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Sábado, Janeiro 22, 2022
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Abrantes | Reciclar o lixo diminui a fatura da água

Abrantes recebeu esta quinta-feira, 11 de janeiro, quatro novos contentores, em substituição de dois instalados no Largo de Santo António, colocados pela Valnor, empresa do Grupo EGF, responsável pela recolha, triagem, valorização e tratamento de resíduos sólidos em 25 municípios, em resposta às necessidades sentidas pelo Município em matéria de equipamentos de recolha seletiva. A Valnor avançou com o reforço da sua rede de ecopontos que serão distribuídos a partir dos primeiros dias de janeiro nos concelhos da sua abrangência, e deixou uma mensagem ao consumidor: “Quanto mais reciclar menos paga”.

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Abrantes vai contar com mais cinco ecopontos nesta fase inicial do plano de investimento da Valnor, empresa que faz a gestão, valorização e tratamento de resíduos sólidos urbanos (RSU) do concelho. “Temos um concurso a decorrer para mais 250 ecopontos” sendo o reforço a partir de 2019 um dos objetivos oferecendo “um bom serviço público à população”. A Valnor tem como objetivo “ ter um ecoponto por cada 180 habitantes”.

Com um plano de investimentos “muito ambicioso” até 2020, de recolha de resíduos reciclados que “sem o apoio do Município e das populações não conseguiremos atingir” referiu o administrador executivo da Valnor, Nuno André Heitor. Os objetivos passam por “aumentar o número de contentores, de ecopontos, aumentar o número das periodicidades das recolhas porta a porta e ajudar a população a separar os resíduos corretamente”.

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O administrador adiantou que em 2018 a empresa realizará “bastantes campanhas de sensibilização muito focadas nas escolas, no canal Horeca e nos eventos que os municípios promovem”. Essas ações de sensibilização passarão não só nas sedes de concelho mas também pelas freguesias, tratando-se de campanhas financiadas pelo PO SEUR – Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos – “estamos a lançar agora os concursos públicos, mas para agosto ou setembro estamos em condições de ter todas as campanhas na rua”.

Substituição de contentores de ecoponto em Abrantes

A ação de colocação de novos ecopontos iniciou-se, na manhã desta quinta-feira, em Abrantes, com o objetivo de aumentar os níveis de recolha seletiva, atendendo às metas estipuladas pelo Plano Estratégico de Resíduos Sólidos Urbanos – PERSU 2020 e já com a presença no novo administrador executivo, que substituiu Sérgio Bastos.

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O alargamento da rede de recolha seletiva de resíduos urbanos tem como objetivo melhorar a acessibilidade do serviço à população, incrementar a separação de resíduos e aumentar a taxa de reciclagem, diminuindo-se, desta forma, progressivamente a deposição em aterro. Para tal, a Valnor encontra-se a otimizar o serviço, reforçando a rede de recolha seletiva, por forma a garantir o correto encaminhamento dos resíduos para reciclagem. Esse reforço passa também pelo aumento de postos de trabalho, garantiu Nuno André Heitor.

“Este verão, época em que alguns municípios aumentam a população e os resíduos, queremos já estar dotados de mais viaturas e turnos suplementares para conseguir resolver alguns problemas que estão perfeitamente identificados”, afirmou.

Em Abrantes, este é o segundo ano consecutivo de atualização da tarifa de RSU decorrente da privatização da EGF (Empresa Geral de Fomento) detentora da maioria do capital da Valnor. Recorde-se que há um ano os 25 municípios da sua área de influência devolveram as faturas de janeiro referentes ao pagamento de recolha de RSU por considerarem exorbitante o aumento da tarifa de 2017.

