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Domingo, Setembro 19, 2021

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Abrantes | Projeto T_CODE como “exemplo que deve ser replicado” no País – secretário de Estado

O projeto educativo abrantino T_CODE foi apresentado ao secretário de Estado para a Transição Digital, André Azevedo, esta quarta-feira, 7 de julho, no Centro Escolar Maria Lucília Moita, em Abrantes. O T_CODE é um programa único no país que ensina programação aos alunos com 8 ou mais anos de idade, em ambiente descontraído e de diversão, estimulando a literacia digital, a criatividade e o trabalho em equipa. 

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O secretário de Estado para a Transição Digital, André Azevedo, esteve em Abrantes para conhecer o projeto T_CODE e reconheceu o trabalho feito designando-o como “referência”,  “exemplo que deve ser replicado noutros locais” e “uma iniciativa que deve ser apoiada” no futuro.

Explicou que poderá ser um projeto implementado a nível nacional. “Todas estas experiências que vamos identificando no terreno, analisamo-las a nível central através da estrutura INCoDe.2030, que tem como foco competências digitais, e o que fazemos é trazer esses exemplos para a visibilidade pública e nacional – para que sejam apresentados publicamente e possam ser replicados noutras regiões do País”.

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O T_CODE é um programa único no País que ensina programação aos alunos com 8 ou mais anos de idade, em ambiente descontraído e de diversão, estimulando a literacia digital, a criatividade e o trabalho em equipa.

No presente ano letivo, o T_CODE envolveu todas as turmas do 3º e 4º anos (27 turmas), 434 alunos, cerca de 30 professores e quatro técnicos do Tagusvalley – Parque de Ciência e Tecnologia. No próximo ano letivo, prevê-se o alargamento deste projeto aos alunos do 2º ciclo das Escolas do concelho de Abrantes.

O projeto educativo abrantino T_CODE foi apresentado ao secretário de Estado para a Transição Digital, André Azevedo no Centro Escolar Maria Lucília Moita, em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Em declarações aos jornalistas, à margem da apresentação, André Azevedo disse que “Abrantes já estava no radar do Ministério e da Secretaria de Estado da Transição Digital, porque conhecemos o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, não apenas neste último ano, mas há vários anos. Aposta forte na tecnologia que não se resume ao contexto escolar”.

Assim, o que leva de Abrantes passa “pela aplicação no contexto escolar desta visão que me parece de futuro; apostar nas crianças, são de facto as próximas gerações que entrarão no mercado de trabalho e têm, o mais cedo possível, ser capacitadas e estimuladas para a importância do digital”.

André Azevedo referiu que na conversa com os alunos do Centro Escolar Maria Lucília Moita, uma das meninas lhe havia garantido ser esta a sua disciplina favorita. Também Guilherme Padinha, um dos alunos do 4º ano, deu o seu testemunho sobre o projeto afirmando ter gostado muito da experiência, manifestando a relevância desta aprendizagem na sua vida futura.

O secretário de Estado leva ainda para Lisboa, “a noção que a abordagem” feita em Abrantes “foi a mais correta: envolver os diferentes parceiros deste tipo de projetos; a autarquia, as escolas, a comunidade escolar, os pais, os alunos”.

O projeto educativo abrantino T_CODE foi apresentado ao secretário de Estado para a Transição Digital, André Azevedo no Centro Escolar Maria Lucília Moita, em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

ÁUDIO | SECRETÁRIO DE ESTADO PARA A TRANSIÇÃO DIGITAL

O secretário de Estado disse acreditar que “este tipo de projetos passe por esta transversalidade e abrangência”, afirmando que a transição digital é uma prioridade quer do Governo quer do Município de Abrantes.

Considera que por via do digital abriu-se uma oportunidade para um país periférico como Portugal “ganhar uma nova centralidade, esbater essa ideia de territórios do interior e territórios do litoral, Nada disso faz hoje sentido!”, afirmou garantindo que o projeto T_CODE de Abrantes “compara com vantagens a muitos projetos” nomeadamente na capital “onde não vejo este tipo de visão, este tipo de ambição”.

André Azevedo enumerou “muitos ingredientes interessantes”, numa lógica que “não se limita a ser uma aula TICE” como referiu o coordenador do projeto, Homero Cardoso. “A capacitação digital tem de ser mais do que um nicho que é dado num cantinho da escola, com meia dúzia de computadores” acrescentou o secretário de Estado concordando com Maria João Galvão, professora do 4º ano da escola Maria Lucília Moita; ou seja “tem que ser apropriado pelo conjunto da comunidade escolar, nomeadamente pelos professores das outras disciplinas para que a mudança do paradigma de ensino e de aprendizagem aconteça, porque é também a experiência que os alunos vão encontrar na vida futura profissional”.

Avançou que já chegaram às escolas computadores com conectividade, embora a professora Maria João Galvão tenha dado conta, aquando da apresentação, de não ter recebido resposta a uma questão colocada ao secretário de Estado. “Mas era suposto já ter recebido!”, afirmou o governante, porque, segundo explicou, “é expectável que todos os participantes no processo educativo, sejam alunos ou professores, tenham uma ferramenta que lhes permita ter uma capacidade de aprender e de ensinar em mobilidade a partir de qualquer sítio, porque sabemos hoje que o contexto escolar, a experiência de aprendizagem não se cinge ao perímetro da escola”.

