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Domingo, Agosto 1, 2021

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Abrantes | Ovelhas atacadas por cães em Mouriscas

Três animais morreram na madrugada desta sexta-feira, 16 de março, devido ao ataque de cães em Mouriscas, no concelho de Abrantes. Os ataques são recorrentes e os pequenos produtores de gado já não sabem o que fazer, queixando-se de prejuízos dos quais não são ressarcidos. Desta vez não foi assim, a empresa JJR, com centro de produção em Mouriscas, identificou o cão que estava no local do ataque como sendo seu, e responsabilizou-se pelos danos causados a uma das proprietárias.

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Lurdes Timóteo tem umas ovelhas a pastar na quinta do patrão em Mouriscas. Embora a quinta seja vedada não impede a passagem de cães de grande porte para o interior, e esta não foi a primeira vez que viu os seus animais atacados. A ovelha que morreu, esta sexta-feira, já tinha sido vítima de ataque em novembro do ano passado. Apesar dos ferimentos sobreviveu. Agora não teve tanta sorte.

“No tempo da azeitona [um cão] mordeu três ovelhas e comeu a orelha de uma” explicou ao mediotejo.net.

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Lurdes não presenciou este ataque que ocorreu durante a madrugada. “Ontem à noite estive aqui a apanhar erva e as ovelhas estavam felizes da vida, muito bonitinhas”. Esta manhã recebe a notícia pelo telefone que tem uma ovelha morta no meio do campo.

Manuel Matias é outro queixoso. Há uns tempos “foram atacadas cinco. Abatidas tiveram de ser três, uma foi medicada e conseguimos salvá-la e a outra anda a ser medicada” refere. O criador garante contabilizar três ataques aos seus rebanhos. O cão responsável foi identificado por um vizinho que presenciou o acto. “As ovelhas foram atacadas às 16h00”. Assegura ser o mesmo cão que matou a ovelha de Lurdes. “Era aquele, saltou a rede”.

Lurdes Timóteo e Orlando Alpalhão em Mouriscas

Orlando Alpalhão também se queixa de ataques às suas cabras e ovelhas. “No ano passado morreram oito derivado aos cães”. Primeiro pensava serem raposas quando avistou um animal atrás da vedação, mas um olhar mais atento permitiu perceber tratar-se de um cão. No cenário não estão matilhas selvagens. De acordo com Orlando alguns dos cães que têm perpetrado os ataques “têm dono mas andam à solta durante a noite”. Nunca presenciou mas ouvia latidos.

No prejuízo de hoje contabiliza “um borrego e uma ovelha mortos e uma ovelha ferida no pescoço e nas patas” a zona de ataque dos cães. “Uma pessoa chega a casa e fica completamente devastada ao ver o estrago provocado. Uma desgraça!” desabafa. Tal como o mediotejo.net confirmou, a ovelha de Lurdes Timóteo possuía marcas de mordeduras na garganta e nas patas.

Orlando não se conforma: “trato bem os animais, tento investir para limparem os campos e não há ninguém que nos defenda”. E como os ataques não têm hora certa, dá conta de ter faltado ao trabalho para estar à espera dos cães. “Cada vez que chego a casa, a primeira coisa que faço é contar as minhas ovelhas e cabras”.

Como medida cautelar passou a fechar, diariamente, os animais às 17h00. Ontem, por motivos de saúde, não conseguiu. “Cheguei à meia noite do hospital e fiquei devastado com o que encontrei”, insiste.

Por isso, o criador pede que sejam apuradas responsabilidades. “Alguém tem de fazer alguma coisa!”, referindo-se à Guarda Nacional Republicana e até à Câmara Municipal. Recusando apontar o dedo, refere as suspeitas do povo de Mouriscas. Dizem que “os cães pertencem à empresa de britagem JJR”.

A ovelha morta em Mouriscas

Os produtores chamaram a GNR ao local, e um responsável da JJR, o encarregado João Calhoa, identificou o cão, ainda no terreno, como propriedade da empresa. “Sim. Assumimos a responsabilidade pelos danos causados” a Lurdes Timóteo, garantiu, acrescentando que os cães têm seguro e portanto a empresa vai acionar a seguradora, ainda que tenha dúvidas da autoria do ataque pelo seu cão. Tal responsabilização não convence os produtores que contestam a liberdade dos cães. “Têm de os acorrentar”, reclamaram.

Ainda assim, Manuel Matias não recua e insiste na apresentação de uma queixa na GNR. “Vou apresentar queixa para que fique registado”. Justifica a sua atitude com a recorrência dos ataques e no direito a ter uma pequena exploração de ovinos e caprinos sem se preocupar com o prejuízo moral e económico que os ataques significam.

Lurdes Timóteo também fala em danos morais. “Não é pelo dinheiro, mas pelo apego que temos aos bichos. As ovelhas limpam os terrenos todos. Não me digam que agora por andarem cães à solta não podemos ter ovelhas?” questiona.

“Talvez em vez de criar ovelhas e cabras me dedique a criar cavalos”, desabafa Orlando cada vez menos disposto a expor os animais ao sofrimento dos ataques dos cães.

Ao fundo o cão identificado como autor dos ataques

Porque os caninos apenas matam e não comem, Lurdes Timóteo acredita que seguem o seu instinto natural, mas lamenta a situação e decide-se por passo preventivo. “Agora tenho de as levar da quinta”, refere temendo um próximo ataque, ficando para trás o trabalho ‘sapador’ das ovelhas.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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