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Terça-feira, Dezembro 7, 2021
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Abrantes | População admite recorrer a Tribunal para que Bispo reintegre padre José da Graça (C/VIDEO)

Cerca de três centenas de cidadãos marcaram presença no sábado, dia 03 de agosto, em duas reuniões de apoio ao padre José da Graça e onde aprovaram um documento que apela à Igreja para a reintegração imediata do religioso, de 76 anos de idade e com 34 anos ligado às paróquias de Abrantes, depois de o cónego, condenado em tribunal, ter sido dispensado de funções pela Diocese de Portalegre-Castelo Branco.

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Nas duas reuniões que decorreram em dois locais da cidade de Abrantes, uma no hotel da cidade, outra no salão paroquial de Chaínça, foi dado a conhecer o conteúdo de duas cartas de apelo à reversão da decisão de dispensa do Cónego José da Graça enviadas ao Bispo da Diocese de Portalegre-Castelo Branco e ao Cardeal Patriarca de Lisboa, datadas de 31 de julho, foi aprovado um pedido de audiência urgente com o Bispo da Diocese, D. Antonino Dias, e a decisão de “recorrer ao direito canónico” se as pretensões não forem atendidas.

“Este é um movimento de pessoas individuais de apoio ao cónego, tanto na sua obra como na sua dignidade, porque o senhor Bispo, com esta decisão, não só afetou a dignidade do cónego José da Graça como afetou a dignidade da comunidade abrantina e é isso que queremos reverter e que o padre possa voltar a exercer nas suas paróquias”, disseram Domingos Chambel e Marli Esteves, dois dos representantes do movimento “MOSAR-CJG “(Movimento Social de Apoio e Reconhecimento ao Cónego José da Graça).

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Abrantes l população reúne para decidir ações de apoio ao padre José da Graca

Publicado por mediotejo.net em Sábado, 3 de agosto de 2019

“Não podemos deixar passar em branco o facto do senhor Bispo não ter ouvido a comunidade e vamos fazer tudo (…) para que, pacificamente, possamos encontrar uma solução e para que não sejamos obrigados a recorrer ao direito canónico”, afirmou Domingos Chambel, tendo feito notar que tal situação “obrigará a hierarquia a ouvir a sociedade civil e ficará com informação mais rica para poder decidir em consonância”.

“A grandeza de uma vida dedicada à nossa comunidade, consubstanciada numa obra magnânime não pode acabar reduzida à comunicação da sua dispensa por um simples e-mail, decisão esta que não aceitaremos porque é injusta conforme o Digníssimo Bispo reconhece ao louvar a obra social e pastoral do Senhor Cónego, porque não refere uma única causa para remover o pároco das nobres e louváveis funções reconhecidamente desempenhadas, e porque o Digníssimo Bispo só ouviu uma minoria pretensamente delatora, não curando de escutar quem o informasse acerca do sentimento da maioria da comunidade, não tendo mesmo consultado o Conselho Pastoral”, pode ler-se na carta enviado ao Bispo da Diocese.

Cerca de três centenas de cidadãos marcaram presença no sábado, dia 03 de agosto, em duas reuniões de apoio ao padre José da Graça e onde aprovaram um documento que apela à Igreja para a reintegração imediata do religioso. Foto: mediotejo.net

O sacerdote, de 76 anos, foi condenado em 12 de junho a cinco anos de prisão, com pena suspensa por igual período, pelos crimes de burla qualificada, burla tributária e falsificação de documentos, num esquema que terá lesado o Estado em cerca de 200 mil euros através do Centro Social Interparoquial de Abrantes, instituição da qual era presidente. O padre recorreu da decisão do Tribunal Judicial de Santarém.

Questionada sobre se a decisão do Tribunal não pesou na decisão do Bispo, Domingos Chambel disse que o movimento MOSAR-CJG “é paralelo à justiça jurídica” dos tribunais.

“Neste caso, o nosso conceito de justiça é muito diferente do conceito de justiça dos tribunais, sendo o padre José da Graça um exemplo máximo de seriedade, verticalidade e honestidade”, afirmou. Marli Esteves lembrou, por sua vez, a “presunção de inocência” e disse que “não há uma transição em julgado” de uma sentença que está a ser alvo de recurso por parte do cónego José da Graça.

