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Sexta-feira, Janeiro 21, 2022
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Abrantes | Museu de Arqueologia e Arte é peça “central” no processo de regeneração urbana (C/ÁUDIO)

A Câmara de Abrantes inaugura esta quarta-feira o Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (MIAA), um equipamento tido como “central” no processo de regeneração urbana da cidade e que representou um investimento de 6,3 milhões de euros. O Museu vai ter entradas gratuitas até 31 de março de 2022, foi hoje aprovado em reunião de executivo. Paralelamente, reabre também ao público a 8 de dezembro o parque de estacionamento de São Domingos, devolvendo ao Centro Histórico da cidade esta bolsa de estacionamento.

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Esta terça-feira, em reunião de executivo municipal, foi aprovado que as entradas no MIAA sejam gratuitas até ao dia 31 de março de 2022. Durante a sessão, em resposta a uma pergunta do vereador do Partido Social Democrata, Vitor Moura, o presidente da Câmara, Manuel Jorge Valamatos (PS) avançou que, paralelamente, à abertura do MIAA também o parque de estacionamento de São Domingos reabre aos cidadãos.

A cerimónia de inauguração do MIAA, esta quarta-feira, dia 8 de dezembro, tem a presença anunciada da ministra da Cultura, Graça Fonseca, e da ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, ex-presidente da Câmara Municipal de Abrantes.

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A propósito da abertura deste equipamento cultural ao público, o mediotejo.net falou com o presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, sobre os conteúdos do Museu e da importância estratégica do MIAA no contexto onde se insere.

Vista parcial do MIAA de Abrantes. Imagem arquivo: DR

ÁUDIO | MANUEL JORGE VALAMATOS, PRESIDENTE CM ABRANTES:

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mediotejo.net – O que destaca do MIAA e de um momento há muito ambicionado em Abrantes, e qual a importância do mesmo para a cidade, para a região e para o país?

Manuel Jorge Valamatos – De facto, estamos em vésperas de inaugurar o nosso ambicionado MIAA (Museu Ibérico de Arqueologia e Arte de Abrantes), e é com grande expectativa que todos esperamos a abertura no dia 8. Na verdade a situação epidemiológica não é a mais favorável, no entanto queremos fazer uma cerimónia onde vamos contar com a presença de alguns ministros, secretários de estado, e claro, queremos que seja uma inauguração com a maior dignidade possível, mas o momento não é o mais fácil, tendo em conta o número elevado de casos positivos e algumas restrições que ainda vamos ter nesta cerimónia de abertura. Mas quisemos também nesta altura abrir o MIAA por via desta fase do calendário, esta fase natalícia, e dar a oportunidade a muitos que nos visitam e a algum tempo que algumas famílias possam ter disponível para poderem visitar o nosso Museu Ibérico de Arqueologia e Arte.

É um projeto que foi e é muito ambicioso, que estamos a desenvolver quase há 15 anos, e que cria grandes expectativas, e julgamos que temos um museu de relevância regional e mesmo nacional, e esperamos que seja do agrado da nossa comunidade, da comunidade mais alargada do Médio Tejo e que também sirva de impulso para toda a dinâmica do turismo, relacionado com as questões culturais, quer a nível regional quer a nível nacional.

Que coleções alberga o MIAA e o que as pessoas vão poder encontrar ali?

Este é um Museu que se pretende seja dinâmico, que consiga ter exposições que se possam ir alterando, e depois tem uma parte de geografia relacionada com uma arqueologia muito forte, e tem também a exposição que vai estar permanente, da nossa pintora (Maria) Lucília Moita. Terá também na abertura uma exposição relacionada com as coleções de Arte Contemporânea do Estado e tem também a coleção Figueiredo Ribeiro, que estará também de forma permanente embora possa ir sofrendo alterações ao longo do tempo. Mas é de facto um Museu com uma grande diversidade, com capacidade de se ir atualizando e renovando, e, como é óbvio, inserida dentro de um espaço do antigo Convento de São Domingos, que está todo reabilitado, e de facto é um Museu extraordinário que eu acho que todos os abrantinos sentir-se-ão orgulhosos por ter esta infraestrutura ao serviço da comunidade.

É uma das joias deste Museu a coleção de arqueologia (da Fundação Estrada)?

