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Terça-feira, Dezembro 7, 2021
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Abrantes | Ourogal promoveu nova imagem e novos azeites no mercado diário (c/fotos e video)

Na manhã deste sábado, inserido na rubrica Produtos de Cá da Academia do Mercado, no mercado diário de Abrantes, a Ourogal, marca de azeite produzida na Quinta das Sarnadas, em São Miguel do Rio Torto, Abrantes, marcou presença no evento que serviu a antevisão do IV Encontro Ibérico do Azeite, a acontecer na cidade entre 10 e 12 de março. A Ourogal apresentou-se em primeira mão com imagem renovada, assente no conceito dos exemplares de oliveiras milenares que pertencem à empresa, e deu a provar a nova aposta na área da produção biológica, com o azeite Organic, que vem formar o trio d’ataque com o Authentic e o Equilibrium. O mediotejo.net foi participar na sessão de degustação e perceber as novas apostas desta empresa, que se foca essencialmente na internacionalização dos seus produtos.

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A manhã começa com uma breve apresentação da empresa, da tradição familiar e dos olivais e de todo o processo desde o momento em que a azeitona está na oliveira no campo, passando pela seleção e produção, até chegar ao produto final, assegurando todo o controlo nas várias fases do processo. “Diferencia-nos. Temos olivais próprios, temos lagar próprio e somos nós que embalamos, controlamos todo o processo”, assegurou Benedita Albuquerque.

Já Vera Megre, responsável pelo Marketing e Vendas, referiu que a existência de oliveiras milenares e a sua importância enquanto património da região é tida em conta pela empresa, que aposta na conservação das mesmas, estando envolvida num protocolo de conservação da mais antiga árvore de Portugal, quiçá da Península Ibérica: a Oliveira do Mouchão, em Mouriscas, a qual foi datada após processo iniciado pela Ourogal. “Há muitas oliveiras milenares, mas paga-se para fazer a datação, e há muitas pessoas que não têm muita possibilidade de pagar, e portanto, ficam um bocadinho esquecidas aquelas oliveiras”, afirmou.

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Dessa preocupação com a conservação deste arvoredo, que é também património e tradição da região, e estando presentes exemplares nos olivais da Ourogal, eis que surge a oportunidade de, além do rebranding, apostar em azeites produzidos com variedades de azeitona colhidas manualmente nestas árvores. O Millenarium e o Centenarium advêm desses processos.

A intenção da árvore milenar no logótipo é “levar Portugal lá fora”, e faz parte da estratégia de rebranding, promovendo o património regional e internacionalizando a tradição portuguesa, bem como o património classificado em questão.

“Temos muitas oliveiras com mais de cem anos e com mais de mil anos”, sendo referência a Oliveira do Mouchão, com 3350 anos, situada em Mouriscas, e cuja datação para que se atribuísse a idade atualmente confirmada, foi requerida pela Ourogal em contacto com a UTAD e o ICNF, recordou Vera Megre, responsável pelo Marketing e Vendas.

Os azeites suaves são considerados aliados dos chefes de cozinha, e como tal, a aposta mantém-se nessa linha de produção.

O Delicat – frasco de perfume que é para perfumar os pratos por ter um grande aroma, um azeite muito frutado, continua a ser a aposta mais ‘gourmet’, feita a pensar nos pratos mais requintados. Esta é uma edição limitada.

O Authentic é o “topo de gama” da marca, segundo explicou Benedita Albuquerque, que vem substituir o Prestige, premiado internacionalmente muitas vezes. O Organic, é produzido pela primeira vez, um azeite biológico e certificado. A produção de azeite biológico surgiu de uma necessidade notada “no mercado internacional”. O Equilibrium e o Mediterranium vendido em garrafões PET terminam a oferta.

O que diferencia cada um dos azeites? A variedade da azeitona, a casta como se chama no vinho, explicaram as responsáveis.

No Millenarium utiliza-se a azeitona de zambujeiro, a oliveira brava típica do Ribatejo, enquanto o Centenarium usa uma monovariedade de azeitona galega; o Authentic, congrega variedades de frantoio, cobrançosa e arbequina; o Organic tem principalmente azeitona galega, picual e hojiblanca. O Equilibrium tem variedade de azeitona galega e cobrançosa.

A variedade mais utilizada pela Ourogal é a azeitona galega, “porque é a tradição no Ribatejo, e essa imagem que queremos passar para o mundo, da variedade que é nossa”.

Benedita Albuquerque, responsável pelo departamento de Produção e Qualidade, frisou que os azeites produzidos pela Ourogal têm um “denominador comum” que passa pelo facto de “não se sobreporem às criações dos chefs, pois existem azeites que na cozinha vão sobressair”; acontece que os azeites Ourogal sobressaem de forma mais suave “por causa da dita azeitona galega, que é uma variedade suave”.

