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Quarta-feira, Outubro 20, 2021

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“Abrantes respira Educação”, diz secretário de Estado na audição do Curso Básico de Música da Manuel Fernandes

Os alunos do Curso Básico de Música do Agrupamento de Escolas n.º 2 de Abrantes apresentaram à comunidade a audição final do 1º período do ano letivo 2018/2019 no auditório da Escola Dr. Manuel Fernandes, na noite de terça-feira. A iniciativa contou com a presença do secretário de Estado da Educação, João Costa, que bem disposto, disse estar prestes a pedir “cidadania honorária” à cidade, tendo feito notar que “Abrantes respira Educação”.

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Foram 146 os alunos no Curso Básico de Música do Ensino Artístico Especializado da Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes (ESMF), em Abrantes, que subiram ao palco para mostrar o trabalho desenvolvido na escola. Desta vez também as classes de coro passaram pelo auditório. Tal como os alunos que tocam instrumentos de orquestra, aliás a audição final do 1º período do ano letivo 2018/2019 terminou precisamente com a Orquestra Sinfónica do Liceu interpretando peças de James Swearingen, Jeremy Bell e Georges Bizet.

Abrantes / Audição Curso Básico de Música da Escola Secundária dr. Manuel Fernandes. Coro do 7.A

Publicado por mediotejo.net em Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018

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O final deste período, que encerra para as festividades natalícias, foi assinalado na terça-feira, 11 de dezembro, com o resultado do trabalho desenvolvido por alunos e docentes da ESMF “em dois meses e meio”, notou o diretor do Agrupamento de Escolas nº 2 de Abrantes, Alcino Hermínio. Numa noite de bons sons, a comunidade abrantina, que lotou completamente o auditório com 300 lugares, pôde assistir a mais um momento marcante e singular proporcionado pelos seus filhos, educandos, netos, sobrinhos ou amigos que frequentam o Curso Básico de Música, já no seu quinto aniversário.

A suavidade própria da quadra natalícia reinou no repertório escolhido para apresentar ao auditório onde se encontra, desta vez, o secretário de Estado da Educação, João Costa, para escutar o talento dos miúdos que arriscaram estudar um instrumento no curso de música dirigido pelo professor José Horta e desenvolvido pelos docentes da ESMF.

Seja pela limpidez do espírito dos alunos que interpretaram as obras, seja pela escolha das peças tranquilas e até melancólicas, exceção feita a ‘Habanera’ de Georges Bizet, mas sempre harmoniosas, de compositores como Eythor Thorlaksson, João Pernambuco, B. M. Colomer, A. Dargominsky, C. Debussy ou A. Diabelli.

Abrantes / Audição Curso Básico de Música da Escola Secundária dr. Manuel Fernandes. Orquestra Sinfónica do Liceu.

Publicado por mediotejo.net em Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018

O programa apresentado juntou alunos desde o 5º ano de escolaridade até ao 9º ano. O desafio futuro prende-se com os alunos a transitar para o 10º ano. “Não sabemos quantos querem prosseguir e acumular por exemplo Ciências com Música, o que exigirá muito esforço da parte dos alunos, ou os que pensam ir para o Conservatório. Veremos como desenvolver o Curso no ensino secundário!”, explicou ao mediotejo.net Alcino Hermínio, que no final da audição voltou a pedir apoio, nomeadamente dos parceiros.

“Há cinco anos começamos esta aventura com muitas dificuldades mas também com muita força de vontade. Essa aventura trouxe-nos ao dia de hoje e a novos desafios que queremos enfrentar mas precisamos do apoio de todos, na área do ensino artístico. O desafio de como vamos dar continuidade no secundário a este tipo de cursos e como vamos desenvolver a mais recente aposta o Curso Básico de Dança”, referiu ainda, relativamente a um curso que este ano constituiu a sua primeira turma.

Presentemente os miúdos impressionam o secretário de Estado, João Costa, que, reconhecendo outros exemplos “felizes” de estudo das artes nas escolas portugueses, afirma que “Abrantes respira Educação” e isso deve-se “aos professores que sonham”, acrescentou, lamentando o facto da sociedade negar “o valor merecido dos professores”.

