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Sexta-feira, Julho 30, 2021

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Abrantes: O jazz de Carlos Martins visita a cidade esta noite

Carlos Martins traz o seu Quarteto ao Cineteatro São Pedro esta sexta-feira, dia 11. Ao saxofone de um dos principais impulsionadores do jazz em Portugal juntam-se a guitarra de Mário Delgado, o contrabaixo de Carlos Barreto e a bateria de Alexandre Frazão. Uma visita aguardada para uma noite em que Bernardo Sassetti será certamente lembrado.

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Carlos Martins faz parte do jazz português e foi aos 14 anos, na “Vila Morena” de Zeca Afonso, que descobriu a música. Tudo começou com uma flauta e, mais tarde, o clarinete da Banda Filarmónica de Grândola. O jazz ainda andava longe, mas quando chegou nunca mais desapareceu da vida deste músico e compositor de 55 anos.

As aulas da banda filarmónica deram lugar às das escolas de música do Hot Clube de Portugal e do Conservatório Nacional, complementadas pelos cursos de música contemporânea e improvisada na Fundação Calouste Gulbenkian e a participação no IX Seminário Internacional de Música de Barcelona. O percurso no ensino foi semelhante, começando por terras lusas na Escola do Hot Clube de Portugal e na Academia de Música de Setúbal e atravessando a fronteira até ao New Jersey Performing Arts Center (EUA).

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Começava assim a carreira de Carlos Martins, que evoluiu em conjunto com o estilo musical que o carateriza e inclui atuações nas principais capitais europeias, colaborações em projetos nas áreas da música, do cinema e da dança, sem esquecer nove trabalhos discográficos entre 1990 e 2016.

O álbum mais recente, a que o compositor cede o nome, foi lançado no passado dia 12 de fevereiro na Culturgest e surge 26 anos depois de “Lisboa em Jazz 90” (1990), do Quarteto Carlos Martins. A década de 90 inspirou-o a gravar “Passagem” (gravado em 1995 e editado em 1996) com o seu Quarteto , “Outras Índias” (1997) com o compositor cabo-verdiano Vasco Martins, “Caminho Longe” (1998) com a Orquestra Sons da Lusofonia, que entretanto fundara, e “Sempre” (1999).

A compositora Constança Cappdeville, do Grupo Coletiva, o maestro Álvaro Salazar, da Oficina Musical do Porto, e os solistas da Orquestra do Teatro Nacional de São Carlos fazem parte do percurso profissional do saxofonista, ao lado de Cindy Blackman, Ralph Peterson Jr. ou Don Pullen.

Músico multifacetado, decidiu explorar outros caminhos e a Sétima Arte nacional agradeceu as bandas sonoras dos filmes “Filha da Mãe” (1991), de João Canijo, “Pax” (1994), de Eduardo Guedes, do vídeo “Sétima Colina” (1994) e “Deixa-me uma Luz” (2007), de Tiago Rodrigues. A Dança, por seu lado, moveu-se ao som das suas composições para os espetáculos “As Árvores Movem-se” (1987), de Rui Horta, “Em corpo com som” (1990), de Vera Mantero, “Dançar José Afonso” (1994), da Companhia Contemporânea de Setúbal, e “Cantoluso” (1999), da Companhia Nacional de Bailado.

A viragem do milénio ainda teria que esperar. O jazz começava a afirmar-se no panorama musical e Carlos Martins decidiu contribuir em 1992 com a criação do primeiro festival dedicado à apresentação de músicos de jazz portugueses, o Festival Lisboa em Jazz. Uma contribuição entre as muitas que foi dando ao longo da carreira, como o projeto “Quadrofonia do Tempo”, com Laurent Filipe, Carlos Barretto e Bernardo Sassetti ou a fundação do Quinteto de Maria João, do Quarteto de Jazz de Lisboa e do Sexteto de Jazz de Lisboa.

Chegou o novo milénio e com ele os álbuns “Do Outro Lado” (2006), “Água” (2008) e “Absence” (2014), o último dedicado a Bernardo Sassetti, com quem criou o grupo Quarteto. O novo trabalho discográfico “Carlos Martins”, lançado há praticamente um mês, inclui uma composição do pianista falecido em 2012 com quem o músico trabalhou cerca de um quarto de século, intitulada “Chant of Khali”. A falta do piano de Sassetti será sentida no Cineteatro São Pedro, a partir das 21h30, mas a noite é de celebração porque o jazz visita Abrantes.

Nasceu em Vila Nova da Barquinha, fez os primeiros trabalhos jornalísticos antes de poder votar e nunca perdeu o gosto de escrever sobre a atualidade. Regressou ao Médio Tejo após uma década de vida em Lisboa. Gosta de ler, de conversas estimulantes (daquelas que duram noite dentro), de saborear paisagens e silêncios e do sorriso da filha quando acorda. Não gosta de palavras ocas, saltos altos e atestados de burrice.

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