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Sábado, Outubro 23, 2021

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Abrantes | Núcleo da Liga dos Combatentes quer novas instalações e mais apoio psicossocial

O Núcleo de Abrantes da Liga dos Combatentes homenageou militares mortos em combate e veteranos, no dia que completou 98 anos de existência, e deixou alguns recados, designadamente sobre a falta de apoio psicossocial a 25 combatentes da sua área de abrangência durante a pandemia, a necessidade de novas instalações, a aspiração a um núcleo museológico e um memorial aos combatentes na Guerra do Ultramar no Parque do Alto de Santo António.

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O 98º aniversário do Núcleo de Abrantes da Liga dos Combatentes foi assinalado na quarta-feira, dia 29, no Jardim da República, em Abrantes. Um momento simbólico que contou com a presença do presidente da Liga dos Combatentes, Tenente-General Chito Rodrigues, e reuniu velhos camaradas de armas, antigos combatentes, entidades civis e religiosas mas ainda sem o número de convidados habitual antes da pandemia de covid-19.

As cerimónias decorreram, então, na cidade de Abrantes, com a realização de uma Missa de sufrágio pelos combatentes falecidos na igreja de São João Baptista. Os convidados do 98º aniversário do Núcleo de Abrantes da Liga dos Combatentes concentraram-se junto do Monumento aos Mortos da Grande Guerra, no Jardim da República. Foi nesse local que decorreram as cerimónias oficiais presididas pelo presidente da Liga dos Combatentes, Tenente-General Chito Rodrigues, ladeado pelo Comandante do RAME, Coronel de Infantaria Luís Barroso, o presidente do Núcleo de Abrantes, Tenente-Coronel de Artilharia António Hilário, e a vereadora da Câmara Municipal de Abrantes, Celeste Simão.

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Cerimónia do 98ª aniversário do Núcleo de Abrantes da Liga dos Combatentes. Créditos: mediotejo.net

A cerimónia contou com a deposição de uma coroa de flores em homenagem aos combatentes falecidos, no Monumento aos Mortos da Grande Guerra, seguida de uma homenagem aos associados com a atribuição de medalhas Comemorativas das Campanhas das Forças Armadas Portuguesas e também com atribuição de Medalhões Comemorativos dos 25 anos de associado da Liga dos Combatentes e respetivos Testemunhos de Apreço.

Na alocução do presidente do Núcleo de Abrantes da Liga dos Combatentes, António Hilário sublinhou que a pandemia veio agudizar os problemas psicológicos dos combatentes com stresse e trauma de guerra. Manifestou ser “preocupação” da direção “não ter sido possível manter a qualidade do apoio psicossocial” a 25 combatentes.

Ao nosso jornal afirmou mesmo que esses 25 combatentes “estiveram mais de um ano sem consultas” de apoio psicossocial, tendo sido possível em junho e julho deste ano, “duas missões feitas com alguma dificuldade porque exigiam o uso da máscara, etc. E se isso nos perturba a nós, o que será numa pessoa debilitada”, nota António Hilário.

Atualmente também não contam com qualquer apoio. Esse apoio psicológico chega à região vinda de Lisboa, através do Centro de Estudos e Apoio Médico Psicológico e Social da Liga dos Combatentes (CEAMPS) e “ainda não estão reunidas as condições para restabelecer o normal” desse apoio psicossocial, indicou.

António Hilário durante a cerimónia do 98ª aniversário do Núcleo de Abrantes da Liga dos Combatentes. Créditos: mediotejo.net

“Vivemos momentos difíceis e conturbados, pois estes últimos dois anos têm sido marcados por uma pandemia à escala mundial com efeitos negativos na sociedade e em particular na nossa comunidade. Durante estes dois últimos anos enfrentámos um inimigo invisível”, disse dando conta que o Núcleo de Abrantes manteve a proximidade aos sócios designadamente “aos mais carenciados, aos que mais necessitaram de ajuda e apoio”.

O delegado de Ação Social do Núcleo “foi um elemento fundamental”, desenvolveu ações de apoio “quer em contactos telefónicos, em visitas domiciliárias daqueles que estavam no momento mais frágeis e mais carentes […] por vezes o simples gesto de ir à farmácia aviar uma receita ou efetuar umas compras de bens de primeira necessidade revelou ser uma ajuda de grande valor”, explicou.

