Abrantes: Pedro Alves brilha na Summer Exhibition de Londres

Summer Exhibition 2012 Private View. Photo (c) Darren Gerrish, (c) Royal Academy of Arts

A Summer Exhibition – Exposição de Verão da Academia Real de Artes, que assinalou em Londres a sua 248ª edição, contou este ano, e pela primeira vez, com três artistas nascidos em Portugal. Um deles é de Abrantes.

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Entre as 1240 peças selecionadas de entre as mais de 12 mil candidaturas, e expostas nas salas imponentes da Burlington House, em Piccadilly, contavam-se um desenho de Paula Rego, convidada de honra daquela que é a maior exposição de arte no mundo aberta a todos os artistas – emergentes ou consagrados -, duas fotografias de Rita Barros e um desenho de Pedro Alves, natural de Chaínça, Abrantes, artista que viajou para Inglaterra em janeiro de 2004, já lá vão 12 anos.

Aliás, o desenho de Pedro Alves, de 35 cm por 45 cm, em papel químico preto e intitulado “Liminal: Visible and Invisible”, foi vendido logo nos primeiros dias por 600 libras (695 euros).

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Pedro Alves partiu de Chaínça, Abrantes, para Inglaterra em 2004. Foi um dos primeiros 3 portugueses a expor neste evento

“Ter sido aceite nesta exposição e ter exposto entre os mais famosos artistas do momento é, sem dúvida, uma satisfação para qualquer artista, e consequentemente abre algumas portas ao nível de outras possíveis exposições no futuro, principalmente a nível de Feiras de Arte Contemporânea em Londres. Fazer parte destas Feira de Arte e expor a minha arte ao público londrino é o meu objetivo para agora”, disse Pedro Alves ao mediotejo.net, contactado em Winchester, no concelho de Hampshire, onde reside.

Questionado sobre a sua seleção para a Summer Exhibition, um clássico do verão londrino que decorreu durante 10 semanas nos salões do antigo palácio dos condes Burlington – sede da Royal Academy desde 1869 -, o artista, de 39 anos, disse acreditar ter sido aceite “pela qualidade e, de algum modo, por algum grau de inovação presente no meu trabalho”.

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A obra de Pedro Alves aceite este ano para a exposição de verão do Colégio Real de Arte de Londres é um pequeno desenho intitulado – Liminal: Visivel e Invisivel – em papel químico preto, e foi um dos que chamou a atenção do júri, de entre as mais de 12 mil obras candidatas. Pedro descreveu-nos o desenho:

“Durante vários meses usei a mesma folha de papel químico para transcrever vários dos meus desenhos de um caderno para outro. O resultado é um espantoso e confuso aglomerado de linhas que, em contraste com a textura folha de papel químico, cria algo especial”, contou.

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A obra de Pedro Alves aceite este ano para a exposição de verão do Colégio Real de Arte de Londres é um pequeno desenho intitulado – Liminal: Visivel e Invisivel

“O meu processo criativo divide-se entre algum Desenho, Pintura a óleo, Escultura de alumínio e Bronze, e faço também algumas Cerâmicas”, elencou, tendo referido que a sua arte “caracteriza-se por ser um pouco ambígua. Gosto de criar questões sobre técnicas e materiais”, notou.

Apesar de algum reconhecimento e visibilidade num ambiente cosmopolita, Pedro Alves, que se considera um “outside artist”, ainda não vive inteiramente dos trabalhos que cria e produz: “vendo várias obras por ano, mas não ainda o suficiente para ser totalmente independente. Estou a caminho”, afirma, tendo observado trabalhar também para outros artistas.

“À parte a minha arte, trabalho alguns dias por semana (part-time) a fazer esculturas de cera para uma das mais antigas Fundições de Bronze de Arte do Reino unido, (a Morris Singer Foundry) e que, de entre muitas estátuas e monumentos, talvez os bronzes mais conhecidos entre o público sejam os enormes Leões posicionados na Trafalgar Square”, no centro de Londres, junto a Galeria Nacional.

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A Summer Exhibition – Exposição de Verão da Academia Real de Artes -, assinalou em Londres a sua 248ª edição e contou este ano, pela primeira vez, com três artistas nascidos em Portugal.

Pedro Alves lembra também a sua Abrantes natal, tendo referido ter emigrado em 2004, então com 27 anos, “pela curiosidade, pela experiência duma cultura diferente, e também pelo gosto da língua inglesa”.

“Sempre senti a necessidade de criar. Enquanto em Portugal sempre me lembro de mim a desenhar ou a construir algo”, recorda, tendo destacado o curso de Arte & Design, na Solano de Abreu, escola de Abrantes onde conheceu “o talentoso amigo Pedro Rosa” (de Sardoal).

“Uma vez em Inglaterra comecei de novo. Fiz Colégio de Arte entre 2005 e 2007 e graduei-me em 2010 em Belas artes, na Escola de Artes de Winchester, que faz parte da Universidade de Southampton.

As últimas exposições que fez em Portugal foram na Universidade de Coimbra, em 2004, e uma outra, de grupo, na antiga Galeria de Abrantes, “com o então Professor de Artes, Luís Reis, e outras celebridades de Abrantes”.

Em Inglaterra, Pedro Alves refere as várias exposições por ano no concelho onde habita, e lembra algumas exposições conjuntas, entre elas, uma na Holanda e outra na Estónia, em 2008.

“A minha pintura a óleo foi comprada pelos organizadores da exposição na Estónia e faz agora parte da coleção permanente do Museu de Tallinn”, realça, com orgulho.

E sobre a Abrantes natal?

“Ah sim, vou a Portugal quase todos os anos ver a família, claro. E matar saudades da terra onde nasci”.

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Pedro Alves lembra também a sua Abrantes natal, tendo referido ter emigrado em 2004, então com 27 anos, “pela curiosidade, pela experiência duma cultura diferente, e também pelo gosto da língua inglesa”.

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