Abrantes: Ponte respeita ou não as pessoas com mobilidade reduzida?

foto: mediotejo.net

A reabertura ao trânsito da ponte que liga Abrantes ao Rossio ao Sul do Tejo no final do passado mês de abril foi encarada com alívio pelos muitos condutores que aguardavam o anúncio final desde novembro de 2015. Atravessar o rio Tejo de carro voltou a fazer-se sem constrangimentos, mas Bloco de Esquerda e Infraestruturas de Portugal divergem quanto a uma questão: e como passa quem pretende fazê-lo a pé, de cadeira de rodas ou com um carrinho de bebé?

PUB

As obras de requalificação da ponte que liga as duas margens do rio Tejo em Abrantes tiveram início em setembro de 2014, perspetivando-se a sua conclusão cerca de dois anos depois. Os atrasos na obra orçada em 2,9 milhões de euros foram-se sucedendo, com a circulação rodoviária a efetuar-se de forma alternada até chegar a notícia no final do passado mês de abril.

O tabuleiro da ponte metálica entre Abrantes e Rossio ao Sul do Tejo voltava a funcionar sem constrangimentos significativos para os automobilistas. Segundo Armindo Silveira, deputado municipal do Bloco de Esquerda, o mesmo não aconteceu para as pessoas com mobilidade reduzida, levando à apresentação de uma moção “em defesa da mobilidade pedonal na ponte” durante a última sessão da Assembleia Municipal de Abrantes.

PUB

O documento refere a redução da mobilidade devido à “implantação de candeeiros e pela colocação de rails de proteção em plena área pedonal”, indicando que as medições realizadas numa visita ao local confirmam não ser permitida “a passagem a algumas cadeiras de rodas e carrinhos de bebé” e não são respeitados os 1,20m de largura mínima dos passeios, estipulada pelo Decreto Lei n.º 163/2006 de 8 de Agosto. A exceção indicada no n.º 4.3.3, 0,8m, é considerada “insuficiente”.

A moção indica que no lado norte a largura do passeio pedonal, a montante, tem “uma largura que varia entre 67 e 73 cm” e, a jusante, “onde se situam os candeeiros, tem valores entre 52 e 62 cm”. No lado sul, as medidas apresentadas variam “entre 64 e 77cm”. Como termo de comparação é apresentada a largura mínima de uma cadeira de rodas, “58cm”.

PUB

Os valores apresentados em comunicado pela Infraestruturas de Portugal são outros, indicando que “os passeios na Ponte metálica de Abrantes têm 0,60m livres no lado poente e 0,80m livres no lado nascente”, estando “garantida” a travessia das pessoas com mobilidade reduzida através do passeio “do lado nascente”.

Segundo esta entidade, o passeio em questão “possui espaço livre bastante de modo a permitir a passagem de cadeiras de rodas” e cumpre “com o estipulado na legislação”, em referência ao Decreto Lei n.º 123/97 de 22 de maio, “que determina como largura mínima absoluta dos acessos para utilização por pessoas com mobilidade condicionada, precisamente os 0,80m existentes”. O Decreto Lei em questão foi revogado pelo indicado na moção do Bloco de Esquerda.

A Infraestruturas de Portugal salienta ainda que as larguras existentes “são as máximas possíveis, sendo que o espaço livre existente no passeio poente fica limitado aos 0,60m pela presença dos candeeiros de iluminação pública”.

Em suma, tudo aparenta resumir-se a uma questão de centímetros e à forma como a legislação é interpretada. Resta saber com qual das versões concordam as pessoas com mobilidade reduzida.

APOIE O NOSSO JORNAL, TORNE-SE UM LEITOR BENEMÉRITO

Se lê regularmente as nossas notícias torne-se um leitor benemérito fazendo contribuições a partir de 10€/mês, ou doando valores iguais ou superiores a 100€. Esses leitores passam a constar da ficha-técnica como apoiantes deste projeto independente de jornalismo. Pode também fazer uma contribuição pontual (5€, 10€, 20€, o que puder e quiser).

- publicidade -

1 COMENTÁRIO

  1. Bons dias,
    em primeiro lugar, acredito que os passeios da ponte Rodoviária de Abrantes ainda vão sofrer alterações que os dotem de uma distância que permita, pelo menos, o cruzamento entre dois peões (uma cadeira de rodas e uma pessoa). Exemplifico um caso que pode ocorrer: existem dois passeios e só um permite a passagem de cadeira de rodas e cadeira de rodas só com 60 centimetros porque as mais largas só na faixa de rodagem… Caso prático: uma pessoa entra nesse passeio e, quando se encontra a 1/4 do percurso, do lado oposto entra uma cadeira de rodas, como não existe espaço para se cruzarem, como se resolve a situação? A pessoa galga os rails e vai para a faixa rodoviária? Pendura-se no gradeamento? Irão colocar semáforos? Alerto que duas pessoas de cintura mais ampla também terão esses problemas. Agora é verdadeiramente deplorável que uma entidade pública se refugie em escassos centimetros pois esta postura ainda é mais lamentável que a falha de não terem previsto as consequências da instalação dos rails. Quanto aos suportes dos candeeiros no espaço do passeio, é uma solução completamente mirabolante e nem merece comentários. Armindo Silveira

Responder a armindo silveira Cancelar resposta

Please enter your comment!
Please enter your name here