oito/nove anos quando cantava acompanhada pela guitarra portuguesa do tio, Pedro da Veiga, e o pai lhe ofereceu uma viola na adolescência. A prenda foi recebida com “grande surpresa” numa altura em que, segundo Mafalda Veiga, “as coisas que as crianças pediam não apareciam de um dia para o outro” e quando apareciam traziam “um prazer enorme”, sentimento que considera ter-se perdido nos dias de hoje.

O tio ensinou-lhe os primeiros acordes musicais e o primeiro passo para o sucesso estava dado. Nem o desejo de ser pintora, que chegou a materializar com estudos na área artística, suplantou o gosto de escrever canções, descoberto aos 17 anos quando compôs o primeiro tema em português que intitulou “Velho”. Dois anos mais tarde, em 1984, seria esse tema a garantir-lhe o primeiro lugar no Festival da Canção de Silves.

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Estava dado o segundo passo, mas a entrada para o curso de Línguas e Literaturas Modernas na Faculdade de Letras de Lisboa nesse ano acabaria por adiar o início de uma carreira muito “sua” com três décadas e 11 trabalhos discográficos incluídos.

A descendência alentejana, família francesa e goesa e a passagem por Espanha, durante sete anos (1973-1980), refletem-se nos temas da “escritora de canções”, como se apelida, cuja “matéria-prima” reside nas “vivências, lugares, pessoas, experiências e memórias”. Segundo Mafalda Veiga, “tudo o que faz parte da minha vida reflete-se nas músicas, de alguma forma” e o resto do mundo passou a conhecê-la quando um amigo dos pais, António Vacas de Carvalho, quis gravar os temas que a artista andava a escrever.

As primeiras maquetes foram gravadas no estúdio de Ramón Galarza, tendo como técnicos de som Zé Nabo e Zé Carrapa, e despertaram o interesse da editora EMI, com quem gravou “Pássaros do Sul” (1987), “Cantar” (1988) e “Nada se Repete” (1992). A cantora regressa ao estúdio em 1996 e é editado o álbum “A Cor da Fogueira”, pela Strauss.

O ano de 1999, altura em que completou 34 anos, revela-se pleno com o lançamento de “Tatuagem”, concertos esgotados nas principais cidades do país, nomeadamente no grande auditório do CCB (Lisboa) e no Teatro Rivoli (Porto), e o nascimento do filho Tomás. A data é recordada como o seu “Espaço 1999 privado”, em referência à série de culto dos anos oitenta na qual um grupo de astronautas perdidos no espaço vai descobrindo outros planetas e civilizações enquanto tenta regressar à Terra. Para Mafalda Veiga “ser mãe e compor o disco que talvez mais prazer me tenha dado a escrever, foram como encontrar um “planeta” muito meu, onde eu me sentia muito realizada e muito feliz”.

O sucesso do álbum chega além fronteiras e três temas seriam mais tarde utilizados pela Rede Globo nas bandas sonoras de duas telenovelas, uma vertente musical que Mafalda Veiga estreou com a composição de quatro músicas originais para a ficção da TVI (“Olhos de Água”) em 2002.

O disco de platina conquistado em 2000 com o álbum “Mafalda Veiga ao Vivo”, editado pela Valentim de Carvalho, consagra a coautora que, três anos depois, agradece aos fãs com “Cúmplices”, um tema do trabalho discográfico “Na Alma e na Pele”. O vasto clube de fãs não se restringe ao território nacional e recebe com entusiasmo o projeto “Lado a Lado” (2007), com João Pedro Pais, o disco “Chão” (2008) e “Zoom” (2011), o último trabalho discográfico produzido por si e Fred Ferreira (Orelha Negra) com uma abordagem mais eletrónica. O álbum tem ainda a participação de João Barbosa (Lil John, Buraka Som Sistema) em “Largar Mais”, o único tema original.

A vontade de Mafalda Veiga em “usar o piano, a guitarra e sopros com arranjos muito específicos (de Filipe Raposo)” resultou na digressão “Todas as Palavras Tocam”, que chega amanhã à noite ao Cineteatro São Pedro, em Abrantes, pelas 21h30. Segundo a artista, o espetáculo aproxima-se “tanto quanto possível da Poesia” e permite às palavras “serem as protagonistas, terem espaço, liberdade e uma envolvência de som” que potencia “os seus sentidos e a sua força”. Filipe Raposo acompanha-as no piano e no glockenspiel, Lars Arens no trombone e eufónio e Cláudio Silva no trompete e flugel.

O alinhamento do concerto continua no segredo dos deuses, sempre no registo intimista com que Mafalda Veiga habituou os fãs e que está presente no novo álbum que se encontra a gravar neste momento, caraterizado como “um disco muito solar”. Deles, dos fãs, as palavras que mais tocam a artista que se sente afortunada na profissão e na vida são “as que nos ligam, as que nos desarmam perante a força que a música tem para unir as pessoas no que têm de melhor”.

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Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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