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Segunda-feira, Setembro 20, 2021

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Banda do Rossio: 100 anos de música (com áudio)

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A Sociedade de Instrução Musical Rossiense assinala no próximo dia 10 de novembro os seus 100 anos de vida ao serviço da cultura no concelho de Abrantes. A Banda Filarmónica e a Escola de Música são atualmente a expressão máxima da SIMR que, ao longo destes 100 anos, passou por momentos bons e outros mais complicados, mas continua “viva e jovem”.

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Corria o ano de 1915 quando Manuel Martins, João Carlos Lourenço e Fausto dos Santos e Silva decidem fundar a Sociedade de Instrução Musical Rossiense, legalmente criada a 10 de novembro desse ano. A sua primeira sede foi no Largo Peralva, no Rossio ao Sul do Tejo, tendo o industrial João J. Soares Mendes oferecido o primeiro instrumental (conjunto de instrumentos que permitem o funcionamento de uma banda de música)* e auxiliado na construção do coreto que ainda hoje existe naquela freguesia do concelho de Abrantes onde a Banda Filarmónica atuava.

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Em 1946, a sede da SIMR passa para o edifício com dois pisos onde estão até hoje, na Praça da República, no Rossio ao Sul do Tejo, que é doado por D. Zulmira Rosa Alcaravela, em 2002, mas que só passa para o nome da SIMR em 2006, com a efetivação da escritura pública.

Quem entra naquele edifício e sobe ao primeiro andar, respira, em cada canto daquela sala grande, a história da SIMR que se foi construindo ao longo dos últimos 100 anos.

Diogo Lamaroso, 81 anos, é o presidente da direção da Sociedade de Instrução Musical Rossiense desde 2005 e acompanha-nos numa visita àquela sala que se torna numa viagem no tempo, onde são recordados todos os anos de atividade desta Instituição que hoje conta com cerca de 200 sócios e 42 músicos que integram a Banda Filarmónica.

Diogo Lamaroso, atual presidente da Direção da SIMR, gostaria de ver o nome da Sociedade na rua onde está a sede
Diogo Lamaroso, presidente da Direção, gostaria de ver o nome da Sociedade na rua onde está a sede

As paredes daquela sala grande onde se realizam os ensaios da Banda e onde funciona a Escola de Música estão decoradas com fotografias dos músicos de várias épocas, com os galhardetes dos locais por onde a Banda foi passando e com placas de homenagens.

Uma dessas homenagens é à Madrinha da Banda, a benemérita Tereza Pompilho Bueno, que financiou, de 2005 em diante, as obras de recuperação do edifício, ofereceu alguns instrumentos e as camisas e os bonés dos músicos. Por esta ação, Diogo Lamaroso explica que a Sala de Ensaios tem o nome de “Sala Drª Tereza Pompilho Bueno”, apontando para a placa com a data de 5-4-2008 que se encontra naquele espaço, acima da lista emoldurada dos sócios honorários e beneméritos.

Teatro, orquestras, Tuna e Orfeão

Mas não se pense que a Sociedade de Instrução Musical Rossiense foi sempre só a Banda Filarmónica. Ao longo destes 100 anos, da história da SIMR faz ainda parte a criação da Tuna (1926), do Orfeão (1932), de várias orquestras como a “Monumental”, “Rossiense”, “Tejo”, “Melody Band”, “Diabos no Ritmo” e “Baião”, e

Anúncios de peças de teatro pelo Grupo da SIMR (retirados da Revista Comemorativa dos 75 anos de vida da SIMR)
Anúncios de peças de teatro pelo Grupo da SIMR (retirados da Revista Comemorativa dos 75 anos de vida da SIMR)

do Grupo de Teatro, que funcionou entre 1932 e 1973 e que foi sempre bastante ativo com a representação de diversas peças como “Irene” (1932), “O Solar dos Barrigas” (1933), “Mouraria” (1940), “Tio Padre” (1942), “Na Terra dos Patos Bravos” (1942), “A Pastorita” (1944), entre outras. Destaque ainda para as peças de teatro infantil “Zá Zá e os Trinta Botões” (1954), “Escola de Traquinas” e “Na Hora do Recreio” (1973).

No palco do 1º piso do edifício da SIMR onde outrora foram apresentadas e ensaiadas diversas peças de teatro, hoje é um espaço museológico que teve até direito a inauguração, em 2010, pela presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque. “Alguns elementos da Direcção juntaram-se a arranjaram o palco e transformaram-no num Museu com os objetos que estavam espalhados e esquecidos em gavetas”, explica Diogo Lamaroso. Ali podem-se encontrar autênticas relíquias como instrumentos antigos, vários troféus e medalhas, entre outros objetos que fazem parte destes 100 anos de história da SIMR.

Nas paredes da Sala de Ensaios, Diogo Lamaroso destaca a fotografia, que tem mais de 90 anos, da formação inicial de Banda e também um certificado que atesta que a Banda Filarmónica da SIMR, no dia 25 de Março de 2007, “tocou o Hino da Europa em simultâneo com centenas de bandas de música, à mesma hora, foi um evento mundial”.

Ali ao lado estão duas placas de mármore que imortalizam, uma, a visita da Banda da Guarda Nacional Republicana, em 1980, e a outra, a presença naquele espaço da Banda da Força Aérea, em Outubro de 1981.

Ao longo da sua história, conta-se a participação da Banda Filarmónica da SIMR em várias receções oficiais (a membros do governo e individualidades estrangeiras), em atos religiosos, romarias, festas de beneficência, concertos e encontros de bandas, entre outros.

Uma vida dedicada à SIMR

Diogo Lamaroso dedica-se de corpo e alma à direção da SIMR. E não são apenas 10 anos como presidente da Direção, “são mais de 50 anos como elemento das Direções e Comissão de Apoio da Banda”, refere.

Com uma vida ligada à SIMR, quando lhe perguntamos se nunca tocou na Banda, Diogo Lamaroso responde prontamente: “eu só toco às campainhas… para ir pedir apoio para a SIMR”.

Não é por acaso que a dedicação deste homem que tanto tem dado à SIMR está imortalizada numa placa de homenagem que se encontra na Sala de Ensaios, ligeiramente acima da Imagem de Santa Cecília, a Padroeira dos Músicos, e que diz o seguinte: “Homenagem ao Sr. Diogo Lamaroso pela prestimosa lealdade, abnegação absoluta e extrema dedicação. “Deus Quer, o Homem Sonha, a Obra Nasce””, assinada pelos Músicos da SIMR e datada de 5 de março de 2010.

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Diogo Lamaroso recorda que, em 2005, quando tomou posse pela segunda vez como presidente da Direção, a Banda atravessava “momentos de crise”, mas rapidamente a SIMR se tornou “jovem e viva”. O actual Maestro responsável pela Escola de Música é Francisco Lamarosa, que está com Diogo Lamaroso desde 2005. Além de Diogo Lamaroso, da Direção da SIMR atualmente fazem ainda parte Luís Séneca Valamatos (secretário) e José Ribeiro (tesoureiro).

Hoje, a SIMR atravessa uma fase boa da sua história, conta com 42 músicos na Banda e “são mais meninas do que rapazes”, salienta Diogo Lamaroso. “É tudo como uma família”, refere este responsável que refere a existência de quatro gerações na Banda em que “o bisavô e avô foram músicos e atualmente temos cá a continuação da geração com a presença do pai, da mãe e duas filhas”.

E salienta que “quem passa por aqui, nunca esquece”, referindo-se a antigos elementos da Banda que tiveram de seguir com a sua vida para outras localidades mas que “hoje, quando vão ao Rossio, vão sempre visitar a Banda”.

A Escola de Música funciona aos sábados, das 14h às 17h30, e o ensaio geral da Banda acontece todas as sextas-feiras, a partir das 21h.

“A Escola de Música vai continuar e isso não pode parar porque é o que alimenta a Banda”, refere Diogo Lamaroso acrescentando que “não se pode deixar morrer aquilo que os nossos antepassados nos deixaram”.

“Que a Banda chegue ao centenário e que continue por muitos anos”, termina Diogo Lamaroso anunciando que no início do próximo ano irá deixar a Direção da SIMR: “Em Março vai haver eleições e já cá não fico, 10 anos é muita coisa”. Mas, antes de sair, Diogo Lamaroso gostaria de ver concretizado um pedido que já transmitiu à Câmara Municipal de Abrantes: que a rua onde se encontra a sede da SIMR passe a chamar-se “Rua da Sociedade de Instrução Musical Rossiense”.

Comemorações dos 100 anos

Para assinalar o centenário da Sociedade de Instrução Musical Rossiense, a Câmara Municipal de Abrantes inaugura este sábado, dia 7 de novembro, a exposição “Sociedade Instrução Musical Rossiense – 100 Anos a Dar Música” que estará patente ao público até dia 31 de dezembro, na Biblioteca Municipal António Botto.

A inauguração está agendada para as 11h, sendo antecedida por uma arruada no Centro Histórico pela Banda da SIMR, às 10h.

Já no dia 14 de novembro, a SIMR assinala os 100 anos com a realização de uma missa, às 18h30, no Rossio, que deverá contar com a presença do Bispo de Portalegre e Castelo Branco, D. Antonino Dias, após a qual se realizará a Assembleia Geral da Sociedade, seguida de uma confraternização onde não faltarão as castanhas e a água-pé.

No domingo, dia 15, pelas 10h, e se o tempo o permitir, a Banda sairá da sede em direção ao cemitério do Rossio onde será feita uma homenagem aos fundadores, músicos e sócios já falecidos, com a colocação de uma coroa de flores. A Banda da Carregueira, convidada pela SIMR, fará uma arruada pelo Rossio. Às 12h30, realiza-se o almoço na sede da SIMR e às 15h será altura do concerto no Bar Tejo, no Rossio, após o qual a festa continuará na sede da Sociedade.

*feita correção a 9/11/2015, substituindo a palavra “instrumentos” por “Instrumental (conjunto de instrumentos que permitem o funcionamento de uma banda de música)

 

Programa do centenário

As atividades do centenário agendadas para este ano são um encontro de bandas, no próximo domingo, 15 de novembro, e um concerto de Natal, agendado para 20 de dezembro.

A Câmara Municipal de Abrantes associou-se à efeméride com a apresentação da exposição “Sociedade Instrução Musical Rossiense – 100 Anos a Dar Música”, inaugurada a 7 de novembro e que vai estar patente ao público na Biblioteca Municipal António Botto até ao final deste ano, dia 31 de dezembro (2ª feira, 14h-20h; 3ª a 6ª, 9h-20h; Sábado, 9h30-13h).

 

Entrou no mundo do jornalismo há cerca de 13 anos pelo gosto de informar o público sobre o que acontece e dar a conhecer histórias e projetos interessantes. Acredita numa sociedade informada e com valores. Tem 35 anos, já plantou uma árvore e tem três filhos. Só lhe falta escrever um livro.

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