Claro que sim, a coleção Estrada, esta parte da geografia foi o que impulsionou o surgir deste Museu, é de facto esta coleção de um homem, o senhor João Estrada, que durante muitos anos colecionou obras de arte e arqueologia, e de facto foi este o mecanismo impulsionador deste grande Museu. Obviamente que depois contamos também com a coleção Maria Lucília Moita, extraordinária, bem como a coleção Figueiredo Ribeiro, um homem que tem também uma coleção extraordinária de Arte Contemporânea e que tem estado ligado connosco na Galeria de Arte de Abrantes e que agora veio trazer para este Museu, no sentido de valorização do mesmo, as suas coleções. E depois temos salas que terão exposições, não de forma permanente, mas que irão rodando em função do plano de ação para este Museu. Queremos crer e estamos convictos que temos um Museu extraordinário com uma grande diversidade e com coleções extraordinárias e com um edifício renovado que está extraordinariamente bem organizado e estruturado e julgo que todos ficarão muito satisfeitos em ver e apreciar este novo Museu que queremos que de facto seja um elemento catalisador, motivador, impulsionador de pessoas para visitarem a cidade e que têm aqui mais um motivo para o fazer.

Em termos estratégicos, o MIAA está inserido numa estratégia mais vasta, num âmbito turístico, cultural e também de renovação urbana da cidade…?

Claro que sim, nós fizemos à pouco tempo a renovação da igreja de Santa Maria do Castelo,  com uma nova linguagem, estamos em fase de conclusão do MAC (Museu de Arte Contemporânea), junto ao jardim do Castelo, e o MIAA vem colocar-se aqui, e na relação com as nossas igrejas – vai ter aqui um papel muito importante, bem como na relação com o próprio museu de Metalúrgica Duarte Ferreira, no Tramagal, digamos, formam aqui uma constelação de museus, de espaços de cultura, de turismo, que formam de facto um conjunto de instalações e dinâmicas muito fortes que potenciam naturalmente o turismo, e esse é seguramente um dos elementos-chave  desta metodologia e estratégia para conseguir captar para a nossa cidade e a nossa região mais gente a visitar-nos e, digamos, a partilhar as nossas vivências.

É preciso reserva ou basta chegar ao MIAA, entrar e visitar?

Bom, basta chegar ao MIAA e visitar. No entanto há medidas restritivas. Fizemos aqui um compasso de tempo e tínhamos a esperança que pudéssemos estar mais aliviados desta situação pandémica, isso infelizmente não aconteceu, o Museu está em condições para ser aberto e não vamos perder mais tempo, e vamos permitir que todos aqueles que o queiram visitar, o possam fazer. Naturalmente que num dia em que esteja muita gente para o visitar, e nos primeiros dias isso é natural, terão que haver alguns condicionalismos, sobretudo para grupos muito grandes esse processo terá de ser feito por marcação, para evitar que as pessoas estejam muito tempo à espera ou não possam mesmo visitar o museu, mas é um processo que vamos acompanhar. E a partir do dia 8, obviamente que todos aqueles que nos queiram conhecer e visitar, é com todo o gosto que recebemos todos, e claro, este Museu tem esta particularidade de se ir reformulando, atualizando-se, trazendo novas exposições, é uma ação dinâmica, e queremos crer que temos aqui uma excelente infraestrutura ao serviço da comunidade e mesmo do país.

Vista parcial do MIAA de Abrantes. Imagem arquivo: DR

O MIAA, que decorre da requalificação do Convento de S. Domingos através de um projeto do arquiteto Carrilho da Graça, ocupa todos os espaços disponíveis dos dois pisos do antigo convento com áreas de exposições, permanentes e temporárias, onde ficará parte da coleção de arqueologia e arte municipal, o espólio de pintura contemporânea da pintora Maria Lucília Moita e a coleção arqueológica Estrada, propriedade da Fundação Ernesto Lourenço Estrada, Filhos.

São cerca de cinco mil as peças recolhidas no que foi o antigo território da Lusitânia e que fazem parte das coleções da Fundação Estrada, das quais 537 estão selecionadas para exposição pública ao nível de ourivesaria ibérica, armaria e arte sacra dos séculos XVI a XVIII, além de coleções de numismática, arquitetura romana, medieval e moderna, relógios de várias épocas e uma exposição de arqueologia e história local.

 

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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