Quinta-feira, Março 4, 2021

Abrantes | Operação de manutenção na Central do Pego arranca esta semana e vai envolver 300 pessoas

O Centro de Produção de Eletricidade do Pego (Abrantes), operado pela Pegop, vai realizar uma operação de manutenção na Central de Ciclo Combinado a gás a partir desta segunda-feira. A intervenção pode envolver até 300 pessoas “de empresas externas à central” e durar cerca de dois meses em pleno cenário pandémico, estando assegurada a realização de testes a todos os trabalhadores.

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Segundo Carlos Ribeirinho, diretor do Centro de Produção de Eletricidade do Pego, trata-se de uma intervenção “necessária”. Ou seja, “realizar, nesta altura, trabalhos de manutenção na Central de Ciclo Combinado a gás” é “absolutamente imprescindível para a segurança dos equipamentos e das pessoas que lá trabalham, assim como garantir o cumprimentos dos requisitos legais, bem como para a continuidade do papel que a mesma ocupa no sistema elétrico nacional”.

O Centro de Produção de Eletricidade do Pego, operado pela Pegop, tem como atividade principal a produção de eletricidade, garantindo a segurança de abastecimento à rede elétrica em complemento com as energias renováveis.

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É constituído por duas Centrais de produção de eletricidade, uma que utiliza como matéria prima o carvão, e é propriedade da Tejo Energia, e outra que utiliza como matéria prima o gás natural, e é propriedade da Elecgas. No total, trabalham ali cerca de 180 pessoas e esta operação de manutenção é dirigida apenas à central a gás.

Na última reunião de executivo municipal, o presidente da Câmara, Manuel Jorge Valamatos, referiu a presença, dentro de dias, de um conjunto significativo de trabalhadores vindos de vários pontos do País e do estrangeiro para a paragem da Central Termoelétrica do Pego, que se poderá prolongar por dois meses, em pleno cenário de pandemia, assinalando “algumas preocupações”, nomeadamente quanto às refeições e alojamento.

“Vai entrar nos próximos dias em paragem a Central Termoelétrica do Pego. Implica um movimento acrescido de atividade económica no concelho e a entrada de muitas pessoas que vêm de outros pontos do País e até do estrangeiro. De acordo com a informação que tenho todas estas pessoas vão fazer testes para que possamos estar de forma mais tranquila neste processo. Estaremos a acompanhar de perto o evoluir desta situação”, assegurou.

Manuel Jorge Valamatos notou “alguns problemas com o encerramento dos restaurantes mas a solução será o take away e encontrarão soluções para tantas pessoas que vão estar aproximadamente dois meses no concelho. Quanto à questão do alojamento, é mais fácil. Quase todas as unidades hoteleiras e residenciais do concelho continuam a trabalhar”, disse.

Ao nosso jornal o diretor do Centro de Produção de Eletricidade do Pego confirmou que “para a realização desses trabalhos é necessária a presença de trabalhadores de empresas externas à central” numa paragem que é feita quase todos os anos, quer para a central a carvão, quer para a central a gás, e que envolve geralmente centenas de pessoas.

Carlos Ribeirinho disse que “o número de trabalhadores será flutuante dependendo do planeamento dos trabalhos, podendo no seu pico ter dias de cerca de 300 trabalhadores. Apesar de tudo este número foi otimizado tendo em conta o período que vivemos, ficando, por isso, bastante aquém de outras grandes revisões”, notou.

O responsável disse ainda que “para garantir a segurança de todos os trabalhadores que executam tarefas na central, bem como das suas famílias, foram implementadas várias medidas de segurança face à pandemia covid-19, nas quais se incluem a confirmação de não contaminação com o coronavírus SARS-CoV-2. Esta confirmação é verificada através de testagem voluntária aos trabalhadores que necessitam estar na central”.

Segundo Carlos Ribeirinho “a segurança é um ativo muito importante para a empresa, pelo que, no âmbito do combate à pandemia da Covid-19, serão mantidas políticas estritas de controlo que permitam transmitir alguma tranquilidade a todos os trabalhadores e às suas famílias”.

Recorde-se que o Governo anunciou o encerramento da Central Termoelétrica do Pego – a produção a carvão mineral – no final deste ano 2021, ano em que termina o Contrato de Aquisição de Energia (CAE) e que prevê o seu desmantelamento futuro.

Em causa, está a central da Tejo Energia, uma ‘joint-venture’ entre a TrustEnergy, com uma participação de 56,25%, e a Endesa Generación, com 43,75%. Esta é uma das centrais que se manteve com CAE, incentivo à produção que foi substituído pelos Custos de Manutenção do Equilíbrio Contratual (CMEC).

O Governo está agora a avaliar a transformação da Central Termoelétrica do Pego de carvão para biomassa após 2021, entre outras possibilidades.

Na quinta-feira, numa pergunta sobre a situação da Central Termoelétrica do Pego feita pelo deputado Duarte Marques (PSD), o secretário de Estado Adjunto e da Energia disse que o Governo “tem tentado que haja um projeto de reconversão” que permita no Pego, à semelhança de Sines, “manter aquele local como um importante polo de produção de eletricidade”.

Segundo João Galamba, o Governo pretende que “os trabalhadores diretos e indiretos daquela central possam olhar para o futuro, da mesma maneira que entendemos que Sines pode olhar para o futuro. Isto é com confiança e com a certeza que esses dois polos serão destinos de importantes investimentos que o Governo pretende que aconteçam o mais rapidamente possível”, assegurou.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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