Manuel Valamatos, Nuno André Heitor e o presidente da União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede, Bruno Tomás

Questionado pelo mediotejo.net sobre o aumento das tarifas Nuno André Heitor esclareceu que não são decididas pela Valnor. “Somos uma entidade regulada, que está dependente de um conjunto de regras e no caso da Valnor a tarifa definida pela ERSAR era bastante elevada”, admitiu. “Conseguimos chegar a acordo com os municípios e estamos a trabalhar para reduzir essa tarifa e rapidamente teremos tarifas compatíveis com aquilo que os municípios podem pagar. Falamos de municípios do interior com custos muito mais elevados que os do litoral e este problema só pode ser resolvido no futuro pensando de uma forma mais abrangente que envolva todo o País”.

Da parte da empresa, o administrador garantiu maior eficiência. “Pretendemos aumentar a recolha de resíduos, quanto mais resíduos recolhermos menor será a tarifa. Se as pessoas separarem os resíduos devidamente e colocarem no ecoponto o serviço é gratuito. O Município não paga nada pelos resíduos que são colocados dentro dos ecopontos, paga pelos resíduos que são colocados dentro do contentor normal do lixo. Quanto mais recicláveis estiverem dentro do contentor do lixo mais os municípios pagam. É um trabalho que tem de ser de todos”, alertou.

Embora os resíduos reciclados tenham vindo a aumentar o objetivo da Valnor passa por atingir “54 quilogramas por habitante por ano” em 2020, um dos índices “mais elevados do País”. No entanto, as embalagens e o papel continuam a ser os resíduos menos reciclados, ainda assim Nuno André Heitor considerou a taxa de reciclagem “elevada” no concelho de Abrantes.

Novos contentores de ecoponto em Abrantes

Cada ecoponto é formado por quatro contentores destinados à deposição de papel/cartão (contentor azul), plástico/embalagens (contentor amarelo) e vidro (contentor verde) e um para pilhas (vermelho) que a seguir são triados e reciclados e os materiais devolvidos ao ciclo produtivo.

“Estamos perante um novo momento” observou o vereador eleito pelo Partido Socialista, Manuel Valamatos. “Há muito tempo que dizemos ser necessário manter uma posição ativa na promoção da reciclagem, práticas decisivas no futuro”. Por outro lado, “ver recolocar novos ecopontos nas diferentes freguesias do concelho é dar corpo a essa intenção de todos reciclarmos cada vez mais que é muito importante do ponto de vista ambiental e económico. Dar a conhecer a todos que quanto mais reciclarmos menos pagamos”.

O também presidente dos SMA garantiu “uma luta diária na uniformização da tarifa” dos RSU e apelou a “um sentido de solidariedade a nível nacional” sublinhando tratar-se de uma questão de política nacional. “Não faz sentido pagar-se em Lisboa por tonelada de lixo 19 euros e em Abrantes pagar-se 50 euros. Falamos de diferenças enormes. Mais uma vez os municípios do interior são extremamente penalizados”, vincou.

Deixou a mensagem de passar “por todos nós a adoção de comportamentos que visem o uso eficiente e sustentável dos recursos” nomeadamente, através da escolha de produtos e embalagens passíveis de serem reutilizadas e ou recicladas; redução do desperdício; reutilização dos materiais e separação dos resíduos nas suas casas para que menos lixo entre em aterro.

“Não existe balanças para quantificar o lixo que cada um produz e a única forma é indexar a fatura do lixo e do saneamento à tarifa da água” explicou, sublinhando tratar-se de uma prática comum em muitos outros países.

Sandra Rodrigues dos SMA, Bruno Tomás, Manuel Valamatos, Nuno André Heitor e Sónia Pacheco da Junta de Freguesia de Rio de Moinhos

Numa altura em que existe uma enorme pressão sobre os recursos naturais, nomeadamente sobre o consumo de água, Manuel Valamatos deu conta “da importância da questão da água potável e do cuidado com as perdas desnecessárias de água que se efetiva na fatura” de cada consumidor, numa lógica de “poupança ambiental e económica”. O vereador aproveitou a ocasião para informar que neste momento trabalham “numa candidatura para sistemas mais personalizados no sentido de quantificar quer resíduos indiferenciados quer diferenciados”.

Durante a próxima semana a Valnor reúne com todos os municípios da sua abrangência para apresentar o seu plano de ação.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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