Abrantes | Roteiro das Oliveiras arranca em Mouriscas com colocação de sinalética

Colocação das primeiras sinaléticas do Roteiro das Oliveiras pela ACROM, em Mouriscas. Créditos: mediotejo.net

Arrancou na quarta-feira, 29 de janeiro, a colocação e apresentação das primeiras sinaléticas do Roteiro das Oliveiras pela ACROM, em Mouriscas. Alguns acessos à Oliveira do Mouchão, a mais antiga de Portugal, foram os escolhidos pela Associação Cultural das Rotas de Mouriscas e pela Junta de Freguesia, parceiros neste processo.

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Mais de cem oliveiras plantadas nos terrenos de Mouriscas (Abrantes), ainda que sem certificação de idade, estimando-se que sejam centenárias ou mesmo milenares, originaram um rota temática. Entre elas a Oliveira do Mouchão, a árvore certificada mais antiga de Portugal com 3350 anos, classificada de interesse público.

Estas árvores vão integrar um novo percurso turístico designado Roteiro das Oliveiras, que a Associação Cultural das Rotas de Mouriscas – ACROM calcula estar concluído dentro de seis meses. Na quarta-feira ocorreu a colocação da primeira sinalética identificando precisamente a Oliveira do Mouchão, em Cascalhos.

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Colocação das primeiras sinaléticas do Roteiro das Oliveiras pela ACROM, em Mouriscas. Créditos: mediotejo.net

Ainda sem informação de quais as árvores “centenárias e quais serão milenares” o Roteiro avança com essa ressalva. Isto porque tal certificação “implica um investimento elevado” que a ACROM não consegue suportar, diz ao mediotejo.net António Louro presidente da Associação. Apontando a Oliveira do Mouchão lembra que a certificação da árvore mais antiga de Portugal rondou “cerca de mil euros”.

Ainda assim, na zona predominante do olival antigo de Mouriscas, em Cascalhos, “temos muitas oliveiras, todas alinhadas, muito antigas. E também de forma mais dispersa, por toda a freguesia, muitas outras potencialmente milenares”, refere.

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Segundo António Louro “o objetivo principal da ACROM é preservar essas espécies porque, ainda hoje, são abatidas para lenha”. O grupo mantém a esperança que “com a criação deste Roteiro as pessoas comecem a ter alguma sensibilidade e evitem destruir este património cultural da freguesia”.

Após um “levantamento exaustivo” sobre o número de árvores a entrar no Roteiro, a ACROM contabilizou cerca de uma centena de oliveiras com uma “longevidade muito acentuada”. António Louro desconhece, neste momento, se o Roteiro poderá integrar todos os exemplares assinalados .

Explicações que se prendem com a propriedade privada quer das árvores quer dos terrenos circundantes. “Se os seus proprietários disserem que não querem sinalética de identificação ou que não permitam as visitas pois ficarão fora do Roteiro”, nota. Para tal, a ACROM irá firmar com cada um dos proprietário “um protocolo que permita a colocação de sinalética. Já temos protocolos firmados. Penso que levaremos cerca de meio ano com este processo”.

Contudo, atualmente a ACROM já conta com “pré-acordos com vários proprietários que se mostram interessados em ter as suas oliveiras no Roteiro. Há neles um certo orgulho”. Por isso, António Louro crê que nunca primeira fase “vamos conseguir chegar facilmente a 50 oliveiras e depois mais tarde com o desenrolar do processo iremos conseguir incluir mais algumas”.

Colocação das primeiras sinaléticas do Roteiro das Oliveiras pela ACROM, em Mouriscas. Créditos: mediotejo.net

Esta quarta-feira, numa cerimónia simbólica a ACROM e a Junta de Freguesia de Mouriscas, parceiros neste processo – a Associação estabeleceu um protocolo com a autarquia para o seu desenvolvimento – colocaram no terreno três prumos de madeira com sinalética relativa à Oliveira do Mouchão. “Um ícone, o ex-libris de Mouriscas, uma mais valia para a freguesia e para o Roteiro” considera.

Mais tarde, o Roteiro merecerá “publicações, folhetos, comunicações. Trata-se de um Roteiro feito para ser visitado, as oliveiras serão georeferenciadas, portanto quem quiser dar os seus passeios pode seguir as coordenadas. Cada oliveira irá ter pelo menos uma placa de sinalética. A do Mouchão terá mais porque há muitos caminhos circundantes” explica.

Assim, “cada oliveira terá as suas coordenadas geográficas que constarão num mapa, com numeração, e as pessoas poderão seguir o circuito”. Os folhetos serão depois distribuídos por “vários locais. Podem ser encontrados nomeadamente nas instalações da ACROM e na Junta de Freguesia” indica António Louro.

