Abrantes | Projeto de alojamento local no centro histórico vence 2ª edição do MoovIdeias

A sede da Tagus – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, em Abrantes, acolheu na quinta-feira 18 de janeiro, a sessão de encerramento da 2ª edição do Concurso de Ideias MoovIdeias. O 1º prémio foi para a ideia ‘Gestão de Alojamento Local’, de Catarina Santos, que recebe como prémio 40 horas de mentoria. A ideia 2ª classificada foi ‘Farmeville’, de Ana Alves. Em 3º lugar ficaram as ideias ‘Natureza Animal’, de Diana Serrano, e ‘Verde SOS’, de António Carvalho.

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A ideia de negócio de Catarina Santos foi a vencedora da 2ª edição do concurso de ideias MoovIdeias. O projeto pretende disponibilizar alojamento turístico mobilado no centro histórico da cidade de Abrantes a preço acessível, idealizado para famílias ou grupos de amigos. A ideia, de reabilitar uma casa oferecendo três unidades de tipologia T1, pretende ainda a valorização de recursos, tendo como fator diferenciador a intenção de estabelecer parcerias com produtores locais, disponibilizando assim produtos da região para venda e à mesa do pequeno-almoço.

“A ideia surgiu de uma lacuna existente em Abrantes. Há alojamento mas não com estas características. E da consciência que temos quando saímos para fora, gostamos de ficar em casas em vez de hotéis” explicou ao mediotejo.net Catarina Santos.

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O projeto mereceu uma candidatura ao SI2E (Sistema de Incentivos ao Empreendedorismo e ao Emprego) e contou com apoios ao nível das políticas de regeneração urbana e incentivos de natureza fiscal.

“Decidimos avançar com esta proposta e com a criação deste alojamento no centro histórico situado num local muito privilegiado”, referiu a promotora.

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Sendo três unidades “a dos rés do chão ficará preparada para receber pessoas com mobilidade reduzida. As duas de cima terão acesso a um pátio com vista para o Castelo e para o rio Tejo e cada uma das casas ficará preparada para alojar quatro pessoas”, concluiu.

Conceição Pereira com a vencedora Catarina Santos na sessão de encerramento da 2ª edição do Concurso de Ideias MoovIdeias

A ideia premiada em segundo lugar pertence a Ana Alves. ‘Farmville’ é um projeto que pretende criar um espaço aberto ao fim-de-semana para acolher crianças e de inter-relação pais/filhos, com atividades lúdicas, animais e contacto com a natureza. Também dirigido a escolas no sentido de ajudar à aquisição de conhecimentos, para visitas de estudo e festas de aniversário. Quatro hectares de propriedade na zona do Marco, entre Alferrarede e Sardoal.

No terceiro lugar couberam dois projetos: a ‘Natureza Animal’ de Diana Serrano, do Pego, e ‘Verde SOS’, de António Carvalho, de Abrantes.

O primeiro projeto pretende oferecer os melhores serviços da região Centro no que toca a alojamento para animais de estimação, com cuidados de higiene, transporte, reabilitação e fisioterapia, treino e workshops.

O segundo trata-se de um projeto de limpeza e manutenção de pequenas e grandes propriedades, trabalhando para o ordenamento do território e a prevenção contra incêndios.

“Todos temos a perceção de que o nosso desenvolvimento económico e social já não se faz com grande empresas, com entidades que criem muitos postos de trabalho e com isso acrescentem valor à nossa economia. Hoje o nosso modelo de desenvolvimento económico enquanto país e enquanto sociedade é baseado em pequenos projetos de proximidade que queiram resolver problemas às pessoas” disse Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara Municipal de Abrantes e presidente da TAGUS.

No total foram 14 os promotores iniciais nesta 2ª edição do MoovIdeias, chegando sete ideias à última fase, terminando o processo, oriundas maioritariamente dos concelhos de Abrantes e Sardoal. Os restantes três projetos que não alcançaram os três primeiros lugares pertencem a Celina Filipa, de São Facundo, com a ideia de criar a ‘Residência Felizidade’ para idosos; Oscar Nazareth, de Goa, mas com ligações a Sardoal, apresentou a ideia de produção de licores; e Sofia Torcato pretendia abrir uma gelataria/cafetaria em Mouriscas.

