Abrantes | Requalificação da secular Igreja de S. Vicente reforça posicionamento turístico e cultural (C/VIDEO)

Requalificação da secular Igreja de S. Vicente reforça posicIonamento turístico e cultural de Abrantes. Foto: mediotejo.net

Fundada primitivamente no ano de 1179 e hoje classificada como monumento nacional, a Igreja de S. Vicente, em Abrantes, vai ser alvo de restauro, nomeadamente de dois altares da nave lateral (lado Evangelho), e ainda com trabalhos de conservação e restauro da pintura mural existente nas abóbadas da nave lateral e das capelas da cabeceira. A requalificação do património abrantino, nomeadamente o religioso, envolve várias entidades e abrange ainda a Igreja da Misericórdia, a Igreja de S. Vicente e a Igreja de Santa Maria do Castelo.

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O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, e o representante da Nova Conservação – Restauro e Conservação do Património Artístico-Cultural, S.A., Nuno Proença de Almeida, assinaram na sexta-feira, perante a presença do padre António Castanheira, pároco de S. Vicente e S. João, o auto de consignação para obras de restauro de dois altares na Igreja de S. Vicente, uma empreitada que apresenta um prazo de execução de 180 dias e um investimento de 120.748,67 € + IVA. O investimento conta com apoios a 85% de fundos comunitários, sendo os restantes 15% divididos pela Câmara de Abrantes e DGPC.

Requalificação parcial da Igreja de S. Vicente vai durar seis meses. Foto: CMA

“A Câmara acompanha as necessárias requalificações a efetuar no património e, depois de uma primeira fase com uma candidatura que permitiu o arranjo exterior da Igreja de S. Vicente, pudemos avançar agora para esta 2ª fase de intervenção interior, nos dois altares, com um investimento que será igualmente suportado na sua maioria por fundos comunitários, sendo a componente nacional assegurada em partes iguais pelo município e pela DGPC”, deu conta o presidente da autarquia, Manuel Jorge Valamatos.

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Abrantes l Autarquia investe na requalificação da igreja S. Vicente

Publicado por mediotejo.net em Sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

O projeto refere-se aos trabalhos de conservação e restauro de material pétreo artístico e madeira policromada e talha pertencentes a dois altares da nave lateral (lado Evangelho) e aos trabalhos de conservação e restauro da pintura mural existente nas abóbadas da nave lateral (Lado do Evangelho) e das capelas da cabeceira. Para além dos restauros estão ainda previstos os trabalhos de reparação, hidratação e pintura de caixilharias em madeira, maioritariamente, portas exteriores históricas e os trabalhos de caiação com integração de cor, em abóbadas pertencentes às naves laterais.

Este projeto de execução refere-se à 2ª ação (conservação e restauro do património integrado), da candidatura ao Programa Centro 2020, promovida pelo Município de Abrantes em parceria com a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), com a designação “Património Cultural – Intervenções em Monumentos Nacionais – Valorização da Igreja de S. Vicente”.

Classificada como património nacional,a primitiva igreja de São Vicente foi fundada em 1149, depois da tomada do castelo da vila de Abrantes por D. Afonso Henriques. Foto: CMA

A primeira ação da candidatura decorreu em 2017 com a empreitada de beneficiação exterior da Igreja de S. Vicente que incluiu as obras exteriores de cobertura, consolidação da abóbada, fornecimento de janelas em madeira, restauro de vitrais e pinturas exteriores – cujo projeto de execução foi elaborado pelo Departamento de Estudos, Projetos, Obras e Fiscalização da DGPC. No âmbito da mesma intervenção foram executados ainda os trabalhos de arranjos exteriores cuja responsabilidade/autoria coube ao Município de Abrantes.

Findo o processo da 1ª ação houve que proceder à reformulação financeira da candidatura, uma vez que os valores dos trabalhos executados na empreitada foram inferiores ao inicialmente preconizados na candidatura.