Acrescenta que também a Rota cultural e etnográfica das ribeiras da Arcês, Rio Frio e Rio Tejo, uma grande rota de três concelhos “terá sinalética a indicar a Oliveira do Mouchão”.

Quanto ao investimento, cada prumo de madeira instalado custa à ACROM “cerca de 20 euros, com a sinalética, sendo o trabalho voluntário, no total, mais os flyers, rondará os 2500 euros” indica. Montante suportando pela ACROM com o apoio do programa municipal FinAbrantes. “Apresentamos candidaturas e iremos ser apoiados. E portanto, a colocação da sinalética vai evoluindo com a capacidade financeira disponível em cada momento” refere..

António Louro fez notar que o património natural de Mouriscas não se fica pelas oliveiras apontando para um eucalipto rosa, uma árvore enorme de copa redonda. “Vamos estudar melhor o assunto porque se houver a possibilidade de identificar mais algumas árvores, podemos incluir outras espécies” apesar da árvore dominante ser a oliveira.

Oliveira milenar do Mouchão, em Mouriscas, é a árvore mais antiga de Portugal. Foto: mediotejo.net

O Roteiro das Oliveiras – ou Rota das Oliveiras Milenares/Centenárias – é então dedicado ao património privado e público (Oliveira do Mouchão) existente em Mouriscas. Recorde-se que a oliveira milenar é agora propriedade da Junta de Freguesias de Mouriscas, doada à autarquia por Ermelinda Marques.

Árvore património nacional classificado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) identificaram a “Oliveira do Mouchão” como a mais velha em Portugal.

Para Pedro Marques, presidente da Junta de Freguesia de Mouriscas, “é um prazer estar em parceria com a ACROM, entidade com a qual assinámos um protocolo” dá conta. Acredita ser este Roteiro capaz de criar “uma dinâmica interessante. Temos a oliveira milenar já com alguns projetos. Este é um projeto que apoiamos e que é fundamental para dar a conhecer a nossa freguesia. É muito importante a sinalética, toda a informação porque muita gente vem visitar a nossa oliveira, o nosso ADN e as nossas raízes” mourisquenses.

Colocação das primeiras sinaléticas do Roteiro das Oliveiras pela ACROM, em Mouriscas. Créditos: mediotejo.net

Junta de Freguesia sem direito à imagem da Oliveira do Mouchão

Por seu lado, André Cadete aproveitou o momento para agradecer a Ermelinda Marques a doação da Oliveira do Mouchão à Junta de Freguesia que realizou a escritura pública oficializando o ato em 2019.

Lembrou que antes da Oliveira ser propriedade da autarquia “alguns trabalhos” de preservação da Oliveira foram realizados, considerando que foram assinados “protocolos não da forma mais legal. Neste momento está tudo legal, e o único protocolo que a Junta de Freguesia firmou foi com a ACROM, para a sinalética e o uso da Oliveira como referência” sublinhou.

Mencionou a existência de “outros nomes que ainda estamos a tentar esmiuçar como vieram parar” às placas de identificação junto da Oliveira, referindo-se à empresa Ourogal. Deu conta do contacto da Junta de Freguesia com o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas “há um mês e meio. Sei que há uma carta do ICNF de Lisboa que foi passada para o ICNF de Santarém, que chegará entretanto à Junta, com alguma informação preciosa em relação a esta questão”.

Placas com as devidas certificações da oliveira do Mouchão, Mouriscas. Créditos: mediotejo.net

Isto porque a Ourogal comprometeu-se, num passado recente, a cuidar da árvore de 3350 anos e foi a empresa que patrocinou a intervenção da sua preservação, acordando até com a Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes, situada em Mouriscas, que as intervenções na Oliveira do Mouchão fossem realizadas por alunos dessa escola.

A empresa de azeite pretendia ter o direito de usar a imagem da Oliveira no processo de internacionalização da marca. Direito esse que a lei não estabelece como pertença do proprietário, no caso a Junta de Freguesia de Mouriscas. André garante a inexistência de “legislação que proteja o direito de imagem da Oliveira. Pode vir a Mouriscas uma marca qualquer tirar uma fotografia e usá-la”.

Por isso, a autarquia desenvolve agora um trabalho no sentido de proteger a Oliveira milenar incluindo na questão de ter direito ao uso da imagem daquela árvore. André Cadete lembrou que aquando da assinatura de anteriores protocolos “a Junta nem sequer era proprietária da Oliveira”.

Ermelinda Marques “havia doado a Oliveira do Mouchão à Junta de Freguesia de Mouriscas no mandato do anterior executivo, mas nada estava oficializado”, explicou o presidente da Junta, Pedro Matos ao mediotejo.net em março de 2019, data em que oficialmente a Junta passou a ser proprietária da oliveira mais velha do País e possivelmente da Península Ibérica.

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