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Memória: Ponte teve portagem durante 75 anos

Sabia que a ponte entre o Rossio e Abrantes conta já com 145 anos de vida? E que nos seus primeiros 75 anos, os utentes tinham de pagar portagem? E que chegaram a registar-se desacatos pelo pagamento dessa portagem numa ponte que, na altura, não se encontrava em condições?

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A história da travessia entre as margens de Abrantes e de Rossio ao Sul do Tejo remonta à Idade do Bronze. A necessidade de circulação de pessoas e mercadorias fez com que se tenham construído algumas pontes de barcas entre as duas margens do rio Tejo, em Abrantes, que, por terem uma estrutura frágil, acabavam por desaparecer rapidamente. Aquela cujos vestígios monumentais podem ainda hoje ser visitados, é a ponte de barcas que tinha uma finalidade militar e que foi projetada pelo Coronel Engenheiro Manuel de Sousa Ramos, do Real Corpo de Engenharia, corria o ano de 1822. Os pilares desta ponte que são ainda visíveis estão na margem do Tejo no Rossio e são conhecidos por “mourões”.

A autora Teresa Aparício, no seu livro “Memórias das Pontes”, refere que esta ponte de barcas “foi construída perto da atual e era tecnicamente avançada para a época. A sua utilização demorou, ao que parece, apenas cinco anos, tendo sido a estrutura de madeira destruída pelas cheias e pela falta de manutenção”.

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É em 1858, mais concretamente a 26 de junho, que o então presidente da Câmara de Abrantes, Joaquim Rodrigues Ferreira, apresenta o projeto de construção de uma ponte rodoviária segundo “o sistema americano”, elaborado por João Ferreira Mouzinho, engenheiro director das obras públicas do distrito, a construir entre a vila de Abrantes e o Rossio ao Sul do Tejo, conforme refere o livro “Cronologia de Abrantes no séc. XIX”, da autoria de Eduardo Campos.

Em Abril de 1868, a construção da atual ponte rodoviária é adjudicada a uma sociedade francesa
Em abril de 1868, a construção da atual ponte rodoviária foi adjudicada a uma sociedade francesa

Sendo esta uma obra de grande envergadura e que dependia do governo central, as obras de construção da ponte entre o Rossio ao Sul do Tejo e Abrantes só começariam 10 anos depois. Foi a 16 de abril de 1868 que a empreitada foi adjudicada à sociedade francesa Jean François Cail & Cª de Fives – Lille, pela quantia de 113.200$00 réis.

Durante a construção da nova estrutura, mais precisamente em abril de 1869, ocorrem alguns tumultos entre os cerca de 400 trabalhadores empregados na construção da ponte na sequência do diretor da obra se recusar a conceder-lhes sesta durante este mês.

Dois anos depois do início da construção da ponte, que esteve sob a responsabilidade do engenheiro francês Augusto Cazau, a nova infra-estrutura foi inaugurada, a 15 de maio de 1870. A este acontecimento assistiram cerca de 8 mil pessoas, refere Eduardo Campos no livro “Cronologia de Abrantes no séc. XIX”.

Nos 75 anos seguintes da sua existência, a ponte rodoviária de Abrantes foi explorada em regime de concessão e portajada. Os utentes pagavam 1 centavo para poderem atravessar a ponte. Só em 1945 a ponte entre Abrantes e o Rossio passa para as mãos do Estado.

portagem
Bilhete de portagem, final do século XIX

No livro “Memórias das Pontes”, Teresa Aparício faz referência a um episódio passado 14 anos após a construção da ponte, em que se registaram desacatos junto à casa da portagem porque a população estava revoltada por ter de pagar para atravessar uma ponte que já se encontrava danificada. Em 1884, a imprensa regional noticiava que fora solicitado a um dos gerentes da ponte que viesse observar o seu mau estado, sobretudo da madeira. A ponte era já “um perigo e uma vergonha”. “Foi depois objecto de alguns arranjos mas a portagem continuou, apesar de muitos protestos e das petições que se seguiram, tendo sido abolida apenas na década de 40 do séc.XX, na sequência da sua entrega ao Estado”, refere Teresa Aparício.

Antes de atingir os 100 anos de existência, o tabuleiro da ponte rodoviária foi alargado, com projeto do famoso engenheiro Edgar Cardoso.

Ao longo da sua vida, esta infra-estrutura sofreu a força e a pressão que o Tejo exercia na altura das cheias. Aliás, em 1979 ocorre a maior cheia de que há registo, em que o caudal do rio atingiu a estrutura metálica, tendo destruído um dos cabos de sustentação da ponte, deixando a estrutura em risco de cair. As reparações necessárias foram feitas e ponte continua a cumprir a sua missão de unir as duas margens do Tejo, sempre com muita afluência de trânsito, especialmente de veículos pesados e de mercadorias.

O desgaste da estrutura levou a que a Estradas de Portugal, empresas responsável pela manutenção da ponte de Abrantes, arrancasse com obras de reparação e consolidação em agosto de 2014, que deverão terminar em fevereiro de 2016.

Entrou no mundo do jornalismo há cerca de 13 anos pelo gosto de informar o público sobre o que acontece e dar a conhecer histórias e projetos interessantes. Acredita numa sociedade informada e com valores. Tem 35 anos, já plantou uma árvore e tem três filhos. Só lhe falta escrever um livro.

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