Abrantes | Prémio Food Fab Lab desafia a criar alimentos inovadores

Pedro Saraiva e João Gomes, vice-presidente da Câmara Municipal de Abrantes

O Tagusvalley, Parque Tecnológico do Vale do Tejo, em Abrantes, já apresentou a segunda edição do prémio ‘Food Fab Lab’, destinado a quem tem um produto alimentar inovador e queira testá-lo, ou a quem queira criar um negócio alimentar. A apresentação foi conduzida pelo diretor executivo da Tagusvalley, Pedro Saraiva, e pelo vice-presidente da Câmara Municipal de Abrantes, João Gomes. O Pimento Agridoce, de Paula Val, também esteve presente na apresentação, como vencedor da edição do ano passado. Presente esteve ainda Higínio Gonçalves que conquistou o prémio na categoria ‘Potencial de Mercado’ com o Caco de Fátima.

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O prémio Food Fab Lab quer atrair mais concorrentes que apresentem produtos alimentares inovadores. Foi com esse objetivo que a entidade dinamizadora do concurso Food Fab Lab apresentou no final de julho a sua segunda edição, divulgando um conjunto de recursos humanos e técnicos vocacionados e orientados para apoiar os pequenos produtores da região e do País.

“Se olharmos para a edição de 2017, ao dispor do mundo” acrescentou o diretor executivo do Tagusvalley, Pedro Saraiva, ao recordar que à primeira edição chegou um concorrente do Brasil.

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E para aliciar os concorrentes a inovar e a laborar numa unidade de produção partilhada, o Tagusvalley coloca três questões: “Tem um produto alimentar inovador? Quer criar o seu negócio alimentar? Quer testar o seu produto?”. Se for o caso, poderá ser o momento para arriscar.

Paula Val e o seu Pimento Agridoce

Paula Val, residente em Abrantes, arriscou com o seu Pimento Agridoce e conquistou o júri com um produto “ideal como entrada”, considera. Sugere que seja acompanhado de “queijo de cabra ligeiramente aquecido. Acompanha bem carne grelhada ou salgados. Não é um doce para comer com tostas e tem a textura de um chutney” explicou.

Com gosto pela cozinha, decidiu concorrer com um produto diferente. Acredita que “dentro de dois, três meses estará no mercado”. Paula assinou dois contratos no mesmo dia da apresentação da segunda edição do concurso. Um para a utilização das instalações no Centro de Transferência de Tecnologia Alimentar INOV’LINEA e outro para a criação da sua empresa com licenciamento industrial e rotulagem do produto, que sairá pronto para o mercado. Agora aguarda resposta de um possível interessado no Pimento Agridoce para a composição de cabazes de Natal.

Apesar do prémio Food Fab Lab que oferece utilização de um espaço industrial pré-licenciado e com pré-requisitos das instalações implementados, dos equipamentos e utensílios base, do apoio na preparação do processo de licenciamento da atividade, Paula Val refere “algum investimento financeiro” para levar adiante o negócio de transformação alimentar.

Durante a degustação do produto que venceu a 1ª edição do prémio Food Fab Lab; Pimento Agridoce

“O estudo de validade do produto não está incluído no prémio. É preciso comprar frascos e os pimentos que não são baratos” embora já tenha o contacto de um produtor local, revela. Ainda assim não desiste da ideia de comercialização. A marca está pensada mas ainda no segredo dos deuses. Após a criação do logotipo seguir-se-á o registo da marca. Paula tem “mais produtos pensados e experimentados” sem decisão tomada sobre uma candidatura à segunda edição do Food Fab Lab, mas será por certo um produto diferenciador.

Aberto a qualquer pessoa a título individual ou empresa o concurso visa premiar novos produtos que possam dar resposta aos desafios e atuais tendências de consumo. Os produtos serão avaliados em três categorias com a atribuição de prémios pelo seu caráter inovador, potencial de mercado e paladar.

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A inovação, a degustação e o potencial de mercado, são então os três critérios avaliados, saindo vencedor com o principal galardão o produto que mais se destacar no conjunto de todas as categorias. Inovação, tendo em conta a criatividade e originalidade do produto, potencial de mercado, avaliando a sua viabilidade de produção e comercialização a nível empresarial, e degustação, critério realizado através de análise sensorial.

Apresentação da segunda edição do prémio ‘Food Fab Lab’

Presente no lançamento da segunda edição do concurso, o vice-presidente da autarquia de Abrantes, João Gomes, destacou a mais-valia que representa “um investimento ao dispor de qualquer pessoa, de qualquer ponto do País com uma equipa técnica adequada que orienta os vencedores em todo o processo”de transformação alimentar até o produto estar pronto a colocar no mercado.

Higínio Gonçalves, promotor do Caco de Fátima, encontra-se comercialmente estabelecido na Estrada de Minde, agora Avenida dos Pastorinhos, em Fátima, onde oferece “sabores caseiros madeirenses”. Aliás, diz ao mediotejo.net que o bolo de caco da Madeira vendido no seu estabelecimento comercial é um produto marca Madeira, certificado pelo Governo Regional. Além do Caco de Fátima e do Bolo de Caco da Madeira vende empanadas, pão com chouriço e afins.

Natural da ilha da Madeira, estabeleceu-se há três anos em Fátima. Pensou “tratar-se de um ponto de passagem de pessoas de vários países, em visita à Nossa Senhora” sentindo a “necessidade de mostrar a Madeira a essas pessoas”.


Higinio Gonçalves, promotor do Caco de Fátima

O Caco de Fátima é então confecionado a partir do bolo de caco original, “trabalhado numa placa de pedra, que lhe confere um sabor único, ao qual acrescentou produtos originais da região de Fátima como o azeite e as azeitonas”, explica. A sua presença, como concorrente no Food Fab Lab, aparece como um desafio para fazer algo que encaixasse a Madeira e o Ribatejo. Aceitou pelo repto e “pelo gosto de modificar as coisas”. O Caco de Fátima, apresentado em duas versões: de azeitona preta e de azeitona verde, “levou praticamente um mês para analisar”.

Os prémios somam um valor total de 7.300 euros, para a apresentação de novos produtos alimentares. Os promotores dos produtos premiados recebem 2800 euros, no caso do Prémio Food Fab Lab e 1500 euros cada no caso dos restantes prémios, em serviços do Tagusvalley.

Os prémios dão acesso, nomeadamente, à utilização do Food Fab Lab no Centro de Transferência de Tecnologia Alimentar INOV’LINEA, um espaço pré-licenciado de uso partilhado para a produção de produtos alimentares, apoio técnico nas áreas do licenciamento, rotulagem, obrigações legais, processo produtivo, uma análise sensorial de aceitação, uma análise sensorial de preferência e acompanhamento no desenvolvimento do modelo de negócio.

Para concorrer, basta preencher o formulário de candidatura online preenchido no site do Tagusvalley até 08 de outubro de 2018, e entregar o produto para prova sensorial de 09 de outubro a 13 de outubro de 2018. Cada candidato pode realizar duas candidaturas.

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Caco de Fátima conquistou o prémio na categoria ‘Potencial de Mercado’

 

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