Independentemente da questão dos equipamentos, sobre o projeto a professora testemunhou a importância do mesmo nos alunos referindo que “é um estímulo para as crianças, desenvolve muito o raciocínio dos alunos”.

O projeto educativo abrantino T_CODE foi apresentado ao secretário de Estado para a Transição Digital, André Azevedo no Centro Escolar Maria Lucília Moita, em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

O Governo, no plano de ação para a transição digital definiu “as pessoas e as competências”, incluindo a “escola digital” e segundo o responsável “passa por um investimento muito expressivo em várias componentes, desde logo a entrega de dispositivos”. Assegura que o executivo entregou 450 mil computadores e kits de conetividade às escolas, mantendo o objetivo de universalização de entrega de computadores a toda a população.

Sobre a situação de professores do Agrupamento de Escolas nº 1 de Abrantes ainda não terem computadores, o secretário de Estado avançou aos jornalistas ter-lhe sido explicado que “não havia computadores para todos e a prioridade foi dada aos alunos”, mas “os computadores chegam em várias tranches e pode ser que esteja ainda para ser entregue à professora. Por isso fiz a pergunta, para perceber o que se passa no terreno, para resolvermos o que não esteja alinhado com as orientações” do Governo, justificou.

A escola digital passa também por “manuais escolares de nova geração que são desmaterializados mas com ferramentas digitais que ajudam o aluno de uma forma mais personalizada. Mas também a componente da capacitação digital dos professores. Se não tivermos a comunidade escolar toda adaptada não basta comprar computadores ou kits de conetividade, é preciso que as pessoas saibam o que fazer com eles”.

O projeto educativo abrantino T_CODE foi apresentado ao secretário de Estado para a Transição Digital, André Azevedo no Centro Escolar Maria Lucília Moita, em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

O secretário de Estado elogiou, ainda, a escolha da faixa etária para o arranque do projeto. “O 3º e 4º ano do primeiro ciclo é uma idade em que as crianças estão muito abertas e com uma grande apetência para aprenderem este tipo de conteúdos e para conseguimos o objetivo referido que é combatermos a ideia do estereotipo de género em que basicamente os meninos vão para computadores e as meninas vão para letras. Não há nenhum condicionamento genético para que seja assim e sabemos hoje que as organizações que contam com mulheres neste tipo de ambientes e de equipas são organizações muito mais competitivas e mais fortes”.

Por seu lado, o presidente da Câmara Municipal de Abrantes afirmou que para a transição digital “precisamos de respostas e do trabalho de todos para que possa acontecer”. Nesse âmbito Manuel Valamatos deu conta da existência de zonas sem rede móvel e de Internet no concelho.

“Há hoje algo que nos preocupa muito! Tem a ver com as autoestradas deste mundo digital. O que é verdade é que num concelho, tão grande como o nosso, ainda temos algumas povoações sem rede e isso deixa-nos fragilizados. E todos temos de tomar conta dessas estradas”, disse, justificando o “investimento enorme” do Município na transição digital.

O projeto educativo abrantino T_CODE foi apresentado ao secretário de Estado para a Transição Digital, André Azevedo no Centro Escolar Maria Lucília Moita, em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Para que o T_CODE siga, com continuidade para outros níveis de ensino “precisamos de equipamentos, precisamos de estradas, um conjunto de estruturas capazes, que existam respostas. E depois precisamos, mas isso temos vindo a fazer, mobilizar a comunidade educativa, sobretudo os professores para se envolverem connosco”.

A abordagem do T_CODE assenta em quatro vetores: facilitação do acesso a conteúdos para a implementação; identificação de recursos de suporte necessários; formação e capacitação de professores, monitores e outros intervenientes; e coordenação, rastreabilidade e visibilidade das ações.

Homero Cardoso explicou que o projeto “contribui de forma direta para um vasto conjunto de Princípios, Competências e Valores integrantes do Perfil dos Alunos à saída de Escolaridade Obrigatória, tais como: a sustentabilidade, o raciocínio e resolução de problemas e a curiosidade, reflexão e inovação”.

Contribui ainda para “a concretização das implicações práticas previstas como resultado da sua prossecução; aborda conteúdos de diversas áreas de saber; associação situações e problemas presentes no quotidiano do aluno com implicações socioculturais e geográficas; recorre a recursos diversificados”, acrescenta o coordenador.

Ou seja, que se assume como uma forma de desenvolver o desejo e a capacidade de produzir conteúdos digitais.

O projeto educativo abrantino T_CODE foi apresentado ao secretário de Estado para a Transição Digital, André Azevedo no Centro Escolar Maria Lucília Moita, em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Há exemplos em que os próprios professores procuram conteúdos com temas específicos e outros são adaptados pela equipa aos que os alunos aprendem na sala de aula. Um trabalho em que a proposta aos alunos é feita com a utilização do software em scratch para identificarem, por exemplo, aves através dos cantos, gerar receitas para sopas, aprender a numeração romana, aprender as tabelas de multiplicação, gerar poesias, entre outros.

O T_Code é um Programa de Acesso Universal às Competências Digitais e é financiado exclusivamente pelo orçamento da Câmara Municipal que tem vindo a assegurar a sua implementação em todas as escolas do Concelho.

Presentes na apresentação estiveram várias entidades do concelho ligadas à área da Educação, incluindo a vereadora Celeste Simão, com o pelouro da Educação, a vereadora Ana Paula Grijó, responsável pelos sistemas de informação, e o diretor do Agrupamento de Escolas nº1 de Abrantes, Jorge Costa.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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