Notou que nestes dois últimos anos, o Núcleo ficou privado de desenvolver as atividades direcionadas para os sócios como os passeios culturais, sessões de convívio e camaradagem mas “nunca” deixou de celebrar as datas “que para nós são imprescindíveis” ainda que em diferente formato.

Cerimónia do 98ª aniversário do Núcleo de Abrantes da Liga dos Combatentes. Créditos: mediotejo.net

No entanto, “tudo leva a crer que vamos poder voltar a desenvolver as atividades a que estávamos habituados. Para isso estamos totalmente empenhados e dedicados para que todas as iniciativas visem a melhoria da qualidade de vida” dos associados, disse, “em particular dos mais necessitados”.

E defendeu que os combatentes têm “a obrigação” de ser “os defensores das Memórias e dos valores históricos, e sermos o elo de transmissão às gerações futuras, para que estes não se percam e perdurem no tempo”.

Avançou com a possibilidade de “dentro em breve” o Núcleo “poder vir a ocupar novas instalações”, para tal, de acordo com o presidente, o Núcleo conta com a Câmara Municipal de Abrantes. O mediotejo.net sabe que a nova sede do Núcleo de Abrantes da Liga dos Combatentes será igualmente no centro histórico da cidade, na antiga escola na Rua Luís de Camões.

Instalações que segundo António Hilário, “irão proporcionar instalação condigna da sede do nosso Núcleo, os necessários serviços de apoio aos sócios e todos o apoio médico e social”. E assim “aspirar à criação de um polo museológico que tanta falta faz na preservação da memória daqueles que serviram a pátria”, acrescentou.

Cerimónia do 98ª aniversário do Núcleo de Abrantes da Liga dos Combatentes. Créditos: mediotejo.net

O Núcleo de Abrantes da Liga dos Combatentes conta com entrada de 2045 sócios – atualmente 1400 – e abrange os municípios de Abrantes, Constância, Sardoal, Mação, Gavião, Vila de Rei e Ponte de Sor.

O presidente do Núcleo defendeu também a criação, em Abrantes, de um Memorial aos Combatentes na Guerra do Ultramar, nomeadamente aos 36 abrantinos que morreram em combate durante os 13 anos de guerra.

“Assim propusemos à Câmara Municipal de Abrantes que desenvolva os procedimentos necessários para que seja erigido em Abrantes um Memorial aos Combatentes na Guerra do Ultramar, onde constem os nomes dos abrantinos que morreram ao serviço da pátria”. Sugere que seja no lado sul do Parque do Alto de Santo António, junto ao Miradouro.

O presidente da Liga dos Combatentes, Chito Rodrigues, durante a cerimónia do 98ª aniversário do Núcleo de Abrantes da Liga dos Combatentes. Créditos: mediotejo.net

Por seu lado, o Tenente-General Chito Rodrigues, presidente da Liga dos Combatentes, dirigiu-se aos militares e antigos combatentes, referindo-se ao momento como sendo “desses combatentes” mas também “um momento de reflexão sobre a memória daqueles que caíram ao serviço de Portugal”.

Evocou as comemorações o 100.º aniversário da instituição, que em 2021 completou o centenário, sendo que a evocação estende-se até 2024. Na sua intervenção, o presidente da Liga dos Combatentes afirmou que “a Liga nunca deixou de lutar pelos combatentes de Portugal”, sublinhando que o século XXI veio trazer renovação.

Atualmente contam-se “126 núcleos, 420 monumentos, 12 centros de apoio médico, psicológico e social” sendo que para a Liga trabalham 120 pessoas.

Cerimónia do 98ª aniversário do Núcleo de Abrantes da Liga dos Combatentes. Créditos: mediotejo.net

Chito Rodrigues defendeu que, nas cerimónias e celebrações, “não podemos estar sozinhos” querendo “população”, no sentido dos combatentes poderem dar a conhecer as suas ações e o papel que desempenham na sociedade. Embora “tenhamos as entidades mais representativas da cidade, o nosso desejo é que esteja mais gente e não nos podemos refugiar na pandemia”, criticou falando nos programas implementados em todo o País pela Liga.

