Abrantes | Nova travessia do Tejo é em Tramagal e “traçado que liga IC9 ao Alto Alentejo está decidido” – Nelson de Carvalho (c/áudio)

A ligação do IC9 a Ponte de Sor, através da A23 e de uma ponte sobre o rio Tejo em Tramagal permitirá aumentar “a competitividade territorial”, disse ao mediotejo.net Nelson de Carvalho, responsável pela estratégia que fez incluir a denominada ponte de Tramagal no Plano Rodoviário Nacional há 20 anos. O ex-presidente da Câmara Municipal de Abrantes, não tem dúvidas: o traçado está decidido, aprovado e agora inscrito no Plano Nacional de Investimentos 2030. Falta executar.

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A execução do troço do Itinerário Complementar 9 (IC9) com ligação à A23 é uma antiga aspiração de autarcas de municípios do Médio Tejo, como Abrantes e Constância e até do Alto Alentejo, como Ponte de Sor, uma vez que permitirá estabelecer ligação a partir dessa zona até àquela cidade do Alto Alentejo, num projeto que inclui a construção de uma nova travessia sobre o rio Tejo. Segundo Nelson de Carvalho, a ponte surgirá entre Abrançalha e Tramagal, ligando as duas margens das duas localidades do concelho de Abrantes, tal como está inscrito no Plano Rodoviário Nacional 2000.

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“Os corredores estão definidos e assinalados nos mapas, agora é uma questão de execução. Sai no nó da Abrançalha e vem naquele acesso à autoestrada até ao cruzamento Rio de Moinhos/Abrançalha/Abrantes. Este troço sai em frente numa nova estrada que segue para Tramagal. Não é algures, não é entre Abrantes e Constância”, assegura.

Considerando “ignorante” o debate a que tem assistido à volta da localização da nova travessia sobre o Tejo, designadamente se no concelho de Constância ou no concelho de Chamusca, diz que “os autarcas podem reclamar mas outras coisas. Querem uma ponte nova? Reivindiquem uma ponte nova, e negociem com o governo mas este troço está no planeamento do Estado desde 1999”, afirmou.

O antigo presidente da Câmara Municipal de Abrantes recorda que “este dossier da ligação Abrantes/Ponte de Sor foi fechado há 20 anos e tem vindo a correr a sua tramitação. Os autarcas sabem ou têm obrigação de saber e conhecer o Plano Rodoviário Nacional onde estão as opções do Estado, a médio e longo prazo, para melhoria das acessibilidades nacionais. Está lá!”.

Mapa que consta do estudo de impacte ambiental do IC9 lanço Abrantes/Ponte de Sor, datado de janeiro de 2009, das Estradas de Portugal

Mas a história da ponte de Tramagal começa há mais de 20 anos, na presidência do engenheiro Bioucas. Quando Nelson de Carvalho chegou à Câmara Municipal de Abrantes, em janeiro de 1994, “já se falava nisso” conta o ex-presidente da Câmara ao mediotejo.net, que diz ter pegado na matéria até pela fábrica da Mitsubishi instalada na vila de Tramagal, sendo que a ponte permitia melhores acessibilidades.

“A A23 estava em curso – na altura IP6 – e lembro-me que nos primeiros dois anos do meu mandato veio à Mitsubishi Mira Amaral, ministro da Indústria do último governo de Cavaco Silva. Falei-lhe na ponte” tendo o governante sugerido que fosse a autarquia a construir a ponte, sendo ela de “interesse local”.

Uma sugestão que levou Nelson de Carvalho a estudar o Plano Rodoviário Nacional no sentido de integrar o projeto numa acessibilidade nacional da responsabilidade do Estado cuja decisão fosse do governo, e foi nesse estudo que se deparou com o IC9, na região de Leiria, que atualmente aproveita o traçado da A13 ligando à A23.

O que fazia sentido ao então presidente era ligar três regiões – Leiria, Médio Tejo e Alto Alentejo, notando que faltava acrescentar um novo troço ao IC9: Abrantes/Ponte de Sor até ao IC13. “Ligava todo o Alto Alentejo ao Médio Tejo e a toda a região centro litoral, portanto tinha interesse estratégico nacional e regional e estava inserido numa acessibilidade da responsabilidade do Estado e cuja decisão competia ao governo”.

Na altura Nelson de Carvalho reuniu com o secretário de Estado das Obras Públicas, Crisóstomo Teixeira, que pegou nos desenhos, analisou e considerou “fazer sentido” a tal ligação ao Alto Alentejo, sendo inserido o lanço Abrantes/Ponte de Sor no Plano Rodoviário Nacional pela Junta Autónoma de Estradas. “Em 1999 estava aprovada a revisão do Plano Rodoviário Nacional atualmente em vigor; o PRN 2000”, explica.

Troço do IC9 com nova travessia no Tejo na zona de Abrantes. Foto: DR

Em 2008 o governo lançou a avaliação de impacte ambiental para o traçado do IC9. “Desenharam o troço, em alguns locais tinha variantes, lembro-me que para a ponte havia duas hipóteses de traçado, na Bemposta havia duas ou três” e a decisão tomada em sede de avaliação de impacte ambiental. “Foram definidos os corredores do IC9”, afirma Nelson de Carvalho, rejeitando afirmações que deixam em aberto a localização da nova travessia sobre o rio Tejo.

“Todo o traçado está definido desde a avaliação de impacte ambiental que foi aprovada” em 2009. Segundo o ex-autarca tal aprovação significa que “o processo andou rápido até à avaliação de impacte ambiental que é fundamental para lançar depois o concurso público para a execução. Foram meia dúzia de anos, o que em termos de planeamento do Estado é muito pouco tempo”, assegura.

Nelson Carvalho adianta que a ponte terá quatro faixas, não sendo uma autoestrada mas um Itinerário Complementar, e que a obra ficou adiada devido à crise financeira internacional de 2008. “O Estado cancelou e adiou pilhas de investimentos e os privados também, e este foi um dos visados, como muitos outros. Hoje o governo retoma no âmbito desse documento de planeamento de investimentos e insere-o” no Plano Nacional de Investimentos 2030.

“Acho muito bem! Era isso que estava programado quando se fez a avaliação de impacte ambiental: avançar para a obra. Uma obra importante! Liga dois eixos urbanos Abrantes/Ponte de Sor que neste território é estratégico e pode potenciar o desenvolvimento económico da região. Os dois núcleos urbanos mais importantes da zona e que podem puxar pela região. Importa potenciar o efeito estratégico no desenvolvimento deste eixo urbano. Este troço é fundamental para isso”, defende o ex-autarca de Abrantes.

Nelson de Carvalho nota que a Estada Nacional 2, que atualmente liga Abrantes a Ponte de Sor, “é uma estradinha local, estrangulada em alguns pontos, que não pode hoje servir de ligação entre” as duas cidades. “É preciso uma estrada que ligue estas regiões e potencie a sua dinâmica. Tem claramente interesse regional e nacional e não meramente interesse local”.

Após a estratégia lançada manifesta-se, por isso, “muito contente que o governo tenha retomado o processo de executar a obra”.

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Paula Mourato
A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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