Abrantes | RAME assegura apoio militar do Exército em três incêndios do país

Foto: mediotejo.net

A Unidade de Apoio Militar de Emergência (UAME) entrou em ação pela primeira vez no passado sábado, dia 17, ao ser solicitada para intervir nos incêndios de Pedrógão Grande, Góis e Vila Real. Uma verdadeira “prova de fogo” para o Regimento de Apoio Militar de Emergência (RAME), sediado no Quartel de São Lourenço há pouco mais de sete meses e a partir de onde se têm coordenado os meios militares do Exército envolvidos nos três teatros de operações.

PUB

Acompanhámos a atividade no COAME – Centro de Operações de Apoio Militar de Emergência na manhã desta quarta-feira, dia 21, quando o cenário mais preocupante era o do incêndio de Góis, distrito de Coimbra, onde duas das cinco frentes se mantinham ativas. Em Pedrógrão Grande, distrito de Leiria, registavam-se diversos reacendimentos e o incêndio de Vila Real estava em fase de rescaldo.

Equipa do COAME. Foto: mediotejo.net

O local tinha sido visitado no dia anterior pelo Ministro da Defesa Nacional, o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas e os Chefes do Estado-Maior do Exército, da Armada e da Força Aérea, onde se inteiraram do trabalho desenvolvido pelo Comando, Controlo e Comunicações. Esta quarta-feira encontrámos um ambiente relativamente calmo que, segundo o Comandante do RAME e da UAME, Coronel de Artilharia César Reis, contrastava com o verificado nos primeiros dias de atuação desta unidade militar preparada para intervir em cenários de emergência associados a acidentes graves ou catástrofes.

PUB

O COAME acompanha minuto a minuto o que se passa no terreno e apresenta briefings ao comando da unidade sempre que solicitado. Ali, entre mapas, computadores, ecrãs e telefones, encontra-se a equipa que integra o chefe de operações, capitão Paulo Alves, o adjunto de operações, tenente João Salavessa, o primeiro sargento Rui Pires, responsável pelas informações, o sargento ajudante Marçal Pereira, ligado aos recursos, e dois soldados que prestam apoio. Acresce um elemento durante a noite e aos fins-de-semana e o número pode subir consoante o grau de emergência.

Coronel César Reis. Foto: mediotejo.net

Uma das particularidades da UAME é a de apenas intervir quando solicitada e foi o que aconteceu pelas 18h00 de sábado, com o pedido de cinco destacamentos de engenharia e de 12 pelotões (quatro para cada concelho) que, uma vez chegados aos locais, passaram a integrar a ação coordenada pela Autoridade Nacional da Proteção Civil. Foi esta entidade que despoletou o processo ao solicitar apoio às Forças Armadas e destas o terem feito ao Comando das Forças Terrestres.

PUB

Segundo o coronel César Reis o balanço dos primeiros dias de atuação da UAME é “positivo”, destacando a entrada dos primeiros meios no terreno em menos de 12 horas e a implementação de todos os meios em menos de 24 horas. Desde então, a UAME prestou apoio militar nos concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera e Alvaiázere no distrito de Leiria, Góis, Pampilhosa da Serra e Penela no distrito de Coimbra e Sabrosa e Alijó no distrito de Vila Real.

Visita do Ministro da Defesa Nacional ao RAME. Foto: RAME

No que respeita à coordenação, diz que a resposta foi ao encontro da planeada no âmbito do Plano LIRA, exigindo “algum grau de exigência uma vez que estas unidades provêm de diferentes regimentos espalhados pelo país”. O facto de ser fim-de-semana e de alguns militares residirem longe das respetivas unidades não impediu a rápida mobilização.

O RAME foi um dos 13 regimentos que disponibilizaram os seus meios e, até à data, estiveram envolvidos mais de 600 militares e 140 viaturas, distribuídos por 24 pelotões de vigilância e rescaldo pós-incêndio, 10 destacamentos de engenharia, 10 equipas de deteção de vítimas e uma equipa de psicólogos do Centro de Psicologia Aplicada do Exército. Os números incluem uma rendição e o valor pode alterar até à saída dos três teatros de operações, dependendo da evolução dos incêndios. Caso seja necessário, assegura o comandante, estão preparados meios para nova rendição.

Capitão Paulo Alves. Foto: mediotejo.net

O aspirante Alexandre Tomás comandou o grupo de 21 militares que saiu do Quartel de São Lourenço na tarde de domingo e esteve em Bouça, aldeia do concelho de Penela (distrito de Coimbra), a fazer rescaldo e vigilância com uma equipa de bombeiros. Este oficial de justiça e segundo comandante da companhia de comando e serviços descreve o cenário encontrado, destacando “o pânico” dos habitantes que, em muitos casos, “perderam um familiar ou conhecidos”.

“Testemunhar presencialmente” a dor tem, nas suas palavras, “um impacto completamente diferente” do que é gerado pelas imagens dos meios de comunicação social e “às vezes, saber como lidar com a situação” é apontada como a maior dificuldade que encontrou. A entrada em ação da UAME é considerada positiva na medida em que contraria a ideia de que os militares apenas trabalham em cenários de guerra e demonstra tratar-se de “uma força que existe, que pode contribuir de uma forma positiva e diferente daquela que seria inicialmente a nossa função”.

Aspirante Alexandre Tomás. Foto: mediotejo.net

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).

- publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here