Abrantes: “Ritmos de mudança” debateram modelos para um mundo melhor

Foto: Pixabay

Exemplos de economia solidária e de finanças éticas afirmam-se como modelos alternativos no II Encontro Cooperativo em Abrantes, “Ritmos de Mudança”

Valores, ética, confiança, transparência foram termos ouvidos repetidamente no sábado em Abrantes. Um dia inteiro passado com gente que faz/constrói um modelo de sociedade diferente, que não se impõe mas se oferece como alternativo, afirmando que é possível ao cidadão escolher. E, como ficou patente nas diversas intervenções, o que este modelo oferece não é uma escolha passiva. É uma opção que implica envolver-se, participar.

Foi um dia, “fechado”, com um “bailarico na cidade”, em que se falou de Finanças Éticas e Solidárias, de Formas Alternativas de Produção e Gestão de Energia – duas áreas que contaram com relatos sobre a experiência espanhola –, de Permacultura e Transição, mas também de como a multiplicidade de projetos e de vivências desta realidade crescente continuam fora dos noticiários. Numa lógica de que “não se fala… não existe”.

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Com iniciativas que se estenderam desde a tarde de sexta-feira, 01 de julho, até ao final do dia de domingo, tanto no interior da Escola Superior de Tecnologias de Abrantes (onde decorreram os debates, muito participados, diga-se), como nos largos do centro histórico de Abrantes, esta foi a segunda edição do “Encontro Cooperativo” promovido pela Cooperativa Verdeperto, que tem sede em Rossio ao Sul do Tejo.

(da esq. para direita) André Freire, presidente da Cooperativa Verdeperto, Luís Dias, vereador do desporto e cultura da autarquia de Abrantes, e Roque Amaro, professor e vice-presidente da RedPES, na cerimónia de abertura do encontro "Ritmos de Mudança" (Foto: mediotejo.net)
(da esq. para direita) André Freire, vice-presidente da Cooperativa Verdeperto, Luís Dias, vereador do desporto e cultura da autarquia de Abrantes, e Roque Amaro, professor e vice-presidente da RedPES, na cerimónia de abertura do encontro “Ritmos de Mudança” (Foto: mediotejo.net)

Sob o tema “Ritmos de Mudança”, o primeiro dia foi dedicado a apresentar exemplos de Economia Solidária em Portugal, com momentos de “World Music”, à tarde, e um espetáculo no Jardim da República, à noite, tendo funcionado, ao longo dos três dias, uma “Feira Social e Solidária”, com artesanato, produtos locais e exposições, nos claustros do Convento de São Domingos.

No domingo, falou-se de Agricultura, Alimentação e Soberania Alimentar, de Associativismo, Voluntariado e Desenvolvimento Local e de Turismo, Educação e Lazer – Integração Multidisciplinar, com uma visita guiada a um projeto.

Reconhecido pela ONU como “inovador na erradicação da pobreza”, o setor cooperativo assiste em Portugal a um ressurgimento, muito devido às dificuldades económicas e sociais derivadas das crises dos últimos anos.

Na maioria iniciativas ligadas ao setor agrícola mas também “multissectoriais”, sociais e culturais, e dinamizadas sobretudo por jovens, as cooperativas enfrentam dificuldades como a pouca participação cívica que caracteriza a sociedade portuguesa, além dos hábitos de trabalho em estruturas hierárquicas, com dificuldade de adaptação a um modelo que funciona num regime aberto e democrático.

O setor conta ainda com outra dificuldade, a do financiamento, por não se enquadrar nos padrões definidos pela banca tradicional e por em Portugal não existirem ainda bancos éticos nem sistemas parabancários, como já acontece em outros países, como Espanha.

Foto: Cooperativa Cultural Persona
Um dos debates do encontro, no Convento de São Domingos, em Abrantes. Foto: Cooperativa Cultural Persona

Fabrice Genot, da associação CELTUS – Sustentabilidade e Fraternidade nas Relações Económicas, relatou o percurso feito em Portugal nesta área e as dificuldades criadas pela legislação das instituições financeiras, que não tem permitido avançar para o financiamento a partir das próprias cooperativas, como já acontece em Espanha.

O exemplo da Coop57, uma cooperativa de serviços financeiros criada em 1995 em Barcelona para conceder empréstimos a projetos de economia social e solidária, foi apresentado por Núria del Rio num painel intitulado “a outra face da moeda – alternativas de financiamento do terceiro setor: as finanças éticas e solidárias”.

Esta segunda edição do Encontro Cooperativo foi realizada em parceria com a Rede Convergir, Moving Cause, meditoejo.net, Federação das Associações Juvenis do Distrito de Santarém (Fajudis), Rede Portuguesa de Economia Solidária (RedPES), Coopérnico, Cooperativa Cultural Persona, Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local, Socialcoop, PlataformaFES, Meganimação e Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior (TAGUS), tendo contado com o apoio da autarquia e de instituições como o Montepio Geral, a Cooperativa António Sérgio para a Economia Social, o Instituto Marquês Vale Flor e a organização internacional “COSPE – Juntos para a Mudança”.

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