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Terça-feira, Dezembro 7, 2021
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Abrantes | Sim, o azeite pode ser sexy e há que lhe acrescentar valor (c/video)

Arrancou na manhã de sexta-feira o IV Encontro Ibérico do Azeite, evento que vai decorrer até este domingo, dia 12 de março, no centro histórico de Abrantes. Na sessão de abertura, o Secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luís Medeiros Vieira, realçou o salto quantitativo e qualitativo das exportações e da afirmação da agricultura nos mercados internacionais, indicando que a agricultura do futuro tem que ser cada vez mais profissional, orientada para o mercado, focada nas exigências dos consumidores. Este sábado, Elizete Jardim, da Direção Regional de Agricultura, realçou a importância de “acrescentar valor” ao produto, e Paulo Pereira, CEO da Renova, que falou sobre o quão o azeite pode ser sexy, fecharam o simpósio técnico com chave de ouro.

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Já Maria do Céu Albuquerque, presidente da CMA, em balanço a estes dois dias, disse acreditar que Abrantes estará perto de alcançar o título de Capital do Azeite, ainda que reconheça que isso acresce a responsabilidade no desenvolvimento deste projeto. O Encontro “está para ficar”, regressa dentro de dois anos, mas para já pretende-se consolidar a aliança ibérica, podendo eventualmente no futuro alargar-se a “malha”, abrindo portas a outros países.

Paulo Pereira da Sila, Ceo da Renova, e Elizete Jardim, da Direção Regional de Agricultura, defenderam que o azeite “é sexy” e que “há que lhe acrescentar valor”, tendo fechado com chave de ouro o Simpósio do Azeite 2017. Foto: mediotejo.net

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“Abrantes tem todas as condições para produzir um azeite de muito boa qualidade, portanto, se ele é um azeite bom, se é um azeite que tem qualidade e se ele também é sexy, ele que seja valorizado por isso”, destacou Elizete Jardim, da Direção Regional de Agricultura, tendo vincado que o seu foco “é na necessidade de acrescentar valor ao produto”.

Antes, Paulo Pereira da Silva, CEO da Renova, e com afinidades familiares a Alferrarede, havia dissertado sobre o quão o azeite pode ser sexy. “Pode o azeite ser sexy?, questionámos, tendo Paulo Pereira afirmado: “pode, não! Ele é sexy. E como tal tem de ter a roupagem adequada a esse perfil”, incentivou, perante o olhar atento dos presentes e também de Maria do Céu Albuquerque, presidente da autarquia, que considerou o simpósio “claramente positivo” na estratégia de afirmação e promoção deste produto endógeno, e tendo anunciado o regresso da V edição do Encontro Ibérico do Azeite para 2009..

Na sessão de abertura, o secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luís Medeiros Vieira, fez um balanço quanto ao setor da produção do azeite, em declarações à comunicação social, frisando que na última decáda “Portugal acordou para este setor”.

“Neste momento, podemos dizer que a produção quase quadruplicou e as exportações quase multiplicaram por 3. Tendo atingido cerca de 434 milhões de euros do valor de exportação, tornando Portugal o 7º produtor a nível mundial e o 4º exportador também a esse nível”, enumerou.

Segundo o governante, “isto mostra claramente que foi possível dar a volta, através de iniciativa das empresas, e ao mesmo tempo das políticas públicas. O PRODER permitiu a aprovação de 4000 projetos no setor do azeite, com um montante de 700 milhões de euros, no qual foram alocados apoios da ordem dos 300 milhões”, disse

O PDR 2020, programa neste momento a decorrer de apoio à agricultura, aprovou já, neste setor, 533 projetos num montante de 144 milhões de euros de investimento, com apoio na ordem dos 70 milhões de euros, deu conta Luís Medeiros Vieira, acreditando que “há uma dinâmica que continua e mostra que é possível, no ano 2020, atingirmos as 120 mil toneladas, que é o objetivo que pretendemos atingir”.

Num setor onde a região do Alentejo se destaca, detendo 76% da produção nacional, o Secretário de Estado acredita que tal se tem devido ao conhecimento, inovação, tecnologia trazidos, o que associado às políticas públicas de investimento, permitiu altos níveis de produtividade.

Portugal tem caraterísticas que permitem que existam “bons produtores, quer em termos de quantidade, quer em termos de qualidade, o mercado existe para todos os tipos de produtor, para os de grande e pequena escala”, reconheceu.

Desta feita, os produtores, em especial os produtores de nicho, têm de procurar dar resposta às exigências dos consumidores, “no sentido de permitir garantias de rendimento a olivais de tradicional mas de grande qualidade, onde é possível produzir um produto diferenciado e com maior valor acrescentado”.

Este é o desafio, segundo o governante, para regiões como Abrantes, que “tem azeites de excelente qualidade e que certamente está a fazer-se um trabalho extremamente notável quer em termos de produção, quer em termos de melhoria da qualidade”

As tendências de mercado de consumo “são boas”, e a julgar pela dieta mediterrânica e a alimentação saudável associada ao consumo do azeite, é necessário “continuar a divulgar quer junto das escolas de turismo, junto dos nossos jovens, efetivamente para dinamizar o consumo, penso que é possível cada vez mais afirmarmos não só o produto no mercado doméstico, mas também nos mercados internacionais”, insistiu.

