Abrantes | Sindicato acusa loja Continente de praticar “pressão, repressão e assédio” sobre os trabalhadores

Ação de protesto do CESP em frente à loja Continente em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal realizou esta quarta-feira uma ação de protesto em frente ao hipermercado Continente em Abrantes, acusando a direção daquela loja do Grupo Sonae de “praticar pressão, repressão e assédio” sobre os trabalhadores de forma reiterada. A iniciativa teve como objetivo sensibilizar “trabalhadores, clientes e população” para o que se passa na loja de Abrantes.

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O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP) levou a cabo uma ação de protesto e sensibilização na tarde desta quarta-feira, 18 de dezembro, em frente à loja Continente de Abrantes, do Grupo Sonae. O CESP, em forma de denúncia pública, acusa “a direção da loja de praticar pressão, repressão e assédio sobre os trabalhadores, de ter comportamentos repressivos e atitudes impróprias com os trabalhadores, e exercendo pressões e perseguições diárias”.

Ivo Santos, coordenador da direção regional de Santarém e Leiria do CESP, em declarações ao mediotejo.net, disse que “neste local de trabalho, depois de inúmeras denúncias junto do Grupo Sonae, nada foi feito. Há situações de pressão, repressão e assedio moral aos trabalhadores desta loja que nunca foram resolvidas e tem-se mantido ao longo do tempo. Hoje fomos obrigados a vir à loja para que esta situação tenha um fim”.

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O Sindicato fala na pratica de “pressão, repressão e assédio de forma reiterada e com objetivo ou o efeito de afetar a dignidade da pessoa ou criar um ambiente intimidativo, hostil, degradante, humilhante e desestabilizador”.

Acrescenta que tais práticas pretendem “levar à desvinculação ao posto de trabalho através de despedimento voluntário” e ainda que os atos praticados consistem “em ataques verbais de conteúdo ofensivo e humilhantes ou em atos mais subtis, visando diminuir a autoestima da vítima”.

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Ação de protesto do CESP em frente à loja Continente em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Como exemplos o Sindicato dá conta da “utilização de insultos aos dirigir-se aos trabalhadores; falar constantemente aos gritos de forma a intimidar as pessoas; promoção do isolamento social; controlo da ida à casa de banho; desvalorização e desqualificação sistemática do trabalho que é feito; atribuir sistematicamente funções estranhas ou desadequadas à categoria profissional; existência de situações graves de discriminação salarial”, entre outras.

O CESP pretende com a ação de protesto que “termine a pressão, repressão e assédio moral dos trabalhadores” nesta loja. Além disso, vinca que “os trabalhadores exigem respeito e tratamento digno, valorização do seus trabalho e das suas carreiras e qualificações” e pede “aumento de salários de todos em 90 euros” em janeiro de 2020.

Ivo Santos deu conta que o Sindicato “já contactou o Grupo Sonae e não obtivemos resposta para a resolução dos problemas. Consideramos que toda a fase de informação à empresa já foi feita. Todas as situações que se passam nesta loja foram relatadas à empresa através de ofício, a empresa é conhecedora do que se passa”, garante.

Por isso, a ação teve também como desígnio “esclarecer os clientes desta loja do que se passa aqui dentro”. O coordenador do CESP lembrou que “os trabalhadores são a cara da empresa. Tem de estar sempre com boa cara mas por trás daquele trabalhador há toda uma situação de assédio moral que está a ser praticada”.

VEJA AQUI AS DECLARAÇÕES DO SINDICALISTA IVO SANTOS:

Abrantes /Ação de protesto em frente ao hipermercado Continente. Ivo Santos do Sindicato CESP presta declarações sobre as razões do protesto. Trabalhadores acusam a direcção desta loja de pressão, repressão e assédio.

Publicado por mediotejo.net em Quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

A loja de Abrantes recebeu nos últimos dias duas ações inspetivas da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) a pedido do CESP com base numa denúncia de uma trabalhadora, mas o Sindicato desconhece, até ao momento, os resultados. Dá conta apenas que a trabalhadora que fez a denúncia “não foi ouvida”. Catarina Monge, que trabalha no Grupo Sonae há 23 anos, deu conhecimento ao Sindicato da situação na loja há cerca de 7 meses e revela ao mediotejo.net auferir um salário de 625 euros.

“Tenho colegas com 8 anos de serviço que ganham mais que eu”, conta Catarina. Isto porque “um dos critérios para ter direito ao aumento de salário é a avaliação de desempenho, feita internamente, que tem de ser igual ou superior a bom, e as exigências vão mudando constantemente”, explica a dirigente sindical Ana Paula Cruz.

Ação de protesto do CESP em frente à loja Continente em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Para o Sindicato ainda estão em causa outros direitos dos trabalhadores, nomeadamente os salários, salientando que a Sonae/Continente preside à Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição e “recusa negociar a revisão do Contrato Coletivo de Trabalho, com os seus lucros de muitos milhões de euros, pratica baixíssimos salários, mesmo aos trabalhadores com 10, 15, 20 ou 30 anos de trabalho na empresa”, lê-se na denúncia pública que os elementos do Sindicato distribuíam à população que passava em frente à loja.

No Grupo Sonae “temos uma luta bastante grande pela negociação do Contrato Coletivo aplicada às empresas de distribuição, existe uma associação patronal que é a APED da qual a Sonae é presidente e que há 36 meses temos o Contrato em negociação, sem ser revisto. Falamos de salários muito baixos, pouco acima do salário mínimo e agora com a subida do salário mínimo para 635 euros, em 2020, grande parte dos trabalhadores ganharão o salário mínimo nacional” afirma Ivo.

O CESP nota ainda que os trabalhadores do Grupo Sonae “têm horários longos e desregulados, não cumprindo as regras e os direitos dos trabalhadores na organização dos horários de trabalho (pressionou e ameaçou os trabalhadores para aceitarem banco de horas, para lhes aumentar o horário de trabalho ‘de borla’ evitando assim ter de admitir mais trabalhadores ou pagar trabalho extraordinário), trabalhando aos domingos e feriados sem possibilidade de articulação do trabalho com a vida pessoal e familiar”.

O encerramento aos domingos e feriados continua a ser uma revindicação e os horários “são outra luta. São mudados quase diariamente, sem serem afixados como determina o Contrato Coletivo de Trabalho e aos trabalhadores não são comunicadas as alterações com a devida antecedência, 8 dias”, explica ainda Ana Paula Cruz.

O jornal mediotejo.net tentou obter esclarecimentos junto da direção daquela loja do Continente, em Abrantes, mas até ao momento não obteve qualquer resposta.

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