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Abrantes | Novo Banco vai fechar balcão em Alferrarede

O balcão do Novo Banco, em Alferrarede, encerra no próximo dia 27 de julho. O banco enviou cartas aos clientes dando conta do encerramento e afixou na porta do balcão um aviso de “mudança de instalações” indicando que a partir do dia 30 de julho os clientes poderão dirigir-se ao balcão de Abrantes. O mediotejo.net falou com o presidente da União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede, Bruno Tomás, que disse não ter a autarquia sido oficialmente informada do fecho do balcão. Até ao momento, o nosso jornal não conseguiu obter comentários de fonte oficial do Novo Banco sobre o fecho da agência.

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O balcão do Novo Banco, na rua do Comércio em Alferrarede, encerra na próxima sexta-feira, 27 de julho. O mediotejo.net sabe que o Novo Banco comunicou o encerramento aos clientes afetados e a transferência das contas para a agência de Abrantes ou para outra que os clientes escolhessem.

O mediotejo.net não conseguiu, até ao momento, obter comentários de fonte oficial do Novo Banco sobre o fecho da agência. No entanto, constatou que o balcão de Alferrarede afixou na porta um aviso de “mudança de instalações” onde informa os clientes que “a partir do dia 30 de julho” a entidade bancária “encontra-se à disposição no balcão de Abrantes”, na rua do Montepio, no cento histórico da cidade.

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Novo Banco, balcão de Alferrarede

Questionado sobre o encerramento do único balcão de uma instituição bancária existente em Alferrarede, o presidente da União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede lamentou que, à semelhança do que aconteceu aquando do encerramento do balcão dos CTT, também em Alferrarede, a autarquia não tenha sido oficialmente informada.

“Infelizmente, mais uma vez, não fomos informados de nada”, lamentou Bruno Tomás ao mediotejo.net. “Soubemos através das conversas que mantemos com as pessoas no dia a dia e já percebemos que há um aviso e que os clientes estão a receber correspondência” dando conta do encerramento do balcão no final de julho e que “vão ser transferidas as contas para o balcão do Novo Banco sediado no centro histórico em Abrantes”, contou.

Bruno Tomás adiantou a realização de uma reunião do executivo da Junta na próxima semana no sentido de “enviar uma missiva à sede do Novo Banco manifestando o descontentamento e a não concordância com o encerramento”.

Apesar de falarmos de uma entidade privada ao autarca parece-lhe “pública” e garantiu a “não demissão” da Junta de Freguesia deste encerramento “tal como não fez com o encerramento do balcão dos CTT”.

O ofício será partilhado com os eleitos da Assembleia de Freguesia no sentido de “podermos ter algum posicionamento. E estamos abertos a sugestões, sabendo que não vai ser fácil. Ainda há pouco tempo tentámos travar uma batalha com a administração dos CTT” que, não sendo perdida, “não foi ganha”, considera.

O autarca recordou que esta entidade bancária “foi intervencionada pelo Estado português” mencionando que os clientes daquele balcão estendem-se desde Barca do Pego a Alferrarede passando por Alferrarede Velha, Vale das Mansas e pelos empresários da zona industrial de Abrantes. Salvaguardando não ser uma informação oficial, tem ideia de ser “um balcão rentável. Aquilo que movimenta é suficiente para o manter”, defendeu o autarca.

Bruno Tomás, presidente da União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede

Bruno Tomás desconhece o número de clientes afetados pelo encerramento do balcão mas diz ser “esse o problema das instituições: só olham para números e não para as pessoas. Nem que sejam duas pessoas, podem justificar o balcão aberto”, observou.

O presidente lamenta o esvaziamento do centro histórico de Alferrarede e manifesta preocupação com a perda de serviços. Admitindo o estado de “alguma degradação” do centro histórico de Alferrarede lembra que “as duas grandes zonas industriais do concelho estão ali” e dá conta “das linhas de financiamento existentes” para a reabilitação urbanística daquele centro histórico como foi anunciado na última Assembleia Municipal pela presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque.

Ao investirem, “os privados vão beneficiar dos apoios que os investidores no centro histórico de Abrantes beneficiam” classificando esta decisão do Novo Banco de “contra ciclo”.

