Abrantes | Reunião de Câmara marcada pelos incêndios e voto de louvor a “soldados da paz”

A Câmara Municipal de Abrantes aprovou, esta manhã em reunião de executivo, um voto de louvor a todos os soldados da paz que lutaram para combater a violenta vaga de incêndios que atingiu, entre os dias 9 e 13 de Agosto, o concelho de Abrantes, bem como um agradecimento no sentido de reconhecer aqueles que “de forma solidária e altruísta, colocaram os seus recursos e meios ao serviço da comunidade”. Ambas as propostas de deliberação contaram com a abstenção da vereadora do PSD.

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“É pois, com um sentimento de gratidão profunda e de penhorado agradecimento que a Câmara Municipal de Abrantes, reunida em 22 de Agosto de 2017, aprova um voto de louvor prestando assim a sua homenagem e o seu reconhecimento público a estes verdadeiros soldados da paz que, em circunstâncias extremas, lutaram incansavelmente na salvaguarda de pessoas e bens e na defesa do nosso bem comum”, destaca a proposta apresentada pela presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque, reconhecendo “árduo empenho e profissionalismo das centenas de homens e mulheres que, no teatro de operações, lutaram para combater este violento flagelo”.

Relembra que “também no dia 16 de Agosto” o concelho foi atingido na freguesia de Mouriscas por um novo incêndio. O incêndio de Mação.

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O voto de louvor termina destacando o papel de “todos, sem exceção” referindo que “a Comunidade Abrantina não esquecerá. A Vossa coragem e altruísmo foram o ponto de luz que nos guiou. A esperança que nos reconfortou”. Às populações atingidas, a Câmara Municipal “manifesta a mais profunda solidariedade e total disponibilidade para minimizar e superar os efeitos deste flagelo”.

A Câmara Municipal reconheceu ainda e agradeceu “a todas as entidades, que, de forma solidária e altruísta, colocaram os seus recursos e meios ao serviço da comunidade”.

Ambas as propostas de agradecimento e de louvor, aprovadas por maioria, contaram com a abstenção da vereadora do Partido Social Democrata, Elza Vitório, justificadas através de duas declarações de voto.

A vereadora do PSD, Elza Vitório

Manifestando “total solidariedade para com as populações que passaram por grandes momentos de angústia e desespero na sequência dos incêndios” que devastaram o concelho, e “gratidão” para com os bombeiros “que, no terreno, põem a sua vida em perigo”, a vereadora do PSD disse discordar dos termos em que o voto de louvor é formulado na proposta de deliberação por, e passamos a citar:

“Excluir populações do concelho e entidades que, embora em momento diferente deste Verão, também foram castigadas com violentos incêndios” e ainda “porque a forma como o voto de louvor é formulado coloca no mesmo patamar um conjunto muito díspar de entidades com responsabilidades de natureza de intervenção”.

Acrescenta que “tratar de igual forma quem participou no combate no exercício de funções profissionais e quem fez de forma voluntária, desinteressada, altruísta e genuinamente solidária não parece adequado” ao PSD. “O profissionalismo – e a correspondente capacidade de resposta e a competência que ele implica – é exigível e não propriamente digno de louvor”, conclui. Além disso, considera não ter passado “tempo suficiente para avaliar e apurar responsabilidades”.

No mesmo sentido foi a abstenção em relação à proposta de agradecimento.

O munícipe Pedro Morais, morador em Chaínça

Para além da comunicação social e candidato da CDU à Câmara de Abrantes, assistiu à reunião o munícipe Pedro Morais, morador na Rua do Vale, Chaínça, que pediu a palavra para tecer críticas à gestão autárquica sobre os incêndios que lavraram em Abrantes, tendo criticado, nomeadamente, “falhas de coordenação, comunicação e de limpeza”

O cidadão abrantino referiu ter enviado e-mails, SMS e feito telefonemas para várias entidades, como a EDP, autarquia, governo, SMA, entre outros, lamentando ter ficado “praticamente sem respostas” de ninguém. “Só uma entidade estatal veio limpar as ervas que denunciei estarem a fazer perigar pessoas e bens. Mas veio e só limpou a parte que me pertencia. Tudo o resto ficou na mesma”, criticou, tendo feito notar que enviou um documento com sugestões para a área ambiental para os municípios de Mação e Sardoal.

A presidente de Câmara de Abrantes, Maria do Céu, registou as observações e lamentou que o mesmo documento não tivesse sido enviado para o concelho onde reside.

Maria do Céu Albuquerque garantiu terem sido “momentos muito difíceis” e lembrou que “a competência da limpeza é dos proprietários dos terrenos” acrescentando que “compete à GNR fazer o trabalho de fiscalização e de eventual tomada de medidas para evitar que o pior aconteça”.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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