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Quinta-feira, Outubro 28, 2021

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Abrantes | Padre Zé da Graça vai a Tribunal acusado de falsificação e burla qualificada

O cónego José da Graça, padre em Abrantes desde 1985, vai responder no Tribunal de Santarém pelos crimes de falsificação, burla qualificada e burla tributária, num julgamento que se inicia no próximo dia 16 de janeiro, avançou hoje a Rede Regional.

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O padre, de 75 anos, na qualidade de presidente da direção do Centro Social Interparoquial de Abrantes (CSIA), é suspeito de ter mantido um esquema fraudulento que lesou o Estado em mais de 200 mil euros, parte deles já devolvidos pela instituição a que ainda preside, segundo o mesmo jornal, que consultou o processo no Tribunal de Santarém.

Além de José da Graça, o processo tem um segundo arguido acusado dos mesmos crimes, Pedro Moreira, ex-presidente da Junta de Freguesia de Alferrarede, que começou na instituição como simples terapeuta, foi o braço direito do padre, e acabou por ser quem denunciou o esquema às autoridades.

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A burla terá sido cometida no âmbito do “Projeto Homem”, uma valência do CSIA dedicada ao tratamento da toxicodependência, alcoolismo e à reabilitação social.

Padre Zé da Graça vai a Tribunal acusado de falsificação e burla qualificada. Foto: mediotejo.net

As denúncias de Pedro Moreira ao Ministério Público foram tornadas públicas em 2013, dando conta que o Ministério Público (MP) estaria a investigar duas denúncias de fraude à Segurança Social. O padre José da Graça era acusado manter ‘utentes fantasma’ na instituição de reabilitação de toxicodependentes e alcoólicos que dirige, denominada Projeto Homem.

De acordo com as denúncias, o religioso burlou o Estado ao receber indevidamente verbas relativas a dezenas de utentes que já abandonaram o tratamento e, nalguns casos, até já morreram.

“Não tenho notificação nem conhecimento oficial de qualquer denúncia, mas isso, partindo de fonte anónima, deve ser de alguém ressabiado ou por um qualquer ajuste de contas”, comentou, na ocasião, em declarações à Lusa.

Sobre as alegadas listagens fraudulentas para continuar a receber as subvenções estatais, não reportando a alta médica ou a expulsão dos utentes, o padre disse “não ter conhecimento da prática consciente e deliberada da prática de qualquer erro ou ilegalidade” nas listas.

“Não sou eu quem faz as listagens, não sei fazer e não quero fazer”, disse, acrescentando que esse é um procedimento “delegado” noutras pessoas.

“Eu não seria capaz de uma coisa dessas e, a existir algum erro, estou em crer que não foi um ato consciente e deliberado. E se alguém falhou, eu, na qualidade de presidente da instituição, cá estarei para o assumir”, afirmou.

Cónego José da Graça assinalou em 2017 os seus 50 anos de sacerdócio. Foto: mediotejo.net

Em declarações à Lusa, os dois autores das participações ao Ministério Publico e ao Departamento de Investigação e Ação Penal (DCIAP), que solicitaram o anonimato por temerem “represálias”, reiteraram o teor das acusações feitas ao cónego.

Um deles apontou mesmo doze fraudes alegadamente cometidas pela gestão do padre ao longo dos anos, afirmando ter provas de que “dezenas de ‘utentes fantasma’ foram mantidos durante meses nas listas nominativas como se continuassem em tratamento, continuando a receber dinheiro do Estado por camas não ocupadas”.

“Alguns dos ex-utentes já tiveram alta hospitalar, outros estão detidos em estabelecimentos prisionais e outros já falecidos continuam a figurar nas listas” entregues ao Ministério da Saúde, apontou.

Outro queixoso explicou ter entregado “a quem de direito as provas das ilegalidades” alegadamente cometidas pelo cónego e referiu ter feito a denúncia porque a situação chegou a um “ponto de rutura”.

Um terceiro individuo, ex-funcionário no Projeto Homem, deu também conta ao mediotejo.net de alegadas irregularidades cometidas na instituição, tendo assegurado ter guardado provas factuais ao longo dos ano em que lá laborou.

O cónego José da Graça assinala o seu 76º aniversário no dia 1 de janeiro, e cumpriu os seus 50 anos de sacerdócio em 2017. José da Graça serviu as paróquias de Ponte de Sor, Sertã, São Facundo, Santa Margarida da Coutada, S. João (actualmente), S. Vicente (atualmente), Alferrarede, Rio de Moinhos, Martinchel e Aldeia do Mato.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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1 COMENTÁRIO

  1. Um chavão usual é dizer-se que se é inocente até ser condenado após trânsito em julgado. Mas também o ser-se absolvido pela lei existente na altura, não significa que não se tenha cometido o crime, não se conseguiu foi prová-lo… Serve esta introdução para eu manifestar o meu repúdio e a minha revolta para com os “benfeitores” deste paíz, que aproveitando-se da honestidade e boa fé das gentes deste burgo se vão desenrrascando e colhendo proveitos para si.
    Indiretamente fui vitima de um comportamento se não criminal, pelo menos eticamente deplorável praticado por instituição de “caridade”, com consequências psicológicas graves, além das consequências monetárias. Foi dado na altura conhecimento do facto através de cartas registadas, para Instituto de Emprego e Formação Profissional _ Rua de Xabregas – Lisboa; ACT Autoridade das condições do trabalho – Rua Alameda Um de Março nº. 27 Tomar; Sua Exª. o Sr. Ministro do Trabalho Solidariedade e Segurança Social e para a Segurança Social – Largo do Milagre Nº. 49/51 Santarém. O que foi feito? NADA. Já é tempo dos “poderosos” serem investigados e responsabilizados criminalmente caso se verifiquem tais ilicitudes. PARA APURAR RESPONSABILIDADES É NECESSÁRIO UMA INVESTIGAÇÃO SÉRIA E COMPETENTE. Não há fumo sem fogo, mas há alturas em que a visibilidade se torna nula por tanto fumo a pairar no céu azul desta urbe…
    NOTA: Tenho na minha posse a prova da exposição feita ás entidades anteriormente referidas.

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