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Segunda-feira, Janeiro 24, 2022
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Abrantes | Problema crónico agudiza-se com oito mil utentes sem médico de família (c/áudio)

São atualmente perto de 8.000 os munícipes abrantinos sem médico de família. O número foi avançado esta semana pela vereadora com o pelouro da saúde da Câmara de Abrantes, Raquel Olhicas, que sublinha a vacinação e o crescimento das aposentações dos profissionais de saúde como fator que agrava a insuficiência crónica de médicos, assim como de profissionais de enfermagem.

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“É uma situação crónica”, começou por referir Raquel Olhicas, vereadora socialista responsável pela área da saúde no Município de Abrantes, dando conta que a crise que se vive ao nível de médicos de família a nível nacional não é exceção nem no Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo nem em Abrantes.

Com um total na ordem do milhão e cem mil utentes sem médico de família a nível nacional, Raquel Olhicas admite que as aposentações, que “estão a acontecer com mais evidência”, são uma das agravantes do problema no caso concreto de Abrantes.

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“Este ano reformaram-se quatro médicos – dois dos quais o ACES do Médio Tejo em articulação com o Município de Abrantes conseguiu que continuassem a prestar serviços em Alvega e Alferrarede, estão a alocar 20 horas aos nossos utentes – e temos duas médicas em prestação de serviços”, disse a vereadora em sessão do executivo na terça-feira, na sequência de uma proposta relativa a cuidados de saúde primários apresentada pelo vereador Vasco Damas (ALTERNATIVAcom) – que acabou por ser chumbada.

“Os médicos existentes, sobretudo na UCSP de Abrantes, são manifestamente insuficientes para as necessidades dos utentes e tudo isto reflete uma percentagem ainda significativa de utentes sem médico de família”, disse ainda Raquel Olhicas, avançando com um número de 8.000 utentes atualmente sem acesso a médico de família no concelho.

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“É grande esta percentagem, mas muitas das situações referem-se ao aumento das inscrições relativamente ao processo de vacinação. Sabemos que alguns utentes não eram frequentadores do SNS e, tendo em conta esta situação da vacinação da Covid-19, fizeram com que fossem frequentadores e aumenta um bocadinho. Não é que necessitem efetivamente de cuidados no nosso sistema mas recorrem ao processo de vacinação – portanto, estes 8.000 provavelmente não refletem as necessidades dos 8.000”, afirmou.

ÁUDIO | Raquel Olhicas, vereadora da CM Abrantes:

Admitindo um contacto assíduo com o ACES Médio Tejo para a resolução da falta de recursos humanos – tanto a nível de enfermagem como de médicos – a responsável deixa a mensagem de que, apesar de esta ser uma situação crónica, existe “tendência a melhorar com a minimização do impacto da pandemia, assim esperemos, e vamos mantendo esta sinergia que é o nosso apanágio”.

“Não conseguimos criar médicos de um momento para o outro, não temos varinhas que os formem. (…) Não conseguimos, efetivamente, colocar aqui médicos em tempo real”, disse ainda, apelando a que se aguarde por desenvolvimentos favoráveis nesta matéria.

Abrantina com uma costela maçaense, rumou a Lisboa para se formar em Jornalismo. Foi aí que descobriu a rádio e a magia de contar histórias ao ouvido. Acredita que com mais compreensão, abraços e chocolate o mundo seria um lugar mais feliz.

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