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Sexta-feira, Julho 30, 2021

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Abrantes: Quanto custou afinal o monumento que celebra os 100 anos da Cidade? (Atualizada)

Começaram na passada segunda-feira, 6 de junho, os trabalhos de colocação do monumento criado pelo escultor Charters de Almeida para assinalar os 100 anos da Cidade de Abrantes, na rotunda junto ao quartel, na Avenida das Forças Armadas. Depressa começaram a circular notícias sobre o valor da obra de arte: 300 mil euros? A indignação multiplicou-se rapidamente nas redes sociais mas o mediotejo.net consultou a base pública das contratações do Estado e verificou que o contrato entre a autarquia e o escultor foi fechado por 65 mil euros.

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Contudo, tal como explica ao nosso jornal o vice-presidente da autarquia, João Caseiro Gomes, ao valor do contrato do projeto com o escultor há a acrescentar o investimento na execução da obra. Esses valores não são ainda públicos e o vice-presidente não conseguiu precisar o montante global do investimento, lembrando contudo que “será sempre abaixo de 150 mil euros”, o limite legal da contratação pública por ajuste direto. Ou seja, o custo da obra poderá aproximar-se dos 200 mil euros, sendo certo que o único valor possível de confirmar, até ao momento, são os 65 mil euros pagos ao escultor Charters de Almeida, um valor dentro dos que são pagos por este tipo de criação artística, a nível nacional.

Às 21:10, o gabinete de imprensa da Câmara de Abrantes fez chegar a informação solicitada pelo mediotejotejo.net  tendo esclarecido que o Elemento Escultórico do Centenário, que, se localiza na Rotunda do Quartel em Abrantes e tem como dono da obra a Câmara Municipal de Abrantes, tem um “valor de adjudicação da aquisição de serviços para a elaboração do projeto de conceção de escultura alusiva ao centenário da cidade de Abrantes para implantar na Rotunda do Quartel em Abrantes de 65.000,00€”, tal como mediotejo.net havia noticiado, e após consulta da base pública das contratações do Estado.

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Mais precisou a autarquia que “o valor de adjudicação da Empreitada de “Construção de Escultura – A Celebração do Tempo – alusiva ao Centenário da Cidade de Abrantes – Rotunda do Quartel” – 149.630,00€ (acrescido de IVA à taxa legal em vigor)”. O mediotejo.net havia referido, após ter questionado o vice-presidente da autarquia, que o valor da execução da empreitada era inferior a 150 mil euros.

O total do investimento público no monumento criado pelo escultor Charters de Almeida para assinalar os 100 anos da Cidade de Abrantes é, portanto, de 65 mil euros (do projeto artístico) acrescido de 149,630 euros da execução do trabalho. Um total de cerca de 215 mil euros, valor a que acresce o IVA à taxa em vigor e que não atinge os 300 mil euros que circulam na praça pública e redes sociais.

O mediotejo.net referiu ainda que a escultura Cidade Imaginária, do mesmo autor, havia sido inaugurada em 2010 no parque ribeirinho Aquapolis, e que teve um custo de 223 mil euros. Na verdade, solicita a autarquia pela retificação, a escultura foi inaugurada em 2009 e não em 2010.

Charters de Almeida esteve na reunião do executivo camarário, que se realizou a 6 de junho, onde explicou a instalação com 15 metros que está a ser colocada na rotunda do quartel, a que deu o título A Celebração do Tempo – Portas de Abrantes – Marco. “Fazia todo o sentido que o mestre estivesse connosco e fizesse a apresentação deste projeto que vai marcar o próximo Centenário”, referiu Maria do Céu Albuquerque, durante a reunião de Câmara, antes de dar a palavra ao escultor. Charters de Almeida começou por agradecer à presidente da autarquia por se ter lembrado de si para fazer esta escultura que “celebra o tempo”.

O escultor Charters de Almeida explicou o seu projeto da "Cápsula do Tempo" durante a reunião de Câmara de 6 de junho (Foto: mediotejo.net)
O escultor Charters de Almeida explicou o seu projeto da “Cápsula do Tempo” durante a reunião de Câmara de 6 de junho (Foto: mediotejo.net)

“Foi um trabalho extraordinariamente complexo”, começou por referir o escultor, dizendo que foi um desafio escolher o local, tendo o Castelo sido o primeiro sítio a ser escolhido mas que apresentou problemas técnicos. “A alternativa que nos pareceu mais evidente foi a rotunda da avenida das Forças Armadas que é o grande eixo de entrada de Abrantes, mas quando lá chegámos, não havia orientação nenhuma, não havia eixo nenhum que funcionasse com o centro da rotunda, era tudo situações excêntricas”, referiu Charters de Almeida.

