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Sábado, Setembro 25, 2021

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Abrantes | (Re)descobrimos o comércio tradicional com Marina Palácio (c/ fotogaleria)

Os Caminhos da Água tiveram início esta quinta-feira, dia 13, com um programa que, além dos espetáculos de música, novo circo, dança e teatro, propõe novos percursos artísticos com roteiros inesperados no Médio Tejo. São caminhos dentro dos Caminhos em que sete criativos revelam a região através da sua criatividade e um deles foi criado por Marina Palácio em Abrantes que leva a (re)descobrir a unicidade do comércio tradicional.

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O sol ameaçava o calor previsto pela meteorologia quando apareceram os primeiros caminhantes que aceitaram o desafio da ilustradora para percorrer o centro histórico da cidade com base no “Catálogo poético de produtos únicos, e outras curiosidades, do comércio tradicional de Abrantes!”. A Praça Raimundo Soares foi o ponto de partida escolhido para explorar a poesia dos mundos escondidos nos espaços comerciais que clientes frequentam há décadas para comprar ou, simplesmente, meter a conversa em dia.

A primeira paragem é na Sapataria Lagarto, que apenas abre algumas horas por dia. Foto: mediotejo.net

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As portas de entrada da Sapataria Lagarto, da Casa Guemita, da Drogaria Nova, da Tabacaria 1×2 e do Bar-Café Chave d’Ouro são também um portal para o desconhecido através dos livros selecionados e os traços criativos de Marina Palácio. Autênticas “lojas-escola”, como gosta de lhes chamar, que inspiraram o projeto desenvolvido o segundo momento de programação da rede de itinerância cultural da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo.

A ligação a Abrantes, revelou-nos, também vem dos momentos passados com a família de Malpique, freguesia de Santa Margarida da Coutada no concelho vizinho de Constância, que acompanhava nas compras pelas lojas da cidade e no antigo mercado municipal. Desses tempos recorda ainda a drogaria do avô, repleta de tudo um pouco. Autênticos “quartos das maravilhas”, acrescenta, como os do século XV que guardavam tudo o que era “precioso ou exótico”.

No percurso que apelida de “museu-vivo” pairam no ar as palavras que cita do poeta António Botto, patrono da biblioteca municipal – “O mais importante na vida é ser-se criador” – e às quais se juntaram as de Armando Oliveira, da dona Guemita, de Joana Borda d’Água (acompanhada por Jorge Martins), Carlos Dias e Telma Dias, proprietários dos cinco estabelecimentos que fazem parte da história e da memória abrantinas. Entre paragens surgem as de Conceição Fonseca, do Grupo de Teatro Palha de Abrantes, sem perder o fio à meada da “Cantiga da Mariana”.

Marina Palácio com as lãs da dona Guemita. Foto: mediotejo.net

Desengane-se quem pensar tratar-se de uma mera visita guiada. Cada paragem do percurso artístico de Marina Palácio revela o lado humano do comércio tradicional e, tal como aconteceu em Vila Nova da Barquinha com as suas “árvores-biblioteca” durante os Caminhos do Ferro no mês de abril, surpreende. A mente é estimulada através de pormenores que incluem dragões, desenhos a giz no chão, respostas a “porquês”, pássaros, jogos de infância com lãs e outras surpresas.

Tudo entre revelações e produtos únicos que podem ser conhecidos até este sábado na companhia da artista que confirmou regressar ao Médio Tejo em outubro para os Caminhos da Pedra. Ficamos a aguardar o novo percurso artístico, previsto para o concelho de Ourém, em que não são apenas os pés que percorrem o caminho pois as propostas de Marina Palácio são viagens em que se “lê com o corpo inteiro”.

Até lá, ao “Catálogo Poético” de Marina Palácio em Abrantes juntam-se os de outros seis criativos. Até dia 16, Ana Trincão mostra Constância no percurso “Ância”, Gustavo Costa propõe “Sonoscopia” em Vila de Rei, Paulo Condessa partilha um “Coração Grande” na Sertã, Susana Domingos Gaspar mostra “Catálaga” a Alcanena, Tiago Correia caminha com “AudioWalk” em Ferreira do Zêzere e, até dia 15, Luís Carmelo sugere “OUTRA Viagem à Roda de Mação”.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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