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Sexta-feira, Setembro 24, 2021

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Abrantes | Nova edição da revista ‘Zahara’ relembra conterrâneos e resgata memórias da região

A 37ª edição da revista Zahara, publicada pelo CEHLA – Centro de Estudos de História Local de Abrantes, da associação Palha de Abrantes, foi apresentada em Abrantes. O novo número desta revista semestral dá a conhecer novos temas históricos, antropológicos, sociológicos e etnográficos da região, percorrendo desde as Azenhas do Poço das Talhas em Queixoperra, até às misericórdias de Vila Nova da Barquinha, passando pela história do Teatro do Sardoal ou por um concelho de Abrantes do século XIX.

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Foi no espaço Sr. Chiado, na Praça Raimundo Soares, que cerca de 40 pessoas se juntaram no dia 22 para a apresentação do novo número da Zahara, revista publicada semestralmente e que nunca falhou nenhum número, tal como lembrou José Martinho Gaspar, diretor da publicação, que referiu ainda que isto só é possível graças “à existência recorrente de muita gente a querer colaborar, o que é fundamental”.

Todos os artigos cujos autores estavam presentes foram brevemente apresentados, convidando a uma leitura atenta na posterioridade.

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José Martinho Gaspar refere que a nova edição vem muito da “continuidade” do trabalho que tem vindo a ser feito. “Há artigos muito diversificados, que vão desde uma história mais recente relacionada com a etnografia, até outra história mais tradicional, e que vai até aos séculos passados, ligada a pessoas que fazem outro tipo de investigação, nomeadamente universitária. Mas acaba por ser muito na linha do que é habitual na revista”, refere o diretor, que é também mestre em História Contemporânea.

Teresa Aparício a apresentar o seu trabalho sobre as ‘Azenhas do Poço das Talhas em Queixoperra – Profissões e Vivências em Vias de Extinção’ para as cerca de 40 pessoas presentes no espaço Sr. Chiado. Foto: mediotejo.net

Na sessão, Teresa Aparício começou por apresentar o seu trabalho, que é igualmente o primeiro artigo da revista, sobre as ‘Azenhas do Poço das Talhas em Queixoperra – Profissões e Vivências em Vias de Extinção’, seguindo-se José Alves Jana, que falou sobre a importância da vida do professor Carlos Alberto (falecido recentemente), transmitida através de uma entrevista que lhe tinha feito em 2018.

José Alves Jana alertou para a necessidade da comunidade local ficar com memórias escritas das pessoas que “vão tecendo pelo interior da nossa sociedade civil, da vida do dia a dia”, uma vez que “ao longo dos vários números têm vindo aqui pessoas de que nunca se ouviria falar, obviamente por não serem importantes, apesar da importância que tiveram”.

Mário Jorge Sousa debruçou-se sobre o GETAS (Grupo Experimental de Teatro Amador de Sardoal) e a sua importância sociocultural, brincado ao dizer que para colocar o nome de todos os colaboradores deste grupo seria necessário ter sido feito um suplemento à revista. Dulce Figueiredo, funcionária da biblioteca e do arquivo do município do Sardoal, abordou a sirene dos Bombeiros do Sardoal, explorando a diferença dos toques da sirene e como foram esses toques “decididos”.

‘Abrantes no século XIX – A Vila e o Concelho em 1811 (conclusão)’, por Joaquim Candeias da Silva, ‘As Misericórdias em Vila Nova da Barquinha’, por Fernando Freire, ‘O Souto no Século XX’, por Manuel Batista Traquina, ‘Correio do Reino’ por José Manuel d’Oliveira Vieira e ‘Museu Os Moleiros, um Local de História e Tradição em Rio de Moinhos’, por Joana Margarida Carvalho, foram outros dos artigos deste número 37 da Zahara apresentados na sessão.

Já Carlos Grácio fez-se acompanhar na sessão por Artur Gueifão, o “Artífice da Pedra” que dá mote ao seu artigo. Artur Gueifão, um “autodidata criativo e apaixonado pela arte de transformar a pedra” em miniaturas das mais variadas estruturas arquitetónicas, desde pontes, moinhos, castelos, faróis, aquedutos e fornos, apresentou algumas das suas obras, nomeadamente uma réplica de um forno de Pompeia, que tem inclusivamente e de forma simbólica, pedras de Pompeia na sua constituição. Artur Gueifão doou ainda à associação Palha de Abrantes uma obra da sua autoria, a simbolizar as janelas floridas de Abrantes.

O ‘Artífice da Pedra’, Artur Gueifão, ofereceu uma obra à associação Palha de Abrantes. Foto: mediotejo.net

Para José Martinho Gaspar, diretor da publicação, a Zahara, que conta com uma tiragem de 500 exemplares, “não vende tantos exemplares como gostaríamos, mas o que é verdade é que as pessoas se habituaram a que ela saia semestralmente, que a procuram, e que de modo geral têm gosto por estas temáticas”. O diretor considera que “é um dado mais ou menos reconhecido por todos que a revista tem desempenhado um papel muito importante para a região”.

“Aliás”, partilhou, “chegam-nos muitas histórias de pessoas que dizem que na escola nem gostavam de História mas que depois quando olham para esta revista, e para os temas retratados – os quais lhes dizem muito pois são sobre a sua região, a sua terra, associação ou uma pessoa que conhecem, temas que lhes dizem algo – acabam por se sentir identificadas e gostar destes temas”, acrescentou José Martinho Gaspar. 

A tiragem de 500 exemplares, “um número que por agora parece ideal para a região, tanto mais que a distribuição é feita quase de mão-a-mão”, está também disponível em locais de venda “normais”, e onde é muito procurada por aquele que é um público muito específico, tal como revela o diretor da publicação.

José Martinho Gaspar acrescentou que agora era importante associar outras valências, até para também chegar a outros públicos, nomeadamente as redes sociais. “Talvez possamos trabalhar mais essa área, o que talvez permita chegar a mais gente, nomeadamente até a um público mais jovem, porque muitas vezes as pessoas não conhecem bem a revista – embora já aqui ande desde 2002 – e depois quando a conhecem ficam surpreendidas, particularmente até pessoas muito novas”.

Além do já referido Fernando Freire, de Vila Nova da Barquinha, também marcaram presença na apresentação os presidentes dos municípios de Mação, Vasco Estrela, e de Sardoal, Miguel Borges, além da vereadora da Câmara Municipal de Abrantes, Paula Grijó. Todos os autarcas usaram da palavra no final da sessão para agradecerem o trabalho desenvolvido pela associação Palha de Abrantes e elogiarem a revista e a sua importância, demonstrando abertura por parte das suas respetivas autarquias para apoiarem esta iniciativa.

O CEHLA, da associação Palha de Abrantes, e que conta com 19 anos de existência, é responsável pela publicação da revista Zahara mas desenvolve também outras atividades, as quais pretende retomar o quanto antes, como as Jornadas de História Local e os Passeios com História.

Licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior. Natural de Praia do Ribatejo, Vila Nova da Barquinha, mas com raízes e ligações beirãs, adora a escrita e o jornalismo. Ávido leitor, não dispensa no entanto um bom filme e um bom serão na companhia dos amigos.

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