Como não havia nada que se pudesse trabalhar em eixo na rotunda, explicou Charters de Almeida, o escultor decidiu trabalhar com o norte e “a própria rotunda é que nos envolve à sua volta para que possamos descobrir as sucessivas perspetivas dos elementos que se põem ali”.

“Foi dos espaços mais complexos que eu tive de resolver”, referiu Charters de Almeida, dizendo que este monumento “está a celebrar Portugal, centenas de anos”, e daí surgiu a ideia de “registar o nome dos nados de Abrantes, que é uma celebração da sociedade junto do próprio elementos”. Assim, a ideia do trabalho é, através de arquitraves, “criar uma cápsula do tempo”.

“Inicialmente tínhamos pensado colocar quatro elementos, mas depois chegámos à conclusão de que três seria o ideal, porque ao circular na rotunda, estamos sempre a descobrir novas perspetivas com os três elementos”, explicou Charters de Almeida, de 81 anos.

O monumento que começou a ser instalado esta segunda-feira, vai ser inaugurado no dia 14 de junho, pelas 19h (Foto: mediotejo.net)
O monumento que começou a ser instalado esta segunda-feira, vai ser inaugurado no dia 14 de junho, pelas 19h (Foto: mediotejo.net)

“São sucessões de portas e de arquitraves, que nos remetem sempre para a entrada e saída daquele espaço que simboliza o tempo, e daí ser a cápsula do tempo”, sublinhou o escultor.

Maria do Céu Albuquerque referiu: “Aquilo que pedimos ao mestre foi a criação de algo com um objetivo claro e no âmbito da Comissão, presidida por Fernando Catroga, surgiu a ideia de se fazer a tal cápsula do tempo que, inicialmente, seria para perpetuar elementos físicos dentro dessa cápsula. Quando apresentámos de forma genérica ao mestre esta ideia que surgiu no âmbito desta Comissão, o mestre disse que já estava a imaginar o que íamos depositar no repositório do tempo: ‘aqueles que nascem’. Fiquei deslumbrada com essa ideia, porque mais do que guardar relíquias, estamos a guardar memórias de quem vai construir o próximo século. Para nós, faz todo o sentido que esta cápsula do tempo registe aquilo que de melhor nós temos, que são as pessoas, e vamos ter um João inscrito este ano”, referiu a autarca de Abrantes.

A escultura é feita em aço “corten”, com propriedades anticorrosivas, resistente ao tempo. Segundo Charters de Almeida, a sua cor castanha “quer remeter para um objeto que já lá está há muito tempo” e “quanto mais antiga e ferrugenta, mais conservada está. É o aço mais barato em termos de conservação e tem uma duração de mil anos”.

A inscrição dos nomes dos primeiros nados vivos em Abrantes, em cada ano, foi sugestão do escultor Charters de Almeida (Foto: mediotejo.net)
A inscrição dos nomes dos primeiros nados vivos em Abrantes, em cada ano, foi sugestão do escultor Charters de Almeida (Foto: mediotejo.net)

Maria do Céu Albuquerque salientou ainda que são empresas locais que estão a trabalhar na instalação deste monumento – MOMsteel, Empeve e Firmino Fernandes Bispo -, “pelo que todo o processo está também a deixar valor na economia local”, sublinhando ainda que este monumento não tem despesas na sua conservação.

Charters de Almeida foi também o autor do conjunto escultórico designado Cidade Imaginária, localizado na margem norte do Aquapolis, junto ao rio Tejo. O escultor, com obras em Portugal, Estados Unidos, Canadá e Itália, entre outros países, foi diversas vezes premiado em concursos públicos nacionais e internacionais e está representado em museus, fundações e coleções particulares em Portugal e noutros países.

A inauguração da escultura instalada na rotunda junto ao quartel está agendada para 14 de junho, pelas 19h, dia em que se assinalam os 100 anos de elevação de Abrantes a Cidade.

* Com Mário Rui Fonseca

*Notícia atualizada às 23:26 de quarta-feira, dia 08 de junho de 2016

Entrou no mundo do jornalismo há cerca de 13 anos pelo gosto de informar o público sobre o que acontece e dar a conhecer histórias e projetos interessantes. Acredita numa sociedade informada e com valores. Tem 35 anos, já plantou uma árvore e tem três filhos. Só lhe falta escrever um livro.

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1 COMENTÁRIO

  1. Um valor demasiado elevado para uma obra que é a repetição de outras obras do mesmo Artista Plástico. Pouco criativa em relação ao grupo escultorico que está na rotunda de telheiras e na Alameda da Cidade Universitária, ambas em Lisboa.

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