Abrantes | Refugiado iraquiano agredido violentamente no centro da cidade

Um refugiado iraquiano, há dois meses a viver em Abrantes, foi agredido violentamente na noite de sexta-feira 3 de novembro, no Largo João de Deus, por um grupo de seis homens. A vítima, que foi assistida no hospital de Abrantes, falou ao mediotejo.net.

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Raed Al Swali, de 21 anos, refugiado iraquiano acolhido em Abrantes há dois meses, foi agredido de forma violenta, na noite de sexta-feira 3 de novembro, no Largo João de Deus, no centro histórico da cidade, por um grupo de seis homens que segundo contou ao mediotejo.net deveriam ter idades compreendidas entre 20 e 24 anos.

Eram cerca de 23h30 quando Raed acompanhado por um amigo, também ele refugiado iraquiano com quem partilha casa em Abrantes, passeava no Largo João de Deus quando foi atacado por um grupo de seis homens, que “só queriam problemas”, garantiu.

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“Não fiz nada nem sequer falei com eles. Não percebi porque me espancaram”, contou. E o ataque, perpetrado com “chapéus de chuva” deixou graves marcas no rosto, hematomas em um dos braços e nas costas do jovem que passados quase 15 dias ainda são visíveis no corpo de Raed. No entanto, acredita não ter sido o estatuto de refugido o motivo do ataque. “Agora já sabem… mas acho que não sabiam que era refugiado”, referiu.

Na noite de 3 de novembro, cerca das 23h30, o jovem refugiado iraquiano foi agredido no Largo João de Deus. em Abrantes

De acordo com o que o mediotejo.net apurou os bombeiros de Abrantes estiveram presentes no local com uma ambulância e dois operacionais, tendo transportado a vítima de seguida para o hospital de Abrantes. “Passei a noite no hospital e de manhã de sábado regressei a casa”, explicou.

Raed desconhece se os seis indivíduos foram identificados pela Polícia de Segurança Pública, que também esteve no local e “falou com um deles”, afirmou.

Após o ataque, o jovem iraquiano, que apesar da evidente dificuldade linguística, compreende e consegue falar algumas palavras em português, disse ter-se deslocado uma vez à esquadra da PSP de Abrantes para prestar declarações.

“Por causa da guerra” no seu país, Raed Al Swali chegou a Portugal há ano e meio. Passou por Alfeizerão, Caldas da Rainha e agora Abrantes. Este foi o primeiro ataque que sofreu em Portugal. Por causa da agressão diz não gostar de Abrantes, mas independentemente de “querer ou não querer ficar” dentro de um mês sairá da cidade, “uma decisão da Cruz Vermelha”, adianta.

O amigo iraquiano, também ele refugiado, permanecerá por cá. “Ainda tem muito tempo para ficar nesta casa”.

Contactada pelo mediotejo.net, fonte oficial da PSP de Abrantes confirmou a existência de um inquérito que envolve a agressão ao refugiado.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

4 COMENTÁRIOS

    • Boa noite, o agredido prestou declarações. Segundo a PSP, está a decorrer um inquérito para aferir da culpabilidade dos alegados agressores. Todo o cidadão é inocente, até prova em contrário. uma questão para continuar a acompanhar. obrigado

  1. Nesta santa terrinha sempre houve aquela tendênciazinha em expor a identificação da(s) vítima(s) nas luzes da ribalta e ocultar tanto quanto possível a identidade dos assaltantes, agressores, delinquentes e outros afins, sob a capa da presunção de inocência.

  2. Se eu fosse refugiado a fugir do meu país, também iria me assujeitar a sofrer em terra alheia. Muitos deles continuarão a ser de suas culturas tribais e deverão regressar. Outros nos aceitarão e por cá continuarão. Se eles se negarem a aceitar a nossa cultura, deverão voltar para suas terras. Mas nada justifica que sejamos nós a regeitar a deles. É sempre melhor construir pontes, que muros.

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