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Abrantes | O mercado artístico pelo olhar da pianista Helena Vasques

No ambiente acolhedor criado pela Associação Palha de Abrantes, no espaço Sr. Chiado, Helena Vasques, pianista e doutorada em Sociologia da Arte, fez na sexta-feira à noite uma abordagem analítica ao mercado artístico em Portugal. Muito bem disposta e através de slides, apresentou um panorama das condições de trabalho que os artistas enfrentam nos dias de hoje no âmbito nacional.

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Segundo Helena, “o artista nos dias de hoje não pode ser só artista”, ele precisa ter uma série de qualificações para conseguir inserir-se no mercado. Marketing, publicidade, técnicas de vendas e ainda assim se submeter muitas vezes às tendências de mercado adequando-se aos padrões vendáveis.”A arte não é um produto e sim a arte pela arte”, pois por falta de financiamento os artistas têm “perdido a liberdade de trabalho”, disse.

Em tempos passados, para apresentarem o seu trabalho, eles recebiam e hoje existem lugares que cobram aos artistas. A questão do financiamento da cultura em Portugal foi uma das questões abordadas, pois quase não há investimento da parte do governo de acordo com a socióloga das artes.

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Foram inseridos novos conceitos de arte como, multimédia, vídeo jogos, arquitetura e outros. No meio das estatísticas referentes ao trabalho artístico “existem os trabalhadores administrativos, os departamentos de marketing, relações públicas e outros profissionais que não são artistas”, e isso no final demonstra um grande número que não é real em relação à quantidade de pessoas a nível nacional que trabalham inteiramente para a arte, dessa forma, são, afirmou, “estatísticas que não batem”.

Assim que foi dada a palavra ao público, ouviu-se uma voz a dizer “eu estava a espera do resto”, “o panorama é fatalista, vai melhorar ou piorar?”, era, no fim de contas, um cidadão a querer saber o que podia esperar de acordo com toda a explanação que ouvira. Então, “o fim das artes ou uma nova gestão delas?”, “deixar de financiar as artes para que os artistas procurem o caminho americano?”, “há ou não há artes?” foram questões deixadas no ar durante a interação com os presentes.

Alguns deram opiniões – “se calhar, precisamos repensar a nossa forma de ver o mundo” -, “assim como os cientistas decidem o que vão pesquisar e o governo apenas paga reconhecendo que não possui capacidade para julgar aquilo que precisa ser pesquisado ou não, também deve ser com os artistas”, da maneira que se vê, está “deixando de ser coração e passando a ser cifrão”, “assim como no futebol que existe o Cristiano Ronaldo a ganhar milhões e outros a ganhar tostões, é também nas artes”, “a arte e a economia precisam estar de braços dados”, foram palavras, frases e questões colocadas ao longo da conversa.

No final, a especialista informou que está a desenvolver uma pesquisa nessa área, a analisar estatísticas e estudos de várias fontes, e a criar mecanismos junto a outros artistas para dar voz à crítica sobre a gestão das artes.

Solicitada para concluir a sua intervenção a tocar piano, a artista, reconhecendo que estava há tempos sem praticar, sentou-se ao instrumento e despediu-se de todos ao som de boa música erudita, num diálogo que, aí sim, desfez dúvidas e abraçou a consensualidade em Abrantes.

Vinicius Alevato

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