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Quarta-feira, Julho 28, 2021

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Abrantes: O Colégio que marcou a educação de várias gerações de alunos

No ano em que comemora 76 anos ao serviço da educação em Abrantes, o Colégio de Nossa Senhora de Fátima vai passar de mãos religiosas para a gestão laica. Por ali, passaram centenas de alunas e, mais tarde, também alunos rapazes, marcando a educação de várias gerações de abrantinos e não só.

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Chega ao fim um ciclo que marcou a formação em Abrantes. O ano de 2016, altura em que a cidade de Abrantes assinala o seu centenário, é também o último ano do ensino das Irmãs Doroteias no Colégio de Nossa Senhora de Fátima. Um momento que não é fácil para muitos. Perante um pedido de entrevista para abordar a história do Colégio ao longo destes últimos 75 anos, a Madre Superiora, Irmã Adelaide Santos Costa, hesita mas acaba por recusar justificando que “as pessoas estão doridas, é um momento de grande dor” e não quer falar sobre o assunto.

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O Colégio de Nossa Senhora de Fátima, que durante 76 anos desenvolveu um serviço particular de educação, vai ser o futuro Centro Escolar de Abrantes

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Para a história da cidade de Abrantes, fica a existência deste Colégio de Nossa Senhora de Fátima que, durante mais de sete décadas, foi dirigido pela Congregação das Irmãs de Santa Doroteia que asseguraram um ensino de excelência reconhecido a nível nacional. No final deste ano letivo, o edifício do Colégio de Fátima passa para as mãos da autarquia de Abrantes que irá manter, naquele espaço, a função que cumpriu até aos dias de hoje de educar os abrantinos e muitos outros homens e mulheres, provenientes de todo o país. Naquele espaço, vai surgir o novo Centro Escolar de Abrantes, substituindo a Escola Primária dos Quinchosos e a Escola Nº 2 de Abrantes.

No ano passado, a 21 de novembro, o Colégio de Fátima celebrou os seus 75 anos, em ambiente de festa e numa cerimónia muito participada, com a presença de antigas alunas e alunos onde todos eram unânimes a dizer que “era um Colégio de excelência, com professores excelentes e magníficos”.

O Dia da Inauguração

A 13 de outubro de 1940, um domingo, o Colégio de Fátima é inaugurado. Na edição do Jornal de Abrantes de 20 de outubro, o semanário dá-nos os pormenores desse dia: a cerimónia contou com a presença do Bispo de Portalegre, D. Domingos Frutuoso, que procedeu à bênção das instalações, “cerimónia a que assistiram muitas pessoas”. Seguiu-se uma missa às 10h pelo Bispo, “a capela e anexos estavam literalmente cheios vendo-se representada todas as camadas sociais da cidade e região e as famílias das alunas que já assistiram com as suas vestes de colégio”.

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Edição do Jornal de Abrantes de 13 de outubro de 1940, dia da inauguração do Colégio de Nossa Senhora de Fátima (imagem gentilmente cedida pela Biblioteca Municipal de Abrantes)

Após a missa, teve lugar a sessão solene, às 14h, que se realizou “no lindo ginásio e salão de festas”. O ambiente era de comemoração, com “colchas de damasco, muitas flores, largas filas de cadeiras ocupadas por senhoras e as outras pessoas presentes dos lados”.

Esta sessão contou com as presenças, entre outros, do representante do Ministro da Educação Nacional, do inspetor escolar, um professor e representante do Reitor do Liceu de Santarém e um deputado da Nação, além dos magistrados, comandante militar, representantes das associações locais e párocos das freguesias.

“Entrou quem quis e como o ginásio não podia comportar toda a gente que acorreu ao Colégio, os corredores do claustro encheram-se e ali permaneceram para depois fazerem a visita às dependências”, refere o artigo do Jornal de Abrantes.

Manuel Fernandes, membro da Comissão Administrativa do Colégio de Nossa Senhora de Fátima, no seu discurso, dirigiu-se àquela obra como “uma das mais importantes e de maior alcance social dentre aquelas que nesta terra têm sido levadas a cabo”. E referiu ainda que “nas paredes dos alegres e amplos corredores deste edifício escreveram-se alguns interessantes conceitos educativos da autoria de poetas e pedagogos de nomeada”.