Bruno Tomás diz entender a necessidade de reestruturação do banco, mas defende uma análise “caso a caso” manifestando “dúvidas” quanto a esta decisão. Até porque, “as decisões vêm de Lisboa e lá não percebem o que na realidade está a acontecer aqui”, referindo o “espectro das infraestruturas, do tecido económico e de alguns comerciantes que estão a acreditar e a investir em Alferrarede”, manifestando a expectativa que a instituição bancária “reconsidere” a decisão.

O mediotejo.net sabe que a caixa multibanco existente no balcão do Novo Banco em Alferrarede também será retirada. Mas Bruno Tomás revelou-se mais preocupado com o encerramento do balcão. “A caixa multibanco preocupa-nos mas efetivamente preocupa-nos muito o banco e as pessoas desaparecerem” por representar “o contacto humano com os mais idosos” que em sua opinião “irão sentir muito mais falta do balcão, nomeadamente para depositar a reforma, tal como os empresários”.

Bruno Tomás sustenta que apesar do concelho de Abrantes estar a perder população “a única freguesia que está a crescer é a de Alferrarede e Abrantes, onde estão os postos de trabalho” aludindo aos “novos investimentos anunciados”.

Agência do Novo Banco em Alferrarede, concelho de Abrantes

No balcão de Alferrarede trabalham cinco funcionários, quatro ao balcão e um itinerante.

Em todo o País, o Novo Banco vai encerrar cerca de 30 balcões até final de julho, uma medida incluída no fecho de 73 agências previsto para este ano, de acordo com fonte ligada ao processo. Já em final de abril o Novo Banco tinha fechado 30 balcões.

O fecho de agências do Novo Banco este ano visa antecipar a meta negociada com Bruxelas para 2021, ano em que o banco deveria ter 400 balcões (menos 73 do que tinha no final de 2017).

Com a antecipação da meta de redução da rede comercial, a instituição que resultou da resolução do BES quer reduzir custos mais rapidamente para conseguir apresentar rentabilidade já em 2019.

Quando todos os fechos de balcões forem concretizados e tendo em conta os 631 balcões que o Novo Banco tinha no final de 2014, tal significa que a instituição fechou cerca de 40% da rede comercial em quatro anos.

Ainda este ano deverão sair do banco mais de 400 trabalhadores, meta já conhecida para a qual foram provisionados 134 milhões de euros, e que será conseguida em rescisões por mútuo acordo e reformas antecipadas.

O presidente do Conselho Geral e de Supervisão do Novo Banco, Byron Hayes, disse em entrevista ao Expresso que o banco quer “limpar a herança em 18 meses”, que deve ter menos balcões mas “maiores em áreas de maior população” e assegurar que são “rentáveis”.

Em outubro passado, o Novo Banco (a instituição que ficou com ativos do ex-BES, alvo de medida de resolução em 03 de agosto de 2014) foi vendido ao fundo de investimento norte-americano Lone Star em 75%, ficando o Fundo de Resolução bancário (entidade na esfera do Estado financiada pelas contribuições dos bancos) com os restantes 25%.

A Lone Star não pagou qualquer preço, tendo acordado injetar 1.000 milhões de euros no Novo Banco, o que já fez.

Para aprovar a venda do Novo Banco, a Comissão Europeia exigiu um novo plano de reestruturação com implicações na dimensão da sua atividade, através de venda ou fecho de operações, assim como redução da sua estrutura e número de trabalhadores.

Em 2017, o Novo Banco teve prejuízos recorde de 1.395,4 milhões de euros, num ano em que constituiu mais de 2.000 milhões de euros de imparidades (provisões para perdas potenciais).

Na sequência deste nível elevado de perdas, o Novo Banco ativou o mecanismo de capital contingente (negociado com o Estado português aquando da venda), pedindo que o Fundo de Resolução o recapitalizasse, o que aconteceu em finais de maio num montante de 792 milhões de euros.

Para isso, uma vez que o Fundo de Resolução não tinha todo o dinheiro necessário, o Tesouro público emprestou 430 milhões de euros.

No primeiro trimestre deste ano, o Novo Banco teve lucros de 60,9 milhões de euros no primeiro trimestre, o que compara com o prejuízo de 130,9 milhões de euros dos primeiros três meses de 2017.

C/Lusa

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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