“Sete não querem dizer que foram de insucesso. Tem de ser assim mesmo. Todos temos de saber o risco que corremos, não podemos ter medo do risco, temos de assumir o fracasso daquilo que são as nossas ideias, projetos, aprender com aquilo que correu menos bem, potenciar o que corre bem para podermos continuar a lutar todos pelo grande objetivo que é o futuro”, acrescentou Maria do Céu Albuquerque felicitando todos quanto participaram na iniciativa.

Maria do Céu Albuquerque com Ana Paula Remédios e Conceição Pereira na sessão de encerramento da 2ª edição do Concurso de Ideias MoovIdeias

A TAGUS – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior – “optou por premiar as sete ideias com um prémio muito interessante, não estando em causa o valor monetário mas o impacto que tem para nós território uma vez que lhes foi entregue uma peça de artesanato, uma pasta de pele feita por um artesão do território de Abrantes, Constância, e e Sardoal” disse a coordenadora daquela entidade, Conceição Pereira.

O júri reuniu e “analisou um conjunto de fatores previstos no processo de candidatura e desse conjunto de indicadores que variavam desde a solidificação do projeto, do seu futuro até à assiduidade do participante, chegou-se à conclusão que embora sejam três prémios, o terceiro tem dois participantes”, sustentou.

Ao primeiro prémio, além da pasta e do certificado de participação com menção às 50 horas para efeitos de currículo, foi ainda entregue um prémio de “40 horas de mentoria que vão ser inteiramente aplicadas às necessidades do projeto.

O prémio do segundo lugar foi um livro relacionado com as áreas de gestão, empreendedorismo, viradas para o negócio. Os outros dois participantes receberam também um livro sobre motivação e gestão. Foi postura da TAGUS premiar os participantes com prémios que fossem produtivos para a implementação do negócio” considerou Conceição Pereira.

Este é um concurso de ideias –  promovido pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT) sendo esta 2ª edição dinamizada pela TAGUS – que se encontra associado a um programa de aceleração e o objetivo é selecionar projetos para integrarem um programa composto por cinco sessões dedicadas aos temas “Atitude empreendedora”, “Modelo de negócio”, “Validação do modelo de negócio – MPV”, “Relação com o cliente e a preparação para o investimento” e “Plano de negócios e Pitch final”.

Os resultados esperados passam pela criação de postos de trabalho, existência de novas empresas no Médio Tejo e fixação de população na região.

Segundo a coordenadora da TAGUS, as metodologias aplicadas, combinam instrumentos utilizados em programas de aceleração de referência internacional, com metodologias e ferramentas focadas na partilha de conhecimento de forma estruturada, conduzindo os empreendedores a explorarem ideias e novos modelos de negócio, validando a viabilidade dos mesmos.

Deste modo, minimiza-se o risco de apostas em projetos não sustentáveis, fomentando a criação de empresas sustentáveis e competitivas que contribuam para estimular a economia regional. No fim do programa, os projetos que evoluíram a partir de ideias são apresentados a um júri, premiando-se as três ideias de negócio com melhor classificação.

Na primeira edição foram apresentadas 12 ideias de negócio, sendo a empresa Recadex, do empreendedor Licínio Neto, a vencedora.

O Concurso é uma iniciativa do projeto “Médio Tejo – Vive o Empreendedorismo”, financiado pelo Programa Operacional Regional do Centro (Centro 2020), através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.

Presentes também no evento a presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT), Maria do Céu Albuquerque (que também preside à Câmara de Abrantes, Ana Paula Remédios (CIMT), Sérgio Lorga, da BTEN – Business Consultants, Artur Fernandes da Single Code e Miguel Henriques, ex-presidente da FNABA – Federação Nacional Business Angels.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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