Neste sentido, acabou por ser disponibilizado maior financiamento para a ação 2º de conservação e restauro do património integrado, do que inicialmente previsto na candidatura.

Fundada primitivamente no ano de 1179 e hoje classificada como monumento nacional, a Igreja de S. Vicente, em Abrantes, vai ser alvo de restauro, nomeadamente de dois altares da nave lateral (lado Evangelho), e ainda com trabalhos de conservação e restauro da pintura mural existente nas abóbadas da nave lateral e das capelas da cabeceira. Foto: mediotejo.net

O projeto é mais amplo, num trabalho com várias parcerias, e engloba as Igrejas de S. João e a Igreja de Santa Maria de Castelo numa lógica de recuperação de património religioso visitável, sendo de lembrar que, no dia 7 de fevereiro, a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) aprovou a reclassificação da Igreja da Misericórdia de Abrantes, tendo sido publicada em Diário da República a alteração de património com valor de interesse concelhio para património de interesse público. Neste caso, o projeto de intervenção decorreu por iniciativa da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, num investimento na ordem dos 140 mil euros e que contou com financiamento a 90% do Fundo Rainha D. Leonor.

Questionado sobre a Igreja de São João Baptista de Abrantes, que está classificada como Monumento Nacional e por isso está afeta à Direção-Geral do Património (DGPC), Manuel Jorge Valamatos disse que a Câmara Municipal está a fazer o levantamento das necessidades do espaço e que, na sequência de recente reunião com a DGPC, há o compromisso desta entidade realizar posteriormente projeto para a requalificação da igreja. Já a Câmara compromete-se a encontrar condições para apresentar uma candidatura a financiamento a fundos comunitários, sendo depois a componente nacional dividida pela autarquia e DGPC, a exemplo do que sucede agora com a Igreja de S. Vicente.

A requalificação do património abrantino, nomeadamente o religioso, envolve várias entidades e abrange ainda, além da Igreja de S. Vicente, a Igreja da Misericórdia, a Igreja de S. Vicente e a Igreja de Santa Maria do Castelo. Foto: mediotejo.net

Quanto a Igreja de Santa Maria do Castelo, instalada na fortaleza da cidade e também monumento nacional, Manuel Jorge Valamatos disse que as obras de requalificação estão a iniciar dando conta que até maio/junho a Igreja já deve estar completamente requalificada como Panteão dos Almeidas.

Em termos globais, Abrantes “ganha posicionamento” relativamente ao património e ao turismo religioso, tendo o presidente da Câmara Municipal dado conta da importância da proximidade de Fátima e de Tomar, cidades que atraem anualmente centenas de milhar de turistas, e que também em Abrantes se percebem “movimentos de procura para visitação” a estas quatro Igrejas da cidade.

A par dos templos religiosos, Abrantes tem este ano a perspetiva de concluir e inaugurar dois importantes investimentos em curso, o Museu Ibérico de Arqueologia e Arte de Abrantes (MIAA) e o Museu de Arte Contemporânea (MAC) Charters de Almeida.

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“Todas estas peças se interligam e potenciam a visitação a quem nos procura”, destacou Manuel Jorge Valamatos.

Padre António Castanheira, pároco de S. Vicente e S. João. Foto: CMA

O padre António Castanheira, por sua vez, falou em “momento de esperança” e lembrou a importância da requalificação de “um lugar de espiritualidade” que é, também, um espaço de cultura. “A cultura é importante e este monumento é uma joia que precisa de ser cuidada, restaurada”, dando conta que a intervenção não vai interferir com a prática das liturgias, casamentos ou batizados. “Ter um monumento destes cuidado e restaurado é um momento de esperança grande”, reiterou o padre Castanheira.

O representante da empresa Nova Conservação – Restauro e Conservação do Património Artístico-Cultural, S.A., Nuno Proença de Almeida, deu conta que os trabalhos vão incidir em dois altares com intervenção nos materiais pétreos, talha dourada e madeira pintada, através de desmontagem, consolidação e limpeza de materiais, alguns dos quais em “avançado estado de degradação e em pré-ruína”, de modo a que aos mesmos seja “devolvida dignidade e uma leitura de conjunto que hoje está fragilizada”.

O Presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos e o representante da Nova Conservação – Restauro e Conservação do Património Artístico-Cultural, S.A., Nuno Proença de Almeida, assinaram no dia 14 d fevereiro o auto de consignação para obras de restauro de dois altares na Igreja de S. Vicente. Foto: mediotejo.net

A Igreja de S. Vicente – Apontamento histórico

A primitiva igreja de São Vicente foi fundada em 1149, depois da tomada do castelo da vila de Abrantes por D. Afonso Henriques, sendo o seu orago dedicado ao mártir lisboeta. Em 1179, depois de um cerco do exército mouro que arrasou a vila, o templo, que era sede de paróquia, seria reconstruído. Em 1565 o Bispo da Guarda, D. João de Portugal, convocava Sínodo Provincial, e como quatro anos depois a primitiva igreja se encontrava em ruínas, D. Sebastião ordenou ao Corregedor de Tomar que procedesse à sua reedificação.

A obra da nova igreja seria iniciada em 1569, empregando oficiais dos estaleiros do Convento de Cristo de Tomar, como foram os casos de Francisco Lopes e Pedro Antunes, responsáveis pela edificação das capelas laterais. Em 1595 a obra ficaria a cargo do arquiteto militar Mateus Fernandes (SERRÃO, Vítor, 2002, p. 193), que possivelmente só terminaria o projeto do novo templo em 1605, data em que a sede de paróquia, que desde 1569 transitara, primeiro, para a ermida de Santa Catarina, hoje com a invocação de São Lourenço, e depois para a ermida de Santa Iria, voltava para São Vicente e a nova igreja abria ao culto.

A igreja possui planta longitudinal composta por nave retangular, com dois corpos laterais, capela-mor, capelas laterais e sacristias anexas. A fachada principal está ladeada por dois torreões, vazados no primeiro registo por arcos plenos, sendo o da direita rematado por torre sineira com coruchéu azulejado, e o do lado oposto apenas por sineira. O pano central da fachada, dividido em dois registos, apresenta portal em arco pleno, inserido em estrutura retabular, num modelo que deriva das fachadas-retábulo elaboradas por Nicolau de Chanterenne e João de Ruão e que a arquitetura maneirista adota como suas, depurando-as da decoração ornamentalista dos mestres renascentistas e imprimindo-lhes formas depuradas de gosto classicista.

O programa decorativo do portal consta da utilização de duas ordens arquitetónicas na sua estrutura: no primeiro registo, na delimitação do portal, a ordem jónica, no segundo registo, ladeando a janela e os nichos a ordem coríntia. Sobre o portal foi rasgado um óculo. A fachada é rematada em empena, com pináculos.

O espaço interior do templo reparte-se em três naves de alturas diferenciadas com seis tramos divididos por arcos assentes em colunas toscanas; ao fundo, o coro-alto coberto por abóbada de cruzaria de ogivas rebaixada. As naves são cobertas por abóbada de berço de caixotões.

Cada uma das naves laterais possui três altares de pedra maneiristas, elaborados entre 1584 e 1591, possuindo alguns retábulos de pedra provenientes de oficinas de Tomar (SERRÃO, Vítor, 2002, p. 193). São revestidas de painéis de azulejo seiscentistas azuis e amarelos, com representações de temática vicentina. A capela-mor, coberta também por abóbada de caixotões, tem ao centro retábulo de talha com crucifixo de pousar indo-português na tribuna.

A igreja de São Vicente de Abrantes possui um modelo que, combinando a austeridade das formas com o espaço pensado de forma unitária, demonstra uma harmonia espacial e estrutural a denunciar a influência da arquitetura de cariz militar. A esta junta-se o decorativismo de inspiração flamenga, aplicado em elementos como os pináculos que rematam superiormente o pano da fachada e as torres do templo.

Fonte: CMA e DGPC

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