Abrantes | Presença de autarca de Rio de Moinhos em reunião de Câmara incomoda executivo

Rui André na reunião de Câmara Municipal de Abrantes. Créditos: mediotejo.net

O presidente da Junta de Freguesia de Rio de Moinhos esteve presente na última reunião pública de Câmara de Abrantes levando quatro questões que considera “pertinentes” para a sua freguesia: alcatroamento, vistoria, obras de requalificação, e estudo sobre excesso de velocidade. Mas o presidente da Câmara não gostou por considerar não ser a reunião de executivo o lugar indicado para os presidentes de Junta colocarem questões e receberem soluções. O autarca de Rio de Moinhos justificou aquele recurso com “dois anos de espera”.

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Estalou o verniz. Depois de oito meses de Manuel Valamatos à frente da Câmara Municipal de Abrantes, o presidente da Junta de Freguesia de Rio de Moinhos decidiu não esperar mais e foi, esta terça-feira, à reunião de Câmara pedir “um ponto de situação” relativamente a quatro questões que apelida de “situações pertinentes” para a sua freguesia. Mas o presidente da Câmara, Manuel Valamatos (PS), considerou “sem sentido” a presença de Rui André enquanto autarca por ser um espaço para o cidadão comum, longe do “local certo para o presidente colocar questões” relativas à atividade da Junta de Freguesia.

Para o presidente da Câmara, Rui André, eleito pelo MIFRM – Movimento Independente da Freguesia de Rio de Moinhos, age “ao revés do que é aceitável! Tem todo o tempo do mundo para falar com o presidente de Câmara, tem um Gabinete de Apoio às Freguesias e não me parece correto este tipo de abordagem a não ser que traga uma situação de uma especificidade enorme que ultrapasse aquilo que é a relação institucional privilegiada que o senhor tem entre a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia[…] Pediu alguma reunião comigo?”, questionou Manuel Valamatos.

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Rui André admitiu não ter solicitado qualquer reunião mas notou que espera há dois anos por soluções. “Quando as respostas não chegam a tempo e horas […] não me interessa só um bom relacionamento [institucional] mas solução para apresentar aos meus fregueses”, justificou.

Rui André na reunião de Câmara Municipal de Abrantes. Créditos: mediotejo.net

E insistiu solicitando ao executivo “respostas concretas e não diluídas no tempo”. Assim, quis saber para quando o alcatroamento do espaço da casa demolida em janeiro de 2018 (junto do adro da Igreja matriz de Rio de Moinhos), e questionou sobre a vistoria a uma casa devoluta localizada em frente às instalações da Junta de Freguesia de Rio de Moinhos (a mesma foi adiada por falta de confirmação do proprietário na respetiva vistoria). Rui André disse que “a referida casa está em péssimas condições de salubridade, já se encontraram animais tais como ratos e cobras” e deu conta que a Junta enviou uma reclamação para a Câmara em agosto de 2018.

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Quis também saber para quando as obras de requalificação da casa pertencente à Câmara Municipal a fim de realojar uma família de etnia cigana (habitação social), “este assunto está em cima da mesa desde do início de 2017 com a promessa do executivo da época em avançar com esse realojamento social”, explicou, e solicitou ainda um estudo para solucionar o excesso de velocidade dentro da aldeia e na estrada Rio de Moinhos – Pucariça (em vários pontos e junto do Centro Escolar).

“Este assunto já foi levantado por este executivo por várias vezes e no Conselho Municipal de Segurança (por duas vezes). Antes que algo aconteça, queremos em colaboração com os serviços de trânsito encontrar uma solução mas para isso temos de iniciar este procedimento”, frisou Rui André, que quer “maior rapidez na solução dos problemas”.

Após a intervenção do autarca de Rio de Moinhos, Manuel Valamatos avançou com uma solução para o alcatroamento do espaço da casa demolida junto do adro da Igreja matriz de Rio de Moinhos, uma intervenção que segundo Rui André rondará os 50 mil euros e que o presidente da Câmara garantiu transferência de verba através de contrato interadministrativo para 2020. Trata-se de uma delegação de competências na Junta de Freguesia, no sentido de executar diversas intervenções no território. Essa garantia foi reforçada em reunião que decorreu no dia seguinte sendo que a Junta de Freguesia assumirá entre 5% e 10% da obra, explicou Rui André ao mediotejo.net.

Quanto ao trânsito “também no âmbito dos contratos interadministrativos podemos colocar duas ou três lombas. Estudamos essa possibilidade com o serviço de trânsito”, avançou ainda o presidente da Câmara durante a reunião de executivo.

No entanto, esse ponto não foi focado na reunião com o presidente da Junta de Freguesia de Rio de Moinhos, esta quarta-feira, comprometendo-se Manuel Valamatos com uma resposta por escrito, “mais técnica”, justificou. “São assuntos que estamos a tratar. Como sabe não foram promessas minhas nem deste executivo mas nunca me desresponsabilizei pelo cargo que exerço”, concluiu o presidente da Câmara Municipal.

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