Foto: mediotejo.net

O mito da acidez do azeite

O azeite não tem de saber a “lagar”, “tem de saber à natureza”, disse Vera Megre, afirmando que são as variedades que alteram o sabor do azeite. Cada variedade tem a sua especificidade e altera o sabor, o cheiro e o gosto.

Na produção da Ourogal, os azeites são todos extraídos a frio, “tentamos sempre não subir os 21 graus, controlamos sempre a temperatura para não desaparecerem estes cheiros, para manterem sempre os polifenóis”.

O que influencia a acidez é o “estado de maturação da azeitona, se ela foi apanhada precocemente ou se foi apanhada já num estado maduro da azeitona. Aí é que determina a acidez dela”, explicou. “Até pode ser uma azeitona que seja madura, mas que tenha lá os seus atributos”.

Por outro lado, a acidez “só é detetável através de análises químicas, não por análise sensorial. A análise sensorial funciona em termos do gosto, dos polifenóis”.

As pessoas erradamente associam a acidez ao gosto do azeite, mas segundo as representantes, estes fatores “não estão, de todo, associados”, pois a mesma só é considerada “acima dos 0,8”. E ainda segundo as profissionais, o azeite só pode ser extra virgem se a acidez estiver abaixo desse valor, por isso em Portugal não é já obrigatório constar no rótulo, ou seja, tendo ele essa especificação já se deve saber que não contém acidez. Tal como a cor não está associada também a esse fator.

Foto: mediotejo.net

O estranho hábito do consumidor português

O azeite faz parte da dieta mediterrânica, é elemento essencial da gastronomia típica portuguesa, e nós, portugueses, “temos tão por garantido o azeite que não sabemos quais os usos corretos a dar-lhe”, alertou Benedita Albuquerque.

“Em casa devíamos ter sempre duas variedades de azeite: o azeite virgem para cozinhar a altas temperaturas, que é o ideal”, uma vez que é azeite produzido com azeitona mais madura, e que cozinhando a altas temperaturas acaba por perder mais polifenóis, ou seja, perde qualidades.

Mas as dicas são simples de assimilar. “Tudo o que seja a quente, cozinhamos com azeite virgem, para cozinhar/temperar a frio vamos com o azeite virgem extra”, declarou Benedita Albuquerque.

Outra questão que se coloca, é o desconhecimento/alheamento dos consumidores na escolha e compra de azeite. “As pessoas não têm muita tendência de ver o rótulo, de experimentar”, reconheceu Vera Megre.

“O azeite é o contrário do vinho, consome-se fresco, quanto mais fresco e recente, melhor”, fez notar.

Porém, a tendência não é procurar a qualidade ou a constituição do produto. “O consumidor vai sempre pelo preço, primeiro o preço. Pode ir pelo tipo, por ser azeite virgem extra, mas vai ver naquela categoria, qual o mais barato ou qual o que está em promoção”, disse.

“A mulher vai ao supermercado e compra o azeite mais barato. O homem, fica a estacionar o carro e a tratar do carro, vai mudar o óleo, e compra o óleo mais caro. Para o carro o melhor, para o nosso estômago o mais barato”, concluiu, entre risos, Benedita Albuquerque, do departamento de Produção e Qualidade.

Foto: mediotejo.net

A degustação, momento em que se apela a todos os sentidos

Eis que, após toda a contextualização da marca e do processo de produção, chega a altura de apelar aos sentidos, seguindo o protocolo. Em pequenos copinhos, e após demonstração de Vera Megre, usando aquele copo azul – o oficialmente utilizado pelo provador -, coloca-se entre as mãos, tapando-se durante algum tempo, cerca de um minuto. Depois, fazendo gestos suaves, leva-se ao olfato o cheiro e o aroma, que traz uma primeira impressão do azeite.

Depois, toma-se a porção de azeite, passando o líquido nas bochechas, deixando-se repousar na língua, e inspirando com vontade, pode beber-se e saborear até atingir o final de boca deixado pelo azeite.

Os aromas vincados dos azeites Ourogal são retirados da terra, das propriedades das frutas e vegetais. Desde o tomate, à casca da maçã verde, à banana, à alcachofra, e finalizando sempre com frutos secos, a noz. Alguns deixam uma certa sensação de frescura, caso do Organic, outros uma leve sensação de picante, caso do Authentic.

Entre provas destes vários azeites, foi-se cortando os sabores com tiras de maçã. E no final, deixou-se uma dica de uma sobremesa agradável, simples e sobretudo… diferente ao que o paladar comum estará habituado.

Com rodelas de laranja estendidas numa travessa, regadas com fios de mel, eis que o azeite não fica de fora. Um fio de azeite sobre as mesmas… et voilá! É picar com o garfo e saborear uma combinação improvável que, feita de aromas e sabores fortes e muito específicos, poderá conquistar os paladares mais exigentes. Quanto a si… desafiamo-lo a experimentar. Depois conte-nos como correu a experiência!

* Com Vinicius Alevato

Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres, onde não falta a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Viciada no verbo Ir, nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... também por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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