Após a sessão solene, realizou-se uma visita às instalações do Colégio. “Até às 5 horas, hora a que o Colégio fechava ao público, foi constante a romaria de pessoas a visitá-lo”, refere o artigo do Jornal de Abrantes. “Às 5 horas, o Sr. Dr. Manuel Fernandes e a sua esposa Srª D. Maria Virgínia Moura Neves Fernandes ofereceram em sua casa, às entidades que de fora tinham vindo para assistir à sessão solene e a algumas pessoas das suas relações, um chá primorosamente servido”.

Construção durou um ano

Segundo o Jornal de Abrantes, a obra de construção do Colégio de Fátima, que esteve a cargo da Construtora Abrantina, durou cerca de um ano. A ideia da sua criação partiu do Cónego Silva Martins “que há muito via a instante necessidade de se criar um bom colégio para educação de raparigas em Abrantes”.

A educação das raparigas em Abrantes era um problema que, até então, ainda não tinha tido sido resolvido, existindo apenas na cidade professores pontuais que ensinam línguas e que preparavam as raparigas para o exame da instrução primária. A outra solução, mas para as famílias mais abastadas, era enviarem as raparigas para colégios fora da região.

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O Órfeão de Abrantes esteve presente na cerimónia dos 75 anos do Colégio de Fátima, no dia 21 de novembro de 2015 (Foto: CMA)

O primitivo Colégio de Fátima ainda funcionou numas instalações que não cumpriam as exigências das entidades oficiais e foi aí que o Cónego Silva Martins falou deste problema ao médico Manuel Fernandes que deitou mãos à obra e, junto de outros abrantinos beneméritos, conseguir alcançar a quantia necessária para a construção de um novo edifício, aquele que hoje ainda existe e que, no ano letivo de 2017/2018, irá passar a ser o novo Centro Escolar de Abrantes.

Foram as Irmãs Doroteias as escolhidas e as que se disponibilizaram para assumir a missão administrativa e pedagógica do Colégio de Nossa Senhora de Fátima, instituição que era uma das melhores do país na altura.

Na altura da sua abertura, em outubro de 1940, eram 90 as alunas inscritas.

Ao longo dos seus mais de 70 anos de história ao serviço da educação na cidade de Abrantes, muitos foram os que passaram pelo Colégio de Fátima. Maria do Céu Albuquerque, atual presidente da Câmara Municipal de Abrantes, foi uma das alunas que por lá passou.

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Maria do Céu Albuquerque nos 75 anos do Colégio de Fátima em Abrantes (Foto: CMA)

Frequentou o Colégio de Fátima durante três anos e quando questionada sobre quais as memórias que lhe ficaram daquele espaço de ensino, Maria do Céu Albuquerque responde “os valores: rigor, exigência, amizade, solidariedade e partilha” e os professores que a marcaram: D. Irene Fernandes, D. Helena Bicho; prof. Semedo; Major S. Martinho; Irmã Martins, Irmã Joaquina, Irmã Martinho, Irmã Campos, Irmã Maria Jesus e Irmã Maria Conceição. As brincadeiras tidas nos momentos de pausa do estudo também fazem parte das memórias de Maria do Céu Albuquerque no Colégio de Fátima: “saltar à corda no ginásio quando estava a chover, prego depois da chuva”. A atual presidente da Câmara de Abrantes recorda ainda “os retiros espirituais anuais na Casa da Esperança” e “os momentos de oração diários na capela”. E lembra uma canção que rezavam nestes retiros: “Eu sou tijolo, tu és tijolo, vamos construir”. “Não esqueci e acho que orientou a minha vida”, refere Maria do Céu Albuquerque.

Para a autarca de Abrantes, o Colégio de Fátima é “uma instituição de referência” que faz parte da história da cidade. “São 75 anos a educar, a formar pessoas, nomeadamente mulheres, quando o acesso à educação era praticamente exclusivo dos homens”, salienta.

“Em nome da comunidade abrantina agradecer à congregação das Irmãs Doroteias na pessoa da Irmã Maria Adelaide Santos Costa o trabalho, a dedicação, a amizade e dizer-lhes que ficarão para sempre no coração dos abrantinos”, conclui a autarca.

 

(O mediotejo.net agradece à Biblioteca Municipal de Abrantes a
disponibilização das imagens dos jornais antigos)

Entrou no mundo do jornalismo há cerca de 13 anos pelo gosto de informar o público sobre o que acontece e dar a conhecer histórias e projetos interessantes. Acredita numa sociedade informada e com valores. Tem 35 anos, já plantou uma árvore e tem três filhos. Só lhe falta escrever um livro.

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