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Segunda-feira, Janeiro 24, 2022
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Abrantes | PS chumba moção do PSD para “criação de comissão de acompanhamento” da Central do Pego

O Partido Social Democrata de Abrantes viu ser rejeitada em Assembleia Municipal a criação de uma comissão de acompanhamento da situação da Central Termoelétrica do Pego. Na moção, o PSD propunha que uma Assembleia Municipal “mais ativa” deliberasse “acompanhar a situação da Central do Pego e dos seus trabalhadores, sugerindo soluções e fazendo pressão política”.

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O Partido Social Democrata (PSD) apresentou a proposta de moção “Pela criação de uma comissão de acompanhamento da situação da Central Termoelétrica do Pego e dos seus trabalhadores” na sexta-feira, 10 de dezembro, durante a sessão de Assembleia Municipal, que acabou rejeitada por 16 votos do Partido Socialista, embora tenha contado com 12 votos favoráveis das outras bancadas.

O deputado municipal social democrata, João Salvador Fernandes, considerando a criação de uma comissão “relevante”, começou por lembrar que no dia 19 de novembro de 2021 a Central Termoelétrica do Pego encerrou a sua produção de energia a carvão. Lembrou ainda a manifestação em frente ao edifício da Câmara Municipal de Abrantes dos trabalhadores da Pegop preocupados com o seu futuro.

Assembleia Municipal de Abrantes. Créditos: mediotejo.net
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Mencionou as diferentes intervenções políticas nacionais sobre o encerramento da produção a carvão, um assunto de “extrema importância”, do presidente da Câmara de Abrantes, do primeiro-ministro, do ministro do Ambiente e também da ministra da Coesão Territorial, e referiu que “as promessas têm de ser cumpridas”.

E enumerou algumas:

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“1. Em grandes expectativas para o futuro pelas oportunidades de desenvolvimento social e económico garantidas pelo Fundo de Transição Justa;
2. Que tudo será feito para afiançar a proteção das pessoas e do território;
3. Que é possível confiar numa transição energética sem deixar ninguém para trás;
4. Na antecipação do Fundo para a Transição Energética que visa compensar os trabalhadores e o território do Médio Tejo;
5. Na proteção do planeta em prol das gerações futuras e da Humanidade, afirmada pelo processo de descarbonização, num processo de defesa da sustentabilidade que impeça a pobreza e a desigualdade das e nas nossas comunidades;
6. Em oportunidades únicas de modernização das economias locais e regionais, tornando-as mais competitivas com base em investimentos sustentáveis;
7. Em impriscindibilidade da requalificação dos trabalhadores da central do Pego, garantindo-lhes emprego, formação e proteção social adaptada às atuais exigências;
8. No fomento da atividade económica, na promoção de ecossistemas de empreendedorismo e na transferência de sectores de atividade com tecnologias avançadas para regiões como, nomeadamente, a do Médio Tejo;
9. Na reconversão da central termoelétrica do Pego para energias renováveis;
10. No apoio governamental para empresas que queiram fazer novos investimentos no Médio Tejo, empregando trabalhadores da região, especialmente, os afetados pelo encerramento da unidade a carvão da central do Pego;
11. Que esse apoio se destina a investimentos focados no futuro da indústria e da economia, nomeadamente, na mobilidade sustentável, nas energias renováveis, na economia circular, na biotecnologia ou noutras tecnologias limpas;
12. Na criação de 600 a 700 postos de trabalho só em função desses apoios.”

Para o PSD, nesta matéria, a Assembleia Municipal de Abrantes “não pode ter uma postura passiva […] ficando a aguardar pelas informações transmitidas pela Câmara Municipal de Abrantes de três em três meses” mas “ativa, de acompanhamento da Central Termoelétrica do Pego” e também “das situações pessoais dos trabalhadores” nomeadamente “obtendo informação, estudando os problemas manifestos e os que se venham a manifestar”, “sugerindo soluções” e “fazendo pressão política”.

ÁUDIO | DEPUTADO DO PSD, JOÃO SALVADOR FERNANDES

Do lado do Bloco de Esquerda, Pedro Grave recordou que o deputado João Fernandes havia acusado o BE numa sessão anterior de querer fechar a Central do Pego. No entanto, aquando da manifestação dos trabalhadores, “o BE esteve lá, não viu pela televisão”, disse o deputado bloquista.

Dando conta que “a posição do BE relativamente à Central do Pego é pública” tal como “a defesa da transição energética justa” e “a necessidade de apoiar todos trabalhadores afetados por este processo”.

Segundo Pedro Grave “também são públicas as perguntas que o BE fez e que ainda não obtiveram resposta sobre a reconversão para biomassa florestal residual e quantos trabalhadores ficariam se esse projeto avançasse e se haveria lugar a pagamento das chamadas rendas excessivas e de onde viria ou virá essa biomassa?”, interrogou.

Patente ficou ainda a preocupação bloquista com a “colocação de painéis solares em solos de aptidão agrícola e florestal”.

Pedro Grave finalizou afirmando que o BE não teme “que as suas posições o penalize nas urnas” felicitando o PSD pela moção apresentada.

ÁUDIO | DEPUTADO DO BE, PEDRO GRAVE

Já António Veiga, deputado eleito pelo Partido Socialista, explicou as razões que levaram a sua bancada a votar contra a moção do PSD.

Lembrou não ser o encerramento da produção a carvão no Pego “um processo novo no panorama local e nacional” e considerou ser “inegável que o Presidente da Câmara de Abrantes desde há muito que segue com a maior dedicação e atenção todo o processo e que junto das entidades competentes tem feito a intervenção e pressão necessária”. À sua semelhança, disse, “o presidente da Assembleia Municipal e os vereadores têm sempre que possível encetado esforços para que a melhor e a mais justa solução seja encontrada”.

E enumerou os pontos referidos pelo Governo: “Fundo de transição justa; Fundo para a transição energética; Descarbonização; Investimentos sustentáveis; Requalificação e formação dos trabalhadores; Criação de postos de trabalho; e Instalação de empresas”.

O PS de Abrantes acredita que “as entidades envolvidas nestes processos e com competências para tal falam verdade, estão em sintonia, atentas às necessidades e a toda a relevância social, ambiental e económica que este assunto emprega”.

Relembrou que “o IEFP instalou um gabinete de apoio aos trabalhadores na junta de freguesia do Pego para uma melhor agilização dos processos, que a CCDR Centro e a CIMT estão em permanente contacto com o governo, que os sindicatos são parceiros nos diferentes processos, até porque uma das medidas governamentais contempla o pagamento integral dos vencimentos até ao final de 2022”.

A bancada do PS considerou que “a criação de uma comissão onde a atuação ou pressão política, a sugestão de soluções, ou tudo o que se possa afigurar necessário para alcançar os fins” não traz “algum contributo saudável a um processo para o qual se pretende encontrar a melhor e a mais serena das transições”.

ÁUDIO | DEPUTADO DO PS, ANTÓNIO VEIGA

Os socialista propuseram por isso que o presidente da Assembleia Municipal “sempre que tenha informação relevante ou sempre que entenda fazer um ponto de situação convoque os grupos municipais legalmente constituídos para que não só de três em três meses se tenha noticias da Central Termoelétrica do Pego”, até porque entendem que “a partilha de informação ajuda a desmistificar processos de intenção ou juízos de valor errados”.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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