Assumindo-se como “velho combatente” dirigiu outra forte crítica às “minúsculas” instalações do Núcleo de Abrantes da Liga dos Combatentes. Contou que quando entrou pela primeira vez na sede, “que hoje está digna, envergonhei-me! Aquele espaço sabem muito bem para que serviu e nós merecemos mais, queremos mais, queremos respeito!”, exclamou. Recorda-se que o edifício antes de acolher a sede do Núcleo, albergava casas-de-banho públicas e o posto do guarda noturno.

Deu conta da importância “da passagem de testemunho” com que a Liga dos Combatentes se bate. “56% dos 126 Núcleos do país são hoje dirigidos por elementos das Forças Armadas que fizeram missões de paz e humanitárias”, disse, lembrando o Estatuto dos Antigos Combatentes e as propostas de revisão que a Liga apresentou ao Governo e ao Parlamento “para que sejam revistos os suplementos de pensão e os acréscimos vitalícios de pensão”.

Cerimónia do 98ª aniversário do Núcleo de Abrantes da Liga dos Combatentes. Créditos: mediotejo.net

Para Chito Rodrigues “é necessário o mais rapidamente possível estabelecer-se a reconciliação entre os combatentes e o Estado”, no sentido de dignificar as pensões e atribuir benefícios aos combatentes. Pede que seja atribuído aos combatentes “o vencimento mínimo. E da mesma maneira pedimos que os tais subsídios tenham idêntico valor anual”, acrescentando “apoio no Hospital das Forças Armadas, apoio no Serviço Nacional de Saúde”.

O presidente da Liga dos Combatentes referiu, ainda, o objetivo de construir uma residência no Entroncamento. “Temos de lutar para que a residência do Entroncamento seja uma realidade. Estamos numa grande expectativa de que assim seja, porque assim foi considerado ao nível da Câmara Municipal do Entroncamento, da direção central da Liga, ao nível da Liga de Combatentes como um todo e o Governo deve atender a esta prioridade”, concluiu.

Cerimónia do 98ª aniversário do Núcleo de Abrantes da Liga dos Combatentes. Créditos: mediotejo.net

Durante a cerimónia, com a Medalha Comemorativa das Campanhas das Forças Armadas Portuguesas, atribuída “aos militares que tenham servido em situação de campanha” foram agraciados os seguintes sócios do Núcleo de Abrantes: Vasco Bandeira dos Santos; Joaquim Lopes Diogo; Manuel Barreto Sebastião; Alfredo Rodrigues Costa; Josué Silvério Braz; Carlos Alexandre da Silva Carvalho; Bracelino da Conceição Neto; Vitor Manuel Martins Dias.

O Medalhão Comemorativo dos 25 Anos e os Testemunhos de Apreço, são atribuídos aos sócios que completaram 25 anos de permanência como associados e que têm as suas quotas em dia ou que estejam isentas do pagamento das mesmas, por motivos de carência económica.

Cerimónia do 98ª aniversário do Núcleo de Abrantes da Liga dos Combatentes. Créditos: mediotejo.net

Receberem o Medalhão Comemorativo dos 25 Anos de sócio da Liga dos Combatentes e respetivos Testemunhos de Apreço: José Dias Gaspar; António Natividade Campos; Jorge Pereira das Neves; Manuel Marques Cordeiro; João Bernardino; Ângelo Fernandes; Severino de Matos Boaventura; Antero Monteiro dos Santos; Daniel dos Anjos Martins; José António Salgueiro Atanásio; Fernando Dias; Amante Heitor Parente.

Cerimónia do 98ª aniversário do Núcleo de Abrantes da Liga dos Combatentes. Créditos: mediotejo.net

Encontraram-se junto ao Monumento dos Combatentes da Grande Guerra os Guiões do Núcleo de Abrantes; do Núcleo do Entroncamento e Barquinha; do Núcleo de Torres Novas; do Núcleo de Tomar e do Núcleo de Santa Margarida.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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