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Sexta-feira, Setembro 17, 2021

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Abrantes: Paulo Dias, 40 anos a servir gelados artesanais

Muitos consideram-nos os “melhores gelados do mundo”. Todos conhecem a Gelataria Lis ou “os gelados do Paulo Dias”. Hoje esta loja-ícone da cidade de Abrantes comemora 40 anos de existência.

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Paulo Dias, quase a fazer 83 anos, natural de Vila de Rei, e a sua esposa, Maria Idalina, abriram a Gelataria Lis a 8 de maio de 1976.

O mediotejo.net foi falar com os proprietários deste espaço numa conversa que decorreu na gelataria, num dia chuvoso, mas que nem por isso afastou miúdos e graúdos de saborearem os gelados.

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“Isto começou porque eu vim de África com a família e, como muitos outros, viemos de lá sem nada. Foi a única coisa em que eu achei por bem investir, daquilo que já tinha conhecimento para fazer, e comecei”, refereo proprietário.

Foi em África que Paulo Dias aprendeu a arte de fazer gelados: “Ensinaram-me várias pessoas e ao longo dos anos fui-me aperfeiçoando.”

É no nº 58 da Rua D. Miguel de Almeida, no centro histórico da cidade, que há 40 anos Paulo Dias e a sua esposa servem gelados artesanais que são conhecidos em toda a região, tal como os seus croissants e batidos, que fazem parte das memórias de muitos que frequentaram (e frequentam) aquele espaço.

Mas são os gelados que ali levam muita gente e em dias de calor a fila de clientes estende-se pela rua e ocupa a estrada, com cada um à espera de escolher o seu gelado com um ou mais sabores.

Chocolate, baunilha, morango e limão são aqueles que, segundo Paulo Dias, se vendem mais, mas há muitos mais sabores à escolha: groselha, amêndoa, café, menta, mamão, papaia e canela, “uma criação do ano passado e faz lembrar o arroz doce”.

Paulo Dias não tem ideia exata de quantos gelados vende num dia de época alta, mas “são bastantes”.

Paulo Dias e Maria Idalina, proprietários da Gelataria Lis (Foto: mediotejo.net)
Paulo Dias e Maria Idalina, proprietários da Gelataria Lis (Foto: mediotejo.net)

 

Quando questionado sobre o sucesso destes gelados apreciados por muitos, Paulo Dias afirma veementemente: “Não lhe conto o segredo, mas digo-lhe que é natural, não leva corantes, nem essências. O que a fruta dá, é o que é o gelado.”

Quarenta anos são uma vida e é impossível não ter histórias para contar. “Apareceu aqui uma senhora há dois anos, com dois rapazes na casa dos 12 anos, e perguntou-me: “O Sr. Paulo não me conhece?”. Eu disse que não e a senhora explicou-me que era uma pessoa que frequentava muito esta gelataria há mais de 30 anos. Hoje mora em Lisboa, e num dia em que vinha do Porto, disse aos filhos que iam fazer um desvio para irem até Abrantes para conhecerem a Gelataria Lis, o espaço que a mãe frequentou nos seus tempos de adolescência”.

Paulo Dias diz que a sua casa (gelataria) “nunca foi uma Igreja, nem é hoje, mas respeitinho tem que haver”, recordando “uma vez em que estava um casal de namorados numa mesa de um canto e que começou nuns namoricos esquisitos…”

“Aqui dentro, não!”, disse-lhe Paulo Dias. E o rapaz respondeu-lhe: “Eu faço aqui, na China e onde eu quiser!” mas depois foi-se embora.

“Isto passou-se há uns 20 anos. Há dois anos, apareceu aqui um senhor que me perguntou “Não me conhece?” E pediu-me desculpas pelo sucedido, dizendo que na juventude se fazem coisas sem pensar. E depois disse-me: ‘Esta senhora que está aqui era a moça que estava comigo naquele dia. Hoje é minha esposa.’ Ainda vem cá de vez em quando dar-me um abraço”, recorda Paulo Dias.

E o futuro da Gelataria Lis? “Vou passar o negócio”, revela o proprietário. “Está quase, será muito brevemente. Vou ensinar a fazer os gelados como eu faço, só não iguais se não quiserem”, garante.

“Vou sentir muitas saudades”, desabafa, dizendo ter “muito carinho por todos os clientes”.

Entrou no mundo do jornalismo há cerca de 13 anos pelo gosto de informar o público sobre o que acontece e dar a conhecer histórias e projetos interessantes. Acredita numa sociedade informada e com valores. Tem 35 anos, já plantou uma árvore e tem três filhos. Só lhe falta escrever um livro.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Como o tempo passa! O primeiro gelado que comi do “Paulo Dias” custou 17 escudos e 50 centavos, já lá vão 30 anos! Muitos parabéns!

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