Escola Dr. Manuel Fernandes, em Abrantes, durante a audição do Curso Básico de Música, final do 1º período 2018

Lembrando um episódio recente aquando de um encontro em Lisboa sobre o futuro dos Fundos Comunitários, contou que o secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão, lhe telefonou e disse “se não arranjava um projeto para mostrar à Europa que usamos bem o dinheiro. E eu respondi, claro que arranjo: o Médio Tejo”, referindo-se a Abrantes.

Isto porque, segundo o governante, o concelho “marca pontos na Educação. É uma terra de gente sem medo, professores que não têm medo de ousar, uma Câmara que não fica à espera de perceber o que é da sua competência e avança no interesse dos alunos, e pais que não têm medo de deixar os filhos experimentar novas formas de aprender”.

Compreendendo a “preocupação de alguns pais em que os filhos sejam os melhores da turma”, desvalorizou para defender que “as sociedades avançam mais quando cooperamos do que quando competimos”, tomando o resultado da audição do Curso Básico de Música como exemplo da sua afirmação.

O secretário de Estado referiu a história atual nomeadamente a ascensão de regimes totalitários no mundo, dos refugiados a afundarem no mar Mediterrâneo e a questão de muitos sobre a utilidade da arte.

Para o secretário de Estado, “a arte não precisa de se justificar. Só somos completos se tivermos educação artística na nossa vida. Para que serve a arte? Serve para nos sentirmos bem e não é um pormenor. Quando educamos para a arte estamos a educar para a cidadania. E serve para sermos livres. Os ditadores têm medo da arte”, vincou, recordando a celebração no dia anterior da Declaração Universal dos Direitos Humanos, “um documento importantíssimo que em muitos lugares do mundo está por cumprir”.

Presente na audição, a presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque, destacou as “áreas criativas” como fator distintivo na sociedade, designadamente para os desafios futuros.

“O talento é um dos ‘Ts’ que apelidamos de essenciais para uma sociedade desenvolvida. O outro é a tolerância. E aquilo que os educadores de infância, os professores, os pais e toda a comunidade educativa nos mostrou é que somos uma comunidade tolerante, que respeita os talentos e, portanto, só pode ter um futuro muito promissor”, frisou.

O discurso da autarca não passou ao lado dos problemas da escola, esclarecendo que apesar da Câmara não ter “competências neste nível de ensino” aguarda com “grande expectativa” a descentralização de competências.

“Teremos competência própria para ser parte da solução, para ajudar a criar soluções novas para os nossos problemas. Iremos ao encontro daquilo que é necessário a cada comunidade educativa”, defendeu Maria do Céu Albuquerque.

Escola Dr. Manuel Fernandes, em Abrantes, durante a audição do Curso Básico de Música, final do 1º período 2018

À margem da audição, questionado pelo mediotejo.net se, mais uma vez, havia abordado a questão da antiga residência de estudantes com o governante, Alcino Hermínio confirmou e disse que João Costa se mostrou “disponível para ajudar naquilo que depender” da secretaria de Estado da Educação.

Avançou ainda que a Parque Escolar anunciou para breve a substituição da cobertura da antiga residência de estudantes, ao lado da ESMF. O edifício é propriedade da Parque Escolar desde o início da requalificação da secundária e, segundo destacado pelo diretor e pela Associação de Pais, cuja presidente é Susana Martins, um “local de excelência para potenciar o desenvolvimento do ensino artístico” no concelho.

Alcino Hermínio garantiu que para o funcionamento da antiga residência basta “uma recuperação parcial” de modo a reverter aquele equipamento para a escola. Segundo o diretor, o edifício tem as condições ideais para as aulas de instrumento. “Os quartos da antiga residência têm as dimensões adequadas”, reforçou.

“O edifício existe, não é preciso construção, está dentro do espaço escolar e podia ser utilizado para as nossas aulas de música e de dança decorrerem ainda melhor, e com pouco dinheiro”, salientou.

O professor de música, José Horta, por sua vez, considerou que é a “cultura que marca a diferença nas cidades” tanto é assim que em Abrantes as iniciativas culturais têm cada vez mais público. “É a música, é o teatro, tudo o que se passa no âmbito cultural que marca a diferença e temos muitos exemplos no País”, destacou.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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