Já a agricultura do futuro, passa por ser “cada vez mais profissional, orientada para o mercado, focada no consumidor, que responda às exigências dos consumidores”, uma vez que na atualidade “os consumidores exigem produtos seguros, saudáveis e nutritivos e a nossa agricultura tem que dar resposta a essas exigências. E colocarmos no mercado sempre os produtos de acordo com o perfil da procura, aquilo que o consumidor quer e não sempre aquilo que achamos que é bom produzir. Temos que orientar a nossa produção para o mercado”, acautelou o governante.

“Foi esta orientação da produção para o mercado que levou a este salto quantitativo e qualitativo das nossas exportações e da afirmação da nossa agricultura nos mercados internacionais”, terminou.

Luís Medeiros Vieira, Secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, reconheceu que Portugal “acordou” para o setor do azeite na última década. Foto: mediotejo.net

O azeite em todas as suas dimensões e aplicações em destaque nesta edição

Já Maria do Céu Albuquerque, autarca abrantina, fez um balanço positivo desta 4ª edição do Encontro Ibérico do Azeite “pelo nº de participantes” e “pelas entidades portuguesas e espanholas envolvidas”.

Segundo a autarca, a aposta passa por “reforçar um produto endógeno, a fileira do azeite com tradição milenar aqui em Abrantes, com forte impacto na economia local, regional e nacional também, e é isso mesmo que queremos afirmar e reforçar”.

Neste Encontro é explorado o azeite “em toda a sua dimensão, em todas as suas aplicações seja ao nível da produção, transformação, da comercialização e da sua própria utilização, seja por via da gastronomia, do turismo e é com isso que nós esperamos também ajudar a incrementar a economia local e a economia nacional”, explicou.

A realização do evento insere-se também numa estratégia de sustentabilidade que vai ao encontro da estratégia de regeneração urbana que tem sido implementada pela câmara municipal. Nesse sentido, o evento foi trazido “para dentro do centro histórico, para o Cineteatro S.Pedro, o ex-libris para a organização do Simpósio”, esclareceu.

Em estreia, toda a parte expositiva, de lazer e degustação acontecerá dentro do Castelo de Abrantes; Maria do Céu Albuquerque entende que se devolve o Castelo ao cidadão abrantino e também aos visitantes, tratando-se de património nacional, “é o monumento mais visitado em Abrantes”, acrescentou.

Foto: mediotejo.net

Abrantes poderá vir a ser reconhecida como Capital do Azeite?

Para a autarca esse reconhecimento terá de partir de fora, uma vez que é seu entendimento que não deva ser a cidade a auto-intitular-se. “Essas designações aparecem naturalmente, a partir de um trabalho que tem que ser feito. Aquilo que queremos valorizar é toda a fileira do azeite, e que Abrantes seja reconhecida mais do que pela quantidade, porque todos sabemos que o problema do nosso país é a produção em quantidade dada a nossa dimensão também, mas na qualidade, porque sabemos que existem mercados-alvo, mercados gourmet, espalhados pelo mundo inteiro”.

Nesse sentido, há ainda um percurso a fazer, fazendo notar a autarca que “é esse esforço que queremos continuar, queremos ser reconhecidos por ter boa qualidade do azeite, e com isso conseguirmos acrescentar valor à economia familiar, local e à economia do país. (…) Os títulos… hão-de vir e são os outros que nos hão-de dar e não nós (…) Acho que já estivemos mais longe de atingir esse reconhecimento”, concluiu.

“Enche-nos com algum orgulho, mas com uma responsabilidade cada vez maior de continuarmos a trabalhar afincadamente para a valorização desta fileira”, frisou.

A iniciativa é “para continuar”, e continuará sob a forma de encontros bianuais, para que se aglomere matéria e para que haja “tempo de preparar as coisas, preparar bem, e com isso fazermos este percurso que leva à consolidação deste setor em Abrantes, em Portugal, e no fundo trazer temas, discussões, trazer exposições que sejam elas também catalisadoras e atrativas para os diversos públicos a quem queremos chegar”, justificou.

Para já o encontro continuará a ser limitado a esta parceria ibérica, uma vez que entende a CMA primar por “encontros sustentáveis. Começámos mais virados para dentro, para reforçar a identidade, neste momento, a presença ibérica já é muito forte, vamos consolidar e depois vamos criar condições para podermos ir alargando a malha deste trabalho que estamos a fazer”.

O IV Encontro Ibérico do Azeite continuará a decorrer até domingo, com dois momentos, o Simpósio Técnico no Cineteatro S. Pedro, e o Fórum do Azeite, a decorrer no Castelo de Abrantes, com várias atividades de degustação, programação musical, showcooking e workshops.

O Simpósio Técnico, um dos pólos deste Encontro Ibérico, arrancou esta manhã no Cineteatro S. Pedro, em Abrantes, e terminará amanhã ao 12h30. Foto: mediotejo.net

C/Mário Rui Fonseca

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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