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Terça-feira, Agosto 3, 2021

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Abrantes | Redução do caudal do Tejo preocupa políticos, com BE a defender a revisão da Convenção de Albufeira

A redução do caudal do rio Tejo, registada nos últimos tempos, voltou a ser debatida na reunião de executivo municipal, esta terça-feira, 15 de junho. Para combater as irregularidade dos caudais que se têm feito sentir, o vereador do BE apresentou três medidas. Do lado do PS, o presidente lembrou que andou durante anos “a falar sozinho” sobre a quantidade de água do rio.

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Basta descer a cidade de Abrantes até ao Tejo para perceber que o rio já teve melhores dias. O leito minguado, com aparência de uma ribeira que escorre fraca entre vários bancos de areia, é uma imagem cada vez mais usual e que preocupa políticos, ambientalistas e as populações ribeirinhas.

As inquietações com os baixos caudais do maior rio da Península Ibérica voltaram novamente a reunião de Câmara Municipal de Abrantes pela voz do vereador do Bloco de Esquerda, mas não sem que o presidente lembrasse que “durante anos falou sozinho” sobre esta problemática. Inclusivamente, disse, nos momentos de combate ambiental pelo rio, que centrava as atenções na questões da poluição e desvalorizava o problema dos caudais.

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Armindo Silveira (BE) reconheceu que o problema da “falta de água” no rio Tejo se arrasta há anos: “O sr. presidente já falou nisso, a srª ex-presidente também já tinha referido a questão do caudal do rio Tejo, o movimento proTEJO e outras associações, o Bloco de Esquerda e muitos partidos”, reconheceu. “Contudo, da parte do governo não há uma intervenção que possa de uma vez por todas regularizar o caudal do rio Tejo”, lembrou.

O vereador bloquista referiu o caso de um agricultor abrantino que, recentemente, viu-se sem água para regar as searas. Uma situação que classificou de “extremamente grave”, tanto mais que “se arrasta desde 2015”, detalhou.

Por isso, o BE defende a revisão da Convenção de Albufeira, sem pedir o aumento do caudal anual mas “uma redistribuição ao longo do ano com o mesmo caudal”, explicou. Considera que do lado de Espanha “não haveria uma exigência maior em libertar mais água mas sim um controlo daquilo que seria a produção de energia elétrica”, que o BE acredita “estar por trás destas constantes flutuações”.

Armindo Silveira defendeu ainda, no âmbito do cumprimento da diretiva do quadro da água e da lei da água, “que possa haver um plano ibérico único de gestão da bacia hidrográfica”, não esquecendo a questão dos caudais ecológicos. “É importantíssimo que se possa avançar com estas três medidas que são estruturantes” e que, segundo o vereador do BE, “poderiam resolver a falta de água, especialmente entre Belver e Constância”.

ÁUDIO | ARMINDO SILVEIRA, DO BLOCO DE ESQUERDA

O presidente da Câmara de Abrantes concorda com a posição do Bloco de Esquerda e lembrou os episódios de poluição, uma situação que classificou como “incrivelmente vergonhosa”. Nessa altura, diz, “ninguém ligava à quantidade da água e nunca ninguém me deu importância nenhuma nesses tempos, quando falava de forma consecutiva e reiterada: atenção aos caudais!”.

Assegura conhecer bem o Tejo, lembrando que “há seguramente 12 anos” que fala na flutuação dos caudais. “Com mais ou com menos açude, é brutal e desadequada, e é algo que nos preocupa. Infelizmente nas ultimas semanas os nossos agricultores, a jusante, começaram a dar sinais e é por isso que esta matéria está muito fresca”, acrescentou.

Por outro lado, defendeu o papel “importantíssimo do açude no coração da nossa cidade, do nosso concelho” e garantiu que será reajustado ao longo do tempo tendo em conta as questões do Ambiente, ao mesmo tempo que lembrou que “mesmo no inverno, o rio é uma ribeirazinha”.

Por fim, referiu ter sido “a atenção e o cuidado” com o Tejo que o levou a avançar com o desafio para elevar o Tejo a Património da Humanidade. “É ir em busca de questões como esta dos caudais”, afirmou, esperando que “o futuro do Tejo seja promissor”.

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE DA CM ABRANTES

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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