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Terça-feira, Janeiro 25, 2022
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Abrantes | Socialistas rejeitam classificar antigo Mercado como sendo de Interesse Municipal

A maioria do Partido Socialista (PS) inviabilizou esta terça-feira, 20 de março, uma proposta do Bloco de Esquerda (BE) que defendia a classificação de Interesse Municipal do antigo Mercado Municipal, no sentido da sua preservação e requalificação e na “tentativa de travar a demolição” do edifício. A rejeição foi justificada com declaração de voto destacando-se dois pontos: primeiro, “no período de discussão pública do Plano de Urbanização de Abrantes não existiu qualquer participação contra a demolição do antigo Mercado”; segundo, “não se trata de uma obra de raíz da autoria do arquiteto António Varela, não sendo por isso uma obra emblemática”.

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O BE apresentou, hoje, uma proposta de classificação de imóvel de Interesse Municipal relativamente ao ‘Antigo Mercado Diário de Abrantes’. A proposta foi rejeitada pela maioria socialista mas se fosse aprovada e depois de formalizadas as diligências necessárias, o antigo Mercado passava a ser um imóvel cuja proteção e valorização representaria um valor cultural de significado predominante para o Município, evitando a sua demolição.

No âmbito do PUA prevê-se a requalificação do chamado Nó do mercado, uma intervenção que consiste na demolição do antigo Mercado Municipal, para criar um espaço mais amplo na entrada do centro histórico. Foto: mediotejo.net

O edifício do ‘Antigo Mercado Diário de Abrantes’ poderá ser demolido e substituído por um edifício-fronteira entre o Vale da Fontinha e a Avenida 25 de Abril. Esta operação, considerada “estratégica” pela maioria socialista, nomeadamente “pela valorização da relação do Centro Histórico com o Vale da Fontinha e alargamento do espaço público” encontra-se integrada no Plano de Urbanização de Abrantes, sujeito a um período de discussão pública em julho de 2016 e em vigor desde junho de 2017.

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O objetivo da proposta passa por “sensibilizar” a Câmara Municipal de Abrantes (CMA) para o valor arquitetónico do edifício, que contou com intervenções do arquiteto António Varela e do engenheiro civil Jorge de Senna, e “travar” então a demolição do Mercado.

O vereador Bloquista, Armindo Silveira, deu como exemplo o Mercado de Torres Novas que se tornou “um foco cultural muito interessante”. Mas a proposta foi recusada pela maioria socialista, com quatro votos contra e dois a favor.

Reunião de CM de Abrantes
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O vice-presidente João Gomes lembrou que dia 6 de abril decorre uma sessão extraordinária da Assembleia Municipal com o Antigo Mercado em agenda. Os socialistas consideram “prematuro a CMA assumir uma posição e pronunciar-se sobre esta temática, já que foi dada liberdade de discussão em Assembleia Municipal onde todos os partidos podem dar a sua opinião”. João Gomes admitiu “a reavaliação desta posição” na sequência das orientações que resultarem da Assembleia Municipal.

O vereador do Partido Social Democrata (PSD), Rui Santos, aliou-se ao Bloco no voto favorável desta proposta. “Consideramos que a classificação do Imóvel de Interesse Municipal pode ser um mecanismo para a sua não demolição e é sabido que desde a primeira hora o PSD tem-se manifestado contra” a mesma.

Na proposta para classificação de Imóvel de Interesse Municipal, o BE refere a tese de Hugo Nazareth Fernandes, sobre a nova arquitetura, intitulada ‘Hermética da Arquitetura, António Varela e o Legado do Invisível, 2009’ que alude a remodelação do ‘Mercado Diário de Abrantes’. A proposta desvenda ainda quem foram António Varela e o poeta Jorge de Senna defendendo ser “imperial dar uma resposta para preservar o património que foi ‘redesenhado’ por dois vultos maiores do século XX em Portugal”.

Foto: mediotejo.net

Por seu lado, o PS justifica em declaração de voto que “a intervenção de António Varela não é estruturante, por não ter sido criada de raiz para o tecido urbano onde se insere, sobrepondo-se a esta intervenção pontual, aquelas que se referem ao contexto de reabilitação e regeneração urbana atual, as quais são, de facto, estruturantes e relevantes para a cidade”.

Mais acrescenta, observando não ser “uma obra de raiz da autoria do arquiteto António Varela, não sendo por isso uma obra emblemática (representativa) e relevante deste arquiteto, uma vez que a sua intervenção no edifício foi pontual, não reunindo, por esses motivos, valor tipológico como obra sua, de raiz, de referência”.

Inaugurado a 1 de janeiro de 1933 o ‘Antigo Mercado Diário de Abrantes’ foi 15 anos depois alvo de obras de ampliação, reparação e alteração das fachadas e instalação da praça de peixe. O arquiteto António Jorge Rodrigues Varela e o engenheiro civil Jorge de Senna foram os ‘artífices’ da remodelação iniciada em 1948. Uma obra considerada pelo BE como “um legado da história recente de toda a região”.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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