Reunião no salão paroquail de Chaínca juntou cerca de uma centena de fieís. Foto: DR

“Se o motivo da dispensa foi o envolvimento na justiça, o Senhor cónego, até que o acórdão transite em julgado, tem presunção de inocência. Acresce que, neste caso, a justiça que a nossa comunidade pretende ver realizada não coincide, mas também não colide com a dos tribunais: o que a Comunidade Abrantina pretende é que a Diocese julgue o valor da obra do Sr. Cónego José da Graça. Aos Tribunais o que é dos Tribunais e à Diocese o que é da Diocese”, pode ler-se na missiva dirigida ao Bispo D. Antonino Dias.

No mesmo documento pode ler-se que “a retirada do Sr. Cónego José da Graça, deve ser natural, e, quando a mesma ocorrer, deve sair pela porta grande, tão grande como o trabalho desenvolvido durante uma vida inteira, desinteressadamente vivida em prol da nossa comunidade”.

Reunião no auditório do hotel de Abrantes juntou quase duas centenas de pessoas. Foto: mediotejo.net

Na carta dirigida ao Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, o movimento MOSAR-CJG escreve que “a decisão, que foi tomada” (…) pelo actual Bispo da Diocese de Portalegre – Castelo Branco, “é extemporânea, inesperada e desadequada à realidade abrantina, apanhando de surpresa todos os cristãos que tiveram o privilégio de privar com o Sr. Cónego José da Graça”.

“Cremos que tal resolução terá tido como base a condenação, não transitada em julgado, do Sr. Cónego, todavia, e respeitando um princípio basilar da Constituição da República Portuguesa, há que respeitar, integralmente, o princípio da presunção da inocência”, defende o movimento.

“Independentemente da decisão judicial, o Sr. Cónego José da Graça goza de autoridade moral para continuar a exercer o seu múnus, que realiza em Abrantes e é do interesse da comunidade eclesial, bem como da sociedade envolvente, que permaneça em funções” refere o movimento, tendo escrito ainda que “os devotos abrantinos acreditam veementemente na versão que o Sr. Cónego apresentou e defendeu em Tribunal”.

Marli Esteves e Domingos Chambel, os rostos mais visiveis de um movimento espontâneo em defesa do Cónego José da Graça. Foto: mediotejo.net

Nesse sentido, o MOSAR-CJG recorda que, n”o Cân. 193, do Direito Canónico, em vigor, dispõe-se que ninguém pode ser removido do ofício que lhe foi conferido por tempo indeterminado senão por causas graves e observado o modo de proceder estabelecido pelo direito. Ter-se-ão cumprido os Cânones 1742, 1744?”, questiona.

“Rogamos a S. Ex.ª que, de acordo com o disposto no § 2 do Cânone1733, determine à Conferência Episcopal, a que S. Ex.ª preside, a constituição de um Ofício ou de um Conselho que sugira uma solução equitativa para o caso ora apresentado e levado ao Seu conhecimento”, conclui.

Foto: mediotejo.net

Contactado pela Lusa, o bispo de Portalegre-Castelo não respondeu se a decisão da dispensa do padre José da Graça naquelas paróquias estava diretamente relacionada com o processo em tribunal, tendo remetido para um comunicado da diocese intitulado “razões da decisão”.

No documento, publicado no ‘site’ da diocese, o bispo refere que a decisão foi tomada “em consciência e não de ânimo leve”, que “ouviu todos os interessados” e que “as decisões tomadas nem sempre agradam a todos, tendo optado pela que lhe “pareceu melhor para a missão da Igreja”.

Contactado pela Lusa, o padre José da Graça afirmou que foi “apanhado de surpresa” com o seu afastamento das paróquias da cidade de Abrantes – São Vicente e São João -, onde esteve 34 anos, considerando que a decisão “está ligada ao processo” que teve em tribunal.

“Limito-me a aceitar a decisão, mas fui apanhado de surpresa e fiquei surpreendido até porque houve uma sentença, mas há também um recurso a decorrer”, declarou o cónego